Inadimplência no Grande ABC sobe mais que o dobro da média nacional

A inadimplência no Grande ABC cresceu 15,74% em março de 2026, superando a média nacional. Veja os dados de dívidas e o perfil dos devedores

Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

O cenário econômico no Grande ABC paulista apresenta sinais de alerta para o varejo e o setor de serviços. Dados recentes da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Caetano do Sul (CDL), apoiados pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, revelam que a inadimplência na região cresceu de forma acelerada no início de 2026. Em março, o número de devedores saltou 15,74% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O índice regional supera drasticamente a média de crescimento do Sudeste (8,97%) e do próprio Brasil (9,54%). No recorte mensal, entre fevereiro e março de 2026, a alta registrada foi de 0,70%, consolidando uma tendência de pressão sobre o orçamento das famílias residentes nos sete municípios da região.

Volume de dívidas e ticket médio elevado

Além do aumento no número de CPFs negativados, o volume de dívidas em atraso também registrou uma escalada preocupante, com alta de 25,96% na comparação anual. O levantamento indica que a inadimplência local possui características de maior profundidade financeira: cada consumidor possui, em média, 2,422 dívidas, número que ultrapassa as marcas estadual e nacional.

O valor médio devido por cada inadimplente no Grande ABC é de R$ 5.659,04. Embora o montante total seja expressivo, o estudo mostra uma pulverização social do problema, já que cerca de 40% dos consumidores possuem débitos de até R$ 1.000,00.

Concentração bancária e perfil do devedor

A análise setorial aponta que as instituições financeiras são as principais credoras. O setor bancário concentra mais de 66% das dívidas na região, evidenciando o peso dos juros e do crédito rotativo na manutenção da inadimplência. Quanto ao perfil demográfico, os dados mostram:

  • Faixa Etária: Maior incidência entre 50 e 64 anos (24,72%).
  • Gênero: Distribuição equilibrada entre homens e mulheres.
  • Tempo de Atraso: Média de 28,2 meses; 33% dos consumidores estão negativados entre 1 e 3 anos.

Análise das autoridades regionais

Para Alexandre Damásio, presidente da CDL São Caetano do Sul, o cenário reflete o descompasso entre a renda e o custo de vida.

“Os dados mostram uma pressão crescente sobre o orçamento das famílias. Mesmo com a geração de empregos, muitos deles ainda têm rendimentos mais baixos, o que, combinado ao custo do crédito, acaba contribuindo para o aumento da inadimplência. É um quadro que exige acompanhamento e ações que fortaleçam a capacidade de consumo”, afirma Damásio.

O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Aroaldo Silva, reforça que a alta taxa de juros é o principal catalisador do endividamento prolongado. Segundo Silva, os números refletem uma pressão sobre o orçamento que afeta a dinâmica econômica regional como um todo, dificultando a retomada do consumo e elevando os índices de inadimplência.

  • Publicado: 26/05/2026 20:27
  • Alterado: 26/05/2026 20:27
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Agência GABC