Governo Lula prepara mudanças na regra de proteção do Bolsa Família

Prazo de pagamento parcial pode ser reduzido para até 12 meses

Governo Lula prepara mudanças na regra de proteção do Bolsa Família

Crédito: Lyon Santos/ MDS

O governo federal estuda reduzir o período em que beneficiários do Bolsa Família podem continuar recebendo parte do valor do benefício mesmo após aumento da renda. A medida afeta diretamente a chamada “regra de proteção”, criada para garantir a transição de famílias que conquistam renda formal sem sofrerem corte imediato no auxílio.

Atualmente, quando a renda per capita ultrapassa R$ 218, mas se mantém abaixo de meio salário mínimo (R$ 759), o benefício é mantido parcialmente — em 50% — por até 24 meses. Com a nova proposta, esse prazo pode cair para 6, 12 ou 18 meses. Apesar das simulações em andamento, fontes internas afirmam que dificilmente o tempo será inferior a um ano.

Objetivo é conter gastos e adequar orçamento

As mudanças visam alcançar a economia de R$ 7,7 bilhões prevista no Orçamento de 2025. A autorização para a revisão da regra foi concedida pelo Congresso Nacional no final do ano passado, durante a aprovação do pacote fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No entanto, a regulamentação efetiva ainda depende de uma portaria do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, que deve ser publicada até o fim de abril.

Além da redução no prazo, o governo também avalia limitar ainda mais a faixa de renda elegível para a regra de proteção, restringindo o benefício mesmo para famílias que permanecem abaixo de meio salário mínimo per capita. Essa alteração, no entanto, enfrenta maior resistência interna e é considerada menos provável.

Novas medidas incluem fiscalização mais rigorosa

Outras mudanças no Bolsa Família já foram oficializadas em decreto publicado em março. Entre elas, está a exigência de entrevistas domiciliares presenciais para pessoas que se declaram famílias unipessoais no Cadastro Único. A medida, recomendada pela Controladoria-Geral da União, busca coibir fraudes e será obrigatória para novos inscritos — exceto no caso de indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua.

O mesmo decreto definiu ainda um prazo de até 36 meses para que famílias que tenham perdido o benefício sob a regra de proteção tenham prioridade no retorno ao programa, caso voltem a se enquadrar nos critérios de pobreza.

Direito adquirido será preservado

As mudanças não afetarão quem já está recebendo o benefício parcial sob as regras atuais. Técnicos do governo, inclusive da área jurídica, reforçam que há um entendimento de que o direito ao recebimento do auxílio, nas condições vigentes no momento da concessão, não pode ser alterado retroativamente. Assim, apenas novos beneficiários que se desenquadrarem do programa após a nova regulamentação estarão sujeitos às regras reduzidas.

A expectativa do Executivo é de que a medida estimule uma transição mais célere para a independência financeira das famílias, sem comprometer a sustentabilidade fiscal do programa. No entanto, especialistas alertam para os riscos sociais de uma redução abrupta no prazo ou nos critérios de elegibilidade, o que pode desestimular a formalização do trabalho ou aumentar a vulnerabilidade das famílias em momentos de instabilidade econômica.

Alex Faria

  • Publicado: 13/04/2025 08:58
  • Alterado: 13/04/2025 08:58
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress