Grande ABC articula resposta regional contra tarifaço

Comitê inédito de Monitoramento dos Efeitos do tarifaço Grande ABC é criado para defender a indústria e o emprego na região

Crédito: Adonis Guerra

O Grande ABC deu um passo firme e estratégico na defesa de sua economia e empregos ao formalizar uma força-tarefa contra o impacto do tarifaço Grande ABC imposto pelo governo dos Estados Unidos. Em um movimento de articulação regional que busca ser referência nacional, a Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC realizou, na última quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, a primeira reunião do Comitê Regional de Monitoramento dos Efeitos do Tarifaço.

O Comitê é um espaço multisetorial inédito, concebido para reunir e coordenar as ações de associações empresariais, prefeituras das sete cidades, sindicatos de trabalhadores e instituições acadêmicas. Sua missão primordial é proteger o parque produtivo regional diante de um cenário de instabilidade internacional, que já gera perdas milionárias para a balança comercial da região.

Impacto do tarifaço Grande ABC: Metalúrgica é o setor mais atingido

Adonis Guerra

A urgência em organizar essa resposta coordenada foi embasada por um panorama econômico alarmante apresentado durante o encontro. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), por meio da subseção no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), detalhou o estrago provocado pela política tarifária americana.

O estudo não deixa dúvidas: as exportações do Grande ABC para os Estados Unidos registraram um recuo significativo após a imposição da tarifa de 50% pelo governo do presidente Donald Trump. As perdas financeiras são expressivas e se concentram, de forma dramática, em setores industriais estratégicos para a região.

78% das exportações regionais são provenientes da indústria metalúrgica, e este é justamente o setor que concentra a maior fatia do impacto negativo gerado pelo tarifaço Grande ABC.

Os dados do DIEESE confirmam o cenário adverso, servindo como base para que o Comitê possa, de forma qualificada e técnica, produzir análises aprofundadas sobre a situação das exportações e organizar medidas conjuntas de adaptação e defesa da competitividade produtiva regional.

Diálogo amplo e busca por respostas estruturadas

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A primeira reunião do Comitê de Monitoramento demonstrou a amplitude da articulação, reunindo uma série de lideranças do campo empresarial e sindical. Estiveram presentes representantes de peso como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (ABIPEÇAS), além de empresas como Prometeon, B. GROB e Continental Parafusos, e entidades regionais como o CIESP São Bernardo, o CIESP Diadema e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O presidente da Agência de Desenvolvimento e secretário-executivo do Consórcio ABC, Aroaldo Silva, enfatizou o papel da região neste momento de crise. Ele destacou que o encontro é um marco que consolida o Grande ABC como referência nacional na busca por respostas estruturadas para a instabilidade internacional.

“O tarifaço não é apenas um desafio conjuntural, é um alerta sobre a necessidade de reposicionarmos o Grande ABC no cenário internacional”, afirmou Silva. Ele ressaltou que a estratégia regional passa por “dados, planejamento e articulação entre todos os atores” para proteger empregos, apoiar as empresas e, crucialmente, abrir novas rotas de inserção global.

Diversificação e ‘Brasil Soberano’: Estratégias contra o tarifaço

José Cruz/Agência Brasil

Os participantes do Comitê concordaram que a resposta ao tarifaço Grande ABC exige não apenas a mitigação dos danos imediatos, mas uma reengenharia da estratégia de comércio exterior da região. Um dos pontos centrais debatidos foi a necessidade urgente de redirecionamento de mercados, visando ampliar a inserção internacional das empresas locais para reduzir a dependência do mercado americano.

Paralelamente, houve forte defesa de uma atuação mais incisiva do governo federal, com o apoio a iniciativas como o programa Brasil Soberano. O programa é visto como um caminho essencial para fornecer o suporte e as ferramentas necessárias para as indústrias superarem o obstáculo do tarifaço e buscarem competitividade em outros blocos econômicos. A diversificação produtiva, com o fortalecimento de diferentes cadeias, foi unanimemente apontada como a principal resposta estratégica de longo prazo para blindar o Grande ABC contra futuras instabilidades internacionais e garantir um crescimento sustentável. O Comitê, ao nascer, sinaliza que a região está mobilizada e determinada a transformar o desafio em oportunidade.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 05/12/2025
  • Fonte: Motisuki PR