História e a polêmica da uva passa na ceia de Natal
Amada ou odiada, a uva passa é herança de tradições romanas e oferece benefícios nutricionais quando consumida na medida certa
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A chegada de dezembro traz consigo uma das maiores controvérsias gastronômicas do Brasil: a presença da uva passa nas receitas festivas. O que para muitos é motivo de memes e debates acalorados nas redes sociais, para a história da civilização é um ingrediente que atravessou milênios. De símbolo de nobreza a item obrigatório (e divisório) no arroz de Natal, a uva passa carrega uma trajetória que remonta a mais de quatro mil anos de cultura e religiosidade.
As origens de 4 mil anos da uva passa no Oriente Médio
A tradição de desidratar frutos começou no Oriente Médio. Em uma era onde o açúcar era um luxo inacessível, a uva passa servia como um adoçante natural potente. Segundo a professora Izabela Montezano, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), foi nesta região que a fruta começou a ser incorporada a pratos quentes, incluindo o arroz — uma combinação que, séculos mais tarde, desembarcaria no Brasil.
Na Roma Antiga, a prática se consolidou por questões de sustentabilidade e celebração. Os frutos que caíam das parreiras no Mediterrâneo eram secos ao sol para evitar o desperdício. Esse ingrediente tornou-se protagonista no Dies Natalis Solis Invicti, celebrado em 25 de dezembro em homenagem ao deus Mitra. Com a ascensão do Cristianismo, a Igreja Católica ressignificou a data para o nascimento de Jesus, mas manteve a uva passa como um símbolo de festividade e abundância.
A chegada ao Brasil e a herança portuguesa
A polêmica combinação de doce e salgado que divide as ceias brasileiras tem raízes diretas na colonização. Os portugueses, influenciados pela culinária árabe que dominou a Península Ibérica entre os séculos VIII e XV, trouxeram o hábito de misturar grãos com frutas secas.
Ao chegar ao solo brasileiro, a uva passa foi inserida no arroz para simbolizar riqueza e sofisticação. De acordo com especialistas, a aversão moderna ao ingrediente ocorre pelo choque de expectativas sensoriais. No entanto, do ponto de vista histórico, servir um prato com passas era um gesto de hospitalidade e nobreza oferecido aos convidados de honra.
Benefícios nutricionais: muito além do sabor
Apesar das piadas, a uva passa é um “superalimento” em termos de densidade de nutrientes. Por ser a versão desidratada da uva fresca, ela concentra vitaminas, fibras e compostos antioxidantes poderosos.
- Energia Rápida: Rica em frutose e glicose, é excelente para um aporte energético imediato.
- Saúde Digestiva: O alto teor de fibras auxilia no trânsito intestinal e promove saciedade.
- Proteção Cardiovascular: Contém polifenóis e flavonoides que combatem o estresse oxidativo e protegem o coração.
- Substituto do Açúcar: Sua doçura natural permite reduzir o uso de açúcares refinados em bolos e pães.
Qual a porção ideal de uva passa por dia?
Por ser um alimento com alta densidade energética, a moderação é a chave. A doutora Luciana Bittencourt, especialista em Ciências dos Alimentos, recomenda que a porção ideal seja de 30 gramas diários (cerca de duas colheres de sopa). Para quem deseja apenas dar um toque especial às receitas sem exagerar nas calorias, a recomendação é utilizar entre 10 e 20 gramas em saladas frias, farofas ou aves assadas.
Seja você um defensor fervoroso ou um crítico ferrenho, é inegável que a uva passa é mais do que um ingrediente: é um elo vivo com as tradições mais antigas da humanidade que, ano após ano, garante seu lugar de destaque — e de debate — na mesa dos brasileiros.