ICE está usando futebol como ‘isca’ para imigrantes, diz relatório
Relatório aponta que 17 pessoas ligadas ao esporte foram presas e ativistas recomendam que torcedores evitem viajar ao país.
- Publicado: 13/06/2026 12:05
- Alterado: 13/06/2026 12:05
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Human Rights Soccer Alliance
As ações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) miram torneios de futebol para rastrear e prender imigrantes indocumentados. A organização Human Rights Soccer Alliance divulgou um relatório mostrando que a alta concentração de comunidades latino-americanas transformou os complexos esportivos em alvos prioritários de fiscalização estatal.
O levantamento detalha que 17 pessoas ligadas ao esporte, incluindo atletas, treinadores e familiares, sofreram prisões desde o início de 2025. O avanço das operações coincide com as novas diretrizes de segurança interna e deportação em massa do governo do presidente Donald Trump.
Impacto das ações do ICE nas cidades-sede
As cidades escolhidas para receber partidas da Copa do Mundo enfrentam uma pressão fiscalizatória intensificada. Dados oficiais reunidos pela entidade apontam que o órgão de imigração deteve 92.392 pessoas nesses municípios entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025, registrando índices acima da média nacional.
O temor das entidades de direitos humanos é que as ações do ICE avancem sobre os arredores dos estádios durante o torneio mundial. Diante do risco de prisões em massa, os ativistas pressionam a FIFA para instituir uma proibição formal à atuação dos agentes federais nos perímetros oficiais da competição.
Entre os casos documentados está a deportação do jovem hondurenho Emerson Colindres, detido em Ohio no dia da sua formatura escolar. O relatório cita ainda a prisão de dois atletas que treinavam no Pier 40, em Nova York, e a captura de um homem na entrada do estádio MetLife durante o Mundial de Clubes.
Ativistas pedem boicote de torcedores estrangeiros
Entidades de defesa dos direitos dos imigrantes organizaram protestos diante da sede da federação internacional de futebol, em Miami. O objetivo é alertar a comunidade internacional sobre o alcance que as ações do ICE ganharam em parques públicos, escolas e centros comunitários que historicamente servem de refúgio cultural.
“Avisamos que haveria detenções arbitrárias, a possibilidade de pessoas terem a entrada negada nos EUA, discriminação racial e muito mais. Tudo isso está acontecendo, já aconteceu e continuará acontecendo”, declarou Yarelíz Méndez Zamora, membro do Comitê de Serviço dos Amigos Americanos.
Restrições recentes na fronteira impediram inclusive a entrada de profissionais credenciados, como o árbitro somaliano Omar Artan. Diante do cenário hostil, o cineasta e ativista Billy Corben aconselhou que torcedores e profissionais sem cidadania americana evitem viajar para o país, mesmo portando vistos válidos, para escapar das ações do ICE.