Haddad critica Governador de SP por relação com bolsonarismo
Diante das articulações de Tarcísio pela aprovação do PL da Anistia, Haddad diz que não se pode separá-lo do bolsonarismo
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou nesta quarta-feira (3/9) sua desaprovação em relação à imagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é frequentemente apresentado como uma figura centrista. Segundo Haddad, essa percepção se desfez, uma vez que não se pode dissociar Tarcísio do bolsonarismo, considerando seu papel como ministro durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua eleição para o cargo de governador, que foi apoiada pela agenda bolsonarista.
“A fantasia se rasgou. Há uma tentativa de apresentar Tarcísio como alguém que não tem ligações com o bolsonarismo. Eu esperava ansiosamente que essa narrativa fosse desmentida. Quando o presidente Lula afirmou que Tarcísio não existe sem Bolsonaro, isso não foi uma ofensa, mas sim uma constatação”, declarou Haddad em entrevista à RedeTV!
A crítica do ministro se refere à atuação de Tarcísio nas negociações para a aprovação do Projeto de Lei da Anistia, que propõe a isenção de penas para aqueles envolvidos nos eventos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro. Este projeto poderia, conforme a redação final, incluir Jair Bolsonaro, que enfrenta acusações no Supremo Tribunal Federal (STF) por sua suposta tentativa de golpe.
Haddad demonstrou preocupação com o futuro da democracia no Brasil diante das articulações em curso. “É alarmante ver figuras proeminentes no Brasil que desconsideram a importância da democracia. O governador de São Paulo expressa desconfiança nas instituições e na Justiça e sugere a anistia para quem tentou um golpe de Estado. Além disso, a mobilização de partidos ultraconservadores no Congresso gera apreensão”, afirmou.
O ministro também ressaltou que, apesar da tentativa de golpe ter sido amplamente documentada por meio de delações e confissões, há um segmento da população que ainda considera essas ações como legítimas.
Em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, Haddad admitiu não estar acompanhando os detalhes devido à falta de tempo. No entanto, ele lembrou que Luiz Inácio Lula da Silva nunca buscou anistia durante sua condenação e prisão; pelo contrário, sempre clamou por um julgamento justo.
“Na minha campanha em 2018, em função do impedimento do presidente Lula, deixei claro que não consideraria qualquer forma de favor ou anistia para ele. Lula me pediu para enfatizar que ele esperava apenas o reconhecimento de que houve conluio entre o Ministério Público do Paraná e o ex-juiz Sérgio Moro contra sua pessoa”, concluiu Haddad.