Haddad cobra empresários sobre oposição que prejudica relação com EUA
Comércio afetado por sobretaxa dos EUA leva Haddad a cobrar ação do empresariado contra opositores
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 06/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Na quarta-feira (6), o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou a necessidade de uma postura mais proativa dos empresários em relação à oposição política, que, segundo ele, está comprometendo as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Essa declaração surgiu no contexto da implementação de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, determinada pelo governo do presidente Donald Trump.
Haddad afirmou: “O empresariado deve se mobilizar contra a oposição. Esta está prejudicando o país. Não sou eu quem afirma isso; são eles próprios que se manifestam. […] Recentemente, um líder da oposição de extrema direita declarou em uma entrevista que fará o possível para continuar atrapalhando o Brasil”.
O ministro se referia especificamente a uma entrevista concedida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao jornal O Globo, onde o parlamentar afirmou que sua trajetória política se resume a uma escolha entre “100% de vitória ou 100% de derrota”. Ele declarou que pretende voltar à atividade política no Brasil ou enfrentar um longo exílio.
Eduardo Bolsonaro e sua família estão nos Estados Unidos desde o início do ano e têm buscado apoio junto ao governo Trump para impor sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O decreto assinado por Trump não apenas estabeleceu tarifas sobre produtos brasileiros, mas também introduziu um elemento político nas negociações bilaterais, mencionando explicitamente Jair Bolsonaro (PL) e aludindo a uma suposta perseguição judicial enfrentada pelo ex-presidente no Brasil, onde ele é réu em um processo relacionado a tentativas de golpe ocorridas em 2022.
No dia 30 do mês passado, o governo Trump impôs ainda sanções financeiras a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.
Na segunda-feira (4), Moraes determinou prisão domiciliar para Jair Bolsonaro, justificando a decisão pela violação de uma ordem anterior que proibia o ex-presidente de aparecer em vídeos durante manifestações. A proibição incluía o uso indireto de redes sociais.
A decisão do STF intensificou as tensões dentro do Congresso Nacional. Na terça-feira (5), deputados e senadores da oposição, principalmente do PL, realizaram ocupações nas mesas dos plenários da Câmara e do Senado como forma de obstruir as sessões legislativas na volta dos trabalhos após o recesso.
No âmbito legislativo, os presidentes das casas, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiram às pressões bolsonaristas por medidas mais rigorosas contra o STF. Alcolumbre descreveu como arbitrária a ocupação das mesas diretoras, enquanto Motta assegurou que tomaria providências para que os interesses da população permanecessem em primeiro plano. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a postura do presidente da Câmara, acusando-o de tratar a situação de maneira “humilhante“.