Hospital Municipal de Mogi das Cruzes firma parceria para captação de córneas para transplantes

Acordo assinado com o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) consolida avanço da unidade no processo de doação de órgãos

Hospital Municipal de Mogi das Cruzes firma parceria para captação de córneas para transplantes

Crédito: Divulgação

O Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (HMMC), gerenciado a partir de parceria entre a Prefeitura e a Fundação do ABC, acaba de firmar acordo de cooperação técnica para iniciar o processo de captação de córneas na unidade. O contrato assinado neste mês com o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) ratifica o esforço da unidade em se aperfeiçoar no processo de captação de órgãos, que teve início em 2023. Em novembro, o HMMC realizou sua primeira captação para transplante. 

O HMMC integra o programa estadual de transplantes desde 2015 e, através de sua Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), tem buscado estratégias humanizadas para o acolhimento e sensibilização das famílias sobre o ato de doar órgãos e sua importância. 

O novo acordo firmado com o BOS regimenta uma série de atribuições para as partes envolvidas, em geral relacionadas à disponibilização de profissionais habilitados; notificação dos óbitos por morte encefálica; preparação de ambiente adequado para entrevista familiar; garantia de confidencialidade das informações sobre o doador; fornecimento de materiais, medicamentos e equipamentos; preservação, triagem e disponibilização do tecido ocular para a Central Estadual de Transplantes, entre outras obrigações contratuais. O vínculo não tem custo e possui caráter colaborativo em favor da conscientização sobre a importância de doar órgãos e em benefício aos pacientes que aguardam nas filas de transplante. 

“A doação de órgãos e tecidos é um gesto nobre e que salva vidas. Estamos otimistas e muito satisfeitos com essa nova parceria. Esperamos avançar cada vez mais neste objetivo para beneficiarmos mais pacientes com novos recomeços de vida”, disse a diretora-geral do HMMC, Amanda Correa da Cruz. 

Para que a captação ocorra, de fato, há um complexo processo que envolve etapas fundamentais para a realização do procedimento, considerando diversas variáveis, entre elas as contraindicações clínicas. 

Conforme critérios definidos para a captação, ressalta-se que órgãos como coração, pulmões, fígado, pâncreas e rins devem ser removidos antes da parada cardíaca, ou seja, mediante casos que evoluem para morte encefálica. Considerando o perfil de óbitos ocorridos no HMMC, a unidade não atende aos critérios para este tipo de captação. 

Contudo, todo paciente que evolui a óbito com idade entre 2 e 80 anos, em até seis horas após a parada cardiorrespiratória, ou 24 horas — se todo o corpo estiver em câmara refrigerada — configura um potencial doador de tecidos oculares para transplante, não sendo necessário que o paciente esteja em morte encefálica. 

PRIMEIRA DOAÇÃO

A primeira captação do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes ocorreu a partir da morte encefálica de uma mulher de 57 anos, em novembro do ano passado. Seu legado permaneceu através da doação de duas córneas e de um rim. A iniciativa, realizada em parceria com a Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, marcou um avanço significativo na área da saúde da região. 

O HMMC realiza trabalho contínuo de sensibilização de suas equipes, coordenado pela Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT). O protocolo envolve a abordagem da família pelo médico após a confirmação de morte encefálica, seguida pela atuação da OPO em conjunto com um membro da CIHDOTT.

Daniela Penatti

  • Publicado: 21/02/2024 13:44
  • Alterado: 21/02/2024 13:44
  • Autor: Redação
  • Fonte: FUABC