Hospital da Mulher celebra Dia Mundial da Prematuridade
Festa no Hospital do Grande ABC celebra a coragem dos pequenos guerreiros; conheça os desafios da prematuridade e como a humanização no cuidado transforma vidas
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 18/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Hospital da Mulher ‘Maria José dos Santos Stein’, em Santo André, transformou a dor e a incerteza em uma festa de celebração, promovendo a tradicional Festa dos Prematuros em alusão ao Dia Mundial da Prematuridade. O evento, realizado no auditório da unidade, reuniu cerca de 50 pessoas, incluindo profissionais de saúde, mães, pais e familiares que enfrentaram ou ainda vivem a jornada desafiadora da prematuridade e da internação na Unidade de Neonatologia.
A celebração marca um momento crucial de conscientização. A prematuridade, definida como o nascimento que ocorre antes das 37 semanas de gestação, é um desafio de saúde pública global. No Hospital da Mulher de Santo André, a taxa de bebês prematuros atinge 12% dos nascimentos, e esses pacientes representam impressionantes 70% das internações na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neonatal).
A enfermeira supervisora do setor, Carol Giampaoli, abriu o encontro, prestando uma emocionante homenagem a todos os envolvidos. “Nós estamos aqui hoje, unidas, para celebrar a coragem. A coragem dos pequenos grandes guerreiros que chegaram ao mundo antes do tempo. E também a coragem de cada família, de cada profissional e de todos que caminharam lado a lado com esses bebês”, declarou.
O impacto global da prematuridade: Dados preocupantes

Durante a comemoração, realizada em 17 de novembro, a coordenadora médica da UTI Neonatal, Dra. Claudia Giolo, trouxe dados que reforçam a urgência do tema. A médica informou que mais de 13 milhões de prematuros nascem a cada ano no mundo, sendo a condição a maior causa de mortalidade infantil, tanto em países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos.
Em uma explicação didática sobre a complexidade da condição, a Dra. Claudia descreveu a prematuridade como uma síndrome que afeta todos os sistemas do corpo do bebê.
“Tudo é imaturo, desde a ponta do cabelo. Eles nascem sem cabelo, sem abertura ocular. Eles nascem sem sugar. O pulmão é imaturo, o fígado é imaturo, o coração é imaturo. Então, é uma síndrome clínica de imaturidade da cabeça aos pés“, esclareceu.
O diagnóstico de prematuridade exige cuidados intensivos e um acompanhamento multidisciplinar para garantir o desenvolvimento e a sobrevivência desses recém-nascidos extremamente frágeis.
Histórias reais de luta e superação contra a prematuridade

A parte mais emocionante da programação foi a rodada de testemunhos de pais que compartilharam suas jornadas na UTI Neonatal. As histórias de superação trouxeram esperança e um senso de comunidade para as mães que hoje acompanham seus bebês internados.
Os Gêmeos Derick e Bryan: O Desafio da Hipertensão Severa
Cybele Bonimani, mãe dos gêmeos Derick e Bryan, relatou que seus filhos nasceram com apenas 30 semanas de gestação, pesando 800 gramas e 1,2 quilo, respectivamente. A causa da prematuridade foi uma hipertensão severa que ela desenvolveu durante a gravidez.
Hoje, aos 8 anos, os meninos são prova da eficácia do tratamento e do carinho recebido. “Sou grata a Deus e a toda essa equipe maravilhosa do Hospital da Mulher. Não só salvaram a vida dos meus filhos, mas a minha também”, afirmou Cybele.
Eloá: Um Milagre de 25 Semanas
Nathalia Leite e Daniel Leite, pais de Eloá, compartilharam uma das histórias mais emblemáticas de prematuridade extrema atendidas pela unidade. Eloá nasceu com somente 25 semanas e 802 gramas.
A mãe, Nathalia, descreveu a filha como um verdadeiro milagre. “Eu não só seguro uma filha no colo, eu seguro um milagre, uma experiência, um amadurecimento. O que eu falo para as mamães nesse processo é que tenham fé que vai dar certo”, declarou, emocionando a todos.
Antonella: A Surpresa da Pré-eclâmpsia
Ana Jaqueline Francilino da Silva e Jailton Alves de Souza, pais de Antonella, também foram surpreendidos por um parto prematuro. Ana trabalhava normalmente quando sentiu dores e, ao ser hospitalizada, foi diagnosticada com pressão arterial muito elevada, quadro de pré-eclâmpsia.
“Já estava com pré-eclâmpsia. Então, fui internada e, pela manhã, tiveram que fazer parto cesárea para poder salvar nós duas”, contou. Apesar do medo inicial, a pequena Antonella, que nasceu com 28 semanas e 840 gramas, hoje é uma bebê cheia de energia, graças ao rápido e eficiente cuidado da equipe.
O fator humano e o acolhimento na UTI

Além dos dados e das histórias de superação, o evento destacou a importância da humanização do cuidado no tratamento de bebês prematuros. Marli Alimari, técnica de enfermagem da UTI Neonatal há sete anos, confessou que o setor a “escolheu“, e que acompanhar a recuperação de crianças como Antonella e Eloá é um “presente de Deus“.
O cuidado estende-se às famílias por meio de parcerias vitais. Membros da Associação de Voluntários da Saúde de Santo André (AVSSA), que atua há 26 anos na Rede de Saúde, estiveram presentes. Claudia Vicente, diretora de Gestão de Pessoas da ONG, mencionou o Projeto Aconchego, que semanalmente oferece oficinas de artesanato e acolhimento. “É muito gratificante porque, a cada sexta-feira, ensino um artesanato diferente para as mamães. É um momento para a gente estar juntas, compartilhar e se abraçar”, definiu a voluntária Andreia Martins.
O cuidado carinhoso foi reforçado pela musicoterapeuta Camila Turco, que adaptou a canção “Over the Rainbow” para a realidade da prematuridade, com versos como: “Meu coração é pequeno / mas não a vontade de amar / Sou uma semente a crescer / preciso de voz para lutar”. O evento foi concluído com a entrega de certificados personalizados para as mães, contendo o nome e a estampa dos pés dos pequenos, simbolizando a marca única de cada guerreiro.
Maria Solidade Rodrigues Nantes, gerente de enfermagem do Hospital da Mulher, resumiu o espírito da celebração: “A iniciativa reforça o compromisso do Hospital da Mulher com o cuidado humanizado e a valorização das histórias de superação que acontecem diariamente em suas dependências. Agradeço a Deus por fazer parte de um legado tão importante na vida de tantas pessoas”.