Haddad alerta sobre interferência dos EUA em assuntos do Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que a intenção dos EUA é impedir que o Brasil tenha parcerias com o resto do mundo

Crédito: Agência Brasil

Na última quinta-feira (4 de setembro), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou suas preocupações em relação à interferência do governo dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil. Durante uma entrevista à RedeTV!, ele afirmou que há um aparente desejo por parte dos EUA de influenciar questões políticas brasileiras, com objetivos específicos em mente.

Haddad observou que a situação envolve um projeto hegemônico que visa restringir as parcerias do Brasil com outras nações, dificultando transferências de tecnologia e o posicionamento do país no cenário global. “O que está em jogo é garantir que o Brasil tenha um espaço de atuação no mundo, sem limitações impostas por interesses externos”, ressaltou.

Em relação às tarifas de 50% estabelecidas pelo ex-presidente americano Donald Trump, o ministro enfatizou a importância dos próximos meses para o futuro econômico do Brasil. Ele alertou que o desfecho dependerá da forma como o país reagirá às intervenções externas na política interna, que considera inaceitáveis. “Forçar um resultado nas eleições de 2026 para facilitar a privatização das riquezas nacionais é uma atitude desarrazoada”, comentou Haddad.

No tocante ao combate ao crime organizado, Haddad voltou a defender a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da segurança pública, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais integrada entre os órgãos responsáveis pela segurança. Ele criticou a falta de colaboração entre as instituições, destacando que muitas vezes os órgãos se esquivam das responsabilidades. “Quando ocorre um erro, cada um tenta passar a responsabilidade para o outro; já quando há sucesso, todos querem ser reconhecidos”, afirmou.

O ministro mencionou a operação Carbono Oculto como um exemplo de sucesso resultante da integração entre a Receita Federal, Polícia Federal e as forças estaduais. Essa operação revelou esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e envolveu investigações direcionadas a fintechs e postos de combustíveis. “Os órgãos perceberam que todas essas ações estavam interligadas e decidiram adiar a operação em 14 dias para garantir uma coordenação adequada e que os mandatos judiciais fossem expedidos simultaneamente”, detalhou.

De acordo com Haddad, a chave para um combate eficaz ao crime reside na troca de informações e na colaboração entre as diferentes agências governamentais.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 04/09/2025
  • Fonte: Motisuki PR