Governo Lula atribui queda do lucro do BB ao Congresso

Lucro do Banco do Brasil despenca 60% no 2º trimestre; inadimplência e pressão política são fatores cruciais.

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Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontam o Congresso Nacional como um dos responsáveis pela significativa diminuição do lucro líquido do Banco do Brasil no segundo trimestre deste ano. Apesar da queda nos números, a presidente da instituição, Tarciana Medeiros, continua com uma avaliação positiva entre os assessores mais próximos do Palácio do Planalto.

O resultado financeiro divulgado nesta quinta-feira (14) revelou que o lucro do Banco do Brasil alcançou R$ 3,8 bilhões, representando uma redução de 60% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A crescente taxa de inadimplência foi identificada como uma das principais razões para essa queda.

Os assessores de Lula atribuem o aumento da inadimplência à expectativa gerada no setor agropecuário quanto à renegociação de suas dívidas. Isso ocorreu após a aprovação de uma proposta na Câmara dos Deputados que autorizou a utilização de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para esse fim. Tal expectativa de reestruturação das obrigações financeiras em condições mais favoráveis pode ter influenciado o comportamento dos produtores em relação ao pagamento de suas dívidas.

A aprovação desse crédito subsidiado para o agronegócio em julho foi vista como uma resposta estratégica liderada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Essa votação se deu após um veto presidencial referente ao aumento do número de deputados e a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que validou o incremento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), contrariando uma deliberação anterior do Legislativo.

A proposta original tinha como foco os pequenos produtores rurais, mas foi reformulada com o apoio de partidos centristas para permitir que os recursos, antes destinados a áreas como educação e saúde, fossem utilizados para o refinanciamento das dívidas gerais do setor agropecuário com juros reduzidos.

Atualmente, essa proposta está em tramitação no Senado, onde já existe um requerimento de urgência preparado para ser apresentado em plenário.

A queda no lucro do Banco do Brasil também se relaciona ao aumento da provisão para perdas esperadas (PDD), que atingiu R$ 15,9 bilhões — um aumento de 104% em relação ao ano anterior. Essa elevação é resultado não apenas da alta na inadimplência, mas também de uma nova resolução imposta pelo Banco Central que exige que as instituições financeiras reservem valores correspondentes às perdas esperadas, e não apenas às perdas já registradas.

No cálculo feito pelo banco, foram considerados R$ 7,9 bilhões referentes ao agronegócio, além de R$ 4,8 bilhões provenientes de pessoas físicas e R$ 4,3 bilhões de pessoas jurídicas.

O setor agrícola enfrenta atualmente um aumento nas recuperações judiciais devido aos desafios enfrentados na última safra de grãos. Neste segmento específico, os atrasos superiores a 90 dias agora representam 3,49% do total, o que indica um crescimento de 0,45 ponto percentual no último trimestre e um aumento de 2,17 pontos percentuais ao longo do ano.

Embora alguns aliados de Lula reconheçam a pressão exercida por senadores por uma possível substituição de Tarciana Medeiros à frente do banco, eles minimizam a probabilidade dessa mudança ocorrer em virtude dos resultados negativos. Acredita-se que a performance financeira do Banco do Brasil não será diretamente associada à responsabilidade dela.

Informações obtidas junto a congressistas indicam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem interesse na posição. Apesar de sua aproximação com Lula, membros da administração atual afirmam que o desempenho financeiro desfavorável não deve acelerar a troca na liderança do banco.

RAIO-X | BANCO DO BRASIL NO 2º TRI DE 2025

  • Fundação: 1808
  • Lucro: R$ 3,8 bilhões
  • Agências: 3.997
  • Funcionários: 85.959
  • Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 16/08/2025
  • Fonte: FERVER