IA em cardápios gera debate e eleva desconfiança do público

Uso crescente de fotos artificiais no iFood e 99Food levanta alertas sobre publicidade enganosa.

Crédito: Reprodução

A adoção de imagens hiper-realistas geradas por inteligência artificial está crescendo em plataformas de delivery como iFood e 99Food. O uso de IA em cardápios digitais, embora prometa pratos impecáveis para atrair clientes, acende um alerta sobre a transparência e a veracidade do que é realmente entregue ao consumidor.

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A frustração do consumidor com fotos artificiais

A desconfiança já se espalha pelas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter). Usuários relatam experiências negativas, apontando a repetição de fotos idênticas em diferentes restaurantes e a apresentação de pratos visivelmente artificiais, que sequer parecem existir.

Guilherme Thomaz, gerente de projetos de 24 anos, é um dos consumidores que rejeita a prática. “Evito fazer pedidos em locais que apresentam fotos criadas por IA. Acredito que isso não representa fielmente o produto”, afirmou. Ele destaca que a confiança é quebrada ao notar as mesmas imagens de IA em cardápios distintos.

Essa similaridade visual é explicada pelo especialista Finamor. Segundo ele, as ferramentas buscam eficiência. “As tecnologias tendem a buscar soluções rápidas e eficientes, o que muitas vezes resulta em imagens semelhantes entre diferentes restaurantes. Se uma imagem já foi criada, é provável que outras reproduzam padrões similares“, detalhou.

O barato que pode sair caro para o restaurante

A imagem é decisiva na hora da compra no delivery. Contudo, quando a promessa visual da IA em cardápios não condiz com a realidade, a frustração é inevitável. Um professor que avaliou o cenário alerta para o risco estratégico, mesmo que a tecnologia tenha baixo custo. “O custo acessível para os proprietários de restaurantes pode acabar se tornando um erro estratégico, visto que perder reputação devido a imagens enganosas é arriscado, especialmente para estabelecimentos menores“, argumentou.

IA em cardápios gera debate e eleva desconfiança do público
Marcello Casal Jr – Agência Brasil

O que diz a lei sobre o uso de IA em cardápios?

Embora ainda não exista uma regulamentação específica para o uso de IA em cardápios, especialistas garantem que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) já cobre a situação. João Eberhardt Francisco, professor de Direito da Universidade Mackenzie, reforça o dever da informação: “Os produtos devem ser apresentados de forma clara e precisa para garantir a compreensão do consumidor, independentemente da sua capacidade cognitiva“.

O CDC é claro: o artigo 31 exige informações precisas sobre características do produto, enquanto o artigo 37 proíbe expressamente a publicidade enganosa ou abusiva — aquela que induz o consumidor ao erro.

Eberhardt adverte que o excesso de hiper-realismo pode configurar propaganda enganosa. “Quando uma imagem gerada por IA não corresponde ao produto real oferecido, isso caracteriza uma enganação“, afirmou. Nesses casos, o consumidor tem direito à reparação financeira ou à entrega do produto exatamente como prometido.

O especialista pondera que o problema não é a tecnologia. “A IA pode ser utilizada desde que represente fielmente o produto oferecido“. A solução para o uso inadequado da IA em cardápios pode envolver novas diretrizes dos próprios aplicativos de entrega.

Órgãos como Procon e Ministério Público podem investigar casos que gerem prejuízos coletivos. No entanto, a fiscalização da IA em cardápios ainda é um desafio, exigindo bom senso tanto dos estabelecimentos quanto atenção redobrada dos consumidores.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 02/11/2025
  • Fonte: Fever