Greve de ônibus em SP paralisa transporte por falta do 13º

Motoristas recolhem frota após empresas pedirem adiamento do benefício e sindicato marca assembleia

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

O sistema de transporte público da capital paulista enfrenta um cenário crítico nesta terça-feira (9). Motoristas e cobradores iniciaram uma movimentação que antecipa uma greve dos ônibus, recolhendo veículos para as garagens durante o período da tarde. A decisão foi motivada pelo comunicado das empresas do setor, que solicitaram o adiamento do pagamento da primeira parcela do 13º salário.

Originalmente, o depósito do benefício estava agendado para a próxima sexta-feira (12). No entanto, as concessionárias enviaram uma notificação ao sindicato da categoria na manhã de hoje pedindo um prazo maior. A reação foi imediata, gerando o temor de uma greve dos ônibus generalizada pela cidade.

Reação sindical e assembleias

Segundo Valdemir dos Santos Soares, presidente do sindicato da categoria, a proposta patronal gerou grande insatisfação entre os trabalhadores. A resposta imediata foi o recolhimento da frota. Para definir os rumos do movimento, a entidade convocou assembleias para a madrugada desta quarta-feira (10), onde a greve dos ônibus será debatida oficialmente.

Atualmente, o foco inicial da paralisação concentra-se na garagem da viação Sambaíba, no Tremembé (Zona Norte). A região já sente a escassez de veículos, com passageiros na estação Tucuruvi relatando dificuldades de deslocamento.

Impacto na mobilidade urbana

Os efeitos desta greve dos ônibus repentina já são sentidos em diversas zonas de São Paulo. Além da Zona Norte, terminais como Grajaú e Campo Limpo, na Zona Sul, registram falta de coletivos. Outras operadoras importantes, como Campo Belo, KBPX e Mobibrasil, também tiveram frotas recolhidas.

A situação gerou transtornos graves para a população:

  • Passageiros foram obrigados a desembarcar durante o trajeto;
  • Líderes sindicais estariam orientando, via WhatsApp, a interrupção das viagens;
  • Aplicativos de transporte apresentam preços exorbitantes devido à alta demanda.

Para mitigar o caos, o Metrô de São Paulo montou uma operação de emergência para o pico noturno, monitorando a demanda para inserir trens extras, mesmo vazios, nas estações mais críticas.

Posicionamento da Prefeitura e revisão contratual

A Prefeitura de São Paulo reagiu energicamente à paralisação. A administração municipal informou que os repasses às empresas estão regulares e que o pagamento do 13º salário é de responsabilidade exclusiva das concessionárias.

A pedido do prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi registrado um boletim de ocorrência contra as empresas por paralisação sem aviso prévio. A gestão municipal classificou o ato como infração à legislação e manifestou solidariedade aos usuários afetados pela greve dos ônibus.

O impasse financeiro alegado pelas empresas está atrelado à revisão quadrienal dos contratos, que será analisada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) nesta quarta-feira (10). O sindicato patronal afirma manter diálogo com a Secretaria Municipal para buscar o reequilíbrio econômico-financeiro do sistema. Recentemente, Nunes afirmou ser prematuro discutir aumento de tarifas para janeiro.

Falhas no sistema sobre trilhos

Para agravar o cenário de mobilidade durante a greve dos ônibus, o sistema ferroviário também apresentou falhas. A Linha 11-Coral da CPTM enfrentou problemas de sinalização entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Luz a partir das 14h55.

Equipes de manutenção atuaram no local, o que obrigou alguns trens a encerrarem a viagem na estação Luz. O serviço Expresso Aeroporto também opera com restrições de embarque e desembarque na Luz desde as 16h.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 09/12/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping