Estudo do IBGE revela avanços e desafios nas ruas brasileiras

80% da população ainda enfrenta problemas com buracos e acessibilidade

Crédito: Rovena Rosa - Agencia Brasil

O panorama das ruas brasileiras entre 2010 e 2022 apresentou significativos avanços, mas desafios persistem. Apesar da melhoria na pavimentação, cerca de 80% da população ainda enfrenta problemas com buracos e desníveis em vias próximas às suas residências.

Os dados foram extraídos do Censo 2022 e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17), no estudo intitulado “Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”. A pesquisa abrangeu diversos aspectos das vias urbanas, incluindo pavimentação, calçadas, iluminação pública, pontos de ônibus, acessibilidade para cadeirantes, arborização e sinalização para ciclistas.

Segundo o IBGE, a quantidade de brasileiros vivendo em locais sem calçadas foi reduzida pela metade no período analisado. Em 2010, 32,7% da população estava nessa situação; esse número caiu para 15,7% em 2022, representando aproximadamente 27,3 milhões de pessoas.

Dentre as unidades federativas, o Distrito Federal e Goiás se destacam como as regiões com maior proporção de moradores em ruas com calçadas, atingindo 92,9% e 92,6%, respectivamente. Em contraste, o Amapá apresenta apenas 57,1% da população nessa condição.

Embora 84% dos brasileiros morem em áreas com calçadas, apenas 18,8% desfrutam de calçadas livres de obstáculos que dificultam a circulação. O IBGE ressalta que a manutenção adequada das calçadas é crucial não apenas para a mobilidade dos pedestres, mas também para a valorização do espaço urbano. Segundo a instituição, “calçadas bem cuidadas podem ser utilizadas para paisagismo, áreas de descanso e arte urbana, contribuindo para tornar a cidade mais atraente e sustentável”.

No que diz respeito à pavimentação, o estudo revelou que 154,1 milhões de brasileiros residem em vias pavimentadas, correspondendo a 88,5% do total populacional. Essa estatística indica que a grande maioria da população está em endereços com algum tipo de pavimento.

O IBGE considerou diversas formas de pavimentação como asfalto e paralelepípedos. Para que uma via fosse classificada como pavimentada no censo atual, era necessário que mais da metade de sua extensão apresentasse esse tipo de cobertura. Essa definição não era aplicada no censo anterior.

A pesquisa também destaca a importância da pavimentação para o desenvolvimento urbano e qualidade de vida dos cidadãos. Estradas pavimentadas proporcionam segurança no trânsito e facilitam o transporte de mercadorias enquanto minimizam problemas como poeira e lama.

Além disso, foi analisada a capacidade das vias para suportar tráfego pesado. O levantamento indicou que 90,8% dos cidadãos residem em ruas aptas para veículos de carga e transporte coletivo.

Em relação à iluminação pública, os dados revelaram que 97,5% dos lares estão localizados em áreas iluminadas. Contudo, o Amapá foi o único estado com um índice inferior a 90%, marcando 88,5%. Vale ressaltar que essa avaliação se baseou apenas na presença de postes e não garantiu seu funcionamento adequado durante a noite.

Quanto ao acesso ao transporte público, somente 8,8% da população vive em áreas onde há paradas de ônibus ou vans. O analista do IBGE Maikon Roberth de Novaes considera esse número alarmantemente baixo. Ele observa que isso representa cerca de 15 milhões de pessoas sem acesso imediato ao transporte coletivo.

No entanto, ele explica que a recomendação é que todos os domicílios estejam situados a uma distância máxima entre 300 e 500 metros de um ponto de ônibus; assim sendo, mesmo com um percentual baixo ainda é possível considerar alguns aspectos positivos.

Conforme cresce o porte das cidades analisadas, aumenta também o percentual de moradores próximos ao transporte coletivo: nas metrópoles esse índice é de 12,3%, nas capitais chega a 10,7%, enquanto nos centros menores é apenas 2,3%.

A metodologia utilizada pelo IBGE envolveu cerca de 30 mil agentes censitários que registraram informações sobre os trechos das ruas onde os cidadãos habitam. Este trabalho abrangeu aproximadamente 11,4 milhões de faces de quadra correspondentes a cerca de 63 milhões de domicílios — representando assim uma amostra robusta da realidade urbana brasileira.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 17/04/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade