Carnaval 2026: como não virar vítima dos golpes na folia

Com R$ 14,4 bilhões em circulação e uma tentativa de fraude a cada 24 segundos, especialistas alertam que prevenção digital é tão essencial quanto fantasia e protetor solar

Crédito: Freepik

Fevereiro de 2026 marca o retorno de uma das maiores movimentações econômicas do Brasil. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a expectativa é de que a folia injete R$ 14,4 bilhões na economia. No entanto, onde há fluxo intenso de dinheiro e multidões distraídas, os golpes no Carnaval encontram um terreno fértil para prosperar. A combinação de álcool, aglomeração e uso constante de smartphones cria a “tempestade perfeita” para a atuação de quadrilhas especializadas em crimes patrimoniais e digitais.

Para o folião, a segurança deve ser tão prioritária quanto a diversão. Estatísticas recentes da Serasa Experian apontam uma realidade alarmante: durante a festividade, ocorre uma tentativa de fraude a cada 24 segundos no país. Entender a mecânica por trás dos golpes no Carnaval é o primeiro passo para não se tornar parte dessa estatística. A prevenção exige uma mudança de postura, migrando de um comportamento reativo para uma blindagem preventiva de dados e dispositivos antes mesmo de sair de casa.

A Evolução das Fraudes: Do Físico ao Digital

Antigamente, a maior preocupação era o furto da carteira. Hoje, o crime evoluiu. Especialistas em segurança bancária, como Felipe Tambelini, do Itaú Unibanco, alertam que a conscientização é a principal ferramenta de defesa. Os criminosos modernos utilizam engenharia social e tecnologia de ponta para aplicar golpes no Carnaval, visando não apenas o dinheiro imediato, mas o acesso total à vida digital da vítima.

O roubo do celular, por exemplo, deixou de ser apenas pela revenda do aparelho. O dispositivo desbloqueado é a chave para contas bancárias, redes sociais e dados sensíveis. Alexander Coelho, especialista em Direito Digital, reforça que o prejuízo financeiro é consequência direta dessa exposição. Em poucos minutos, um furto físico se transforma em uma invasão digital completa, permitindo transferências via Pix e empréstimos em nome da vítima.

O Perigo das Maquininhas Adulteradas

Máquinas de cartão
Marcelo Camargo – Agência Brasil

Uma das modalidades mais clássicas e ainda eficazes de golpes no Carnaval envolve o pagamento com cartão. Ambulantes falsos ou mal-intencionados utilizam maquininhas com o visor danificado ou coberto, impedindo que o cliente veja o valor real da transação.

“O valor digitado pode ser maior do que o combinado ou a transação pode ser duplicada sem que a pessoa perceba. Em locais cheios, a conferência do visor acaba sendo deixada de lado e isso facilita o prejuízo.” — Adriana Ricci, educadora financeira.

Outra variação perigosa é a troca do cartão. Na confusão do pagamento, o golpista devolve um cartão idêntico (geralmente do mesmo banco e cor), mas que pertence a outra pessoa, ficando com o cartão verdadeiro e a senha da vítima, que muitas vezes foi observada durante a digitação.

Para mitigar esses riscos de golpes no Carnaval, a recomendação é priorizar o pagamento por aproximação (NFC) através de carteiras digitais (Apple Pay, Google Pay ou Samsung Pay) em um smartwatch ou celular, evitando expor o cartão físico. Se o uso do cartão for inevitável, jamais o entregue na mão de terceiros e confira sempre o nome no plástico ao recebê-lo de volta.

Pix e inteligência artificial: novas maneiras para criminosos

Pix por imagem: entenda o que é e como funciona
Bruno Peres/Agência Brasil

A facilidade do Pix trouxe agilidade, mas também novos vetores de ataque. O Banco Central, através da ferramenta BC Protege+, bloqueou mais de 111 mil tentativas de fraude apenas em janeiro deste ano. Os golpes no Carnaval envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos estão cada vez mais sofisticados, utilizando até mesmo Inteligência Artificial.

Monisi Costa, diretora da Vindi, alerta para o uso de IA na simulação de voz de familiares para solicitar transferências de emergência. Além disso, a adulteração de QR Codes é uma prática crescente. O folião, ao tentar pagar uma bebida ou um serviço via QR Code impresso em um balcão ou crachá, pode estar enviando dinheiro para a conta de um “laranja” em vez do vendedor legítimo.

Evitar cair nesses golpes no Carnaval exige a conferência minuciosa dos dados do destinatário antes de confirmar qualquer transação. Se o nome na tela não bater com o do estabelecimento ou do vendedor, cancele a operação imediatamente. Desconfie também de abordagens que pedem transferências para “sócios” ou “parentes” distantes do local da venda.

Estratégias de blindagem do celular

Diante do aumento exponencial de furtos, em São Paulo, chegou-se a registrar um celular subtraído a cada dois minutos em carnavais passados, a estratégia do “celular do ladrão” ou “celular do bloco” ganhou força. A ideia é simples: levar para a folia um aparelho secundário, mais antigo ou barato, contendo apenas o essencial.

Maycon Richart, da MercadoPhone, sugere que esse aparelho não tenha os aplicativos principais de banco ou investimentos instalados. Se isso não for possível e você precisar levar seu aparelho principal, a proteção contra golpes no Carnaval deve incluir:

  • Desativar notificações na tela bloqueada: Códigos de recuperação de senha (2FA) e avisos de transações não devem estar visíveis sem o desbloqueio do aparelho.
  • Senha no Chip (PIN do SIM): Isso impede que o criminoso coloque seu chip em outro aparelho para receber SMS de recuperação de contas.
  • Bloqueio de Apps: Utilize pastas seguras (como a Pasta Segura da Samsung ou recursos nativos do iOS) para esconder aplicativos financeiros.

Essas camadas extras de segurança dificultam a ação rápida dos bandidos, que contam com a velocidade para esvaziar contas antes que a vítima perceba a ocorrência dos golpes no Carnaval.

O papel dos bancos e do governo

Celular Seguro
Divulgação

As instituições financeiras e o governo têm desenvolvido ferramentas robustas para auxiliar na prevenção. O aplicativo “Celular Seguro“, do Governo Federal, permite o bloqueio simultâneo de linhas telefônicas e acessos bancários de parceiros cadastrados com um único clique, agilizando a resposta em caso de roubo.

No setor privado, bancos como o Itaú Unibanco e a XP Investimentos oferecem funcionalidades específicas para o período. O “Modo Rua” ou “Modo Protegido” permite definir locais seguros (como sua casa) onde transações de alto valor são permitidas. Fora dessas zonas geográficas, os limites de Pix e transferências são drasticamente reduzidos, impedindo que golpes no Carnaval resultem em perdas financeiras catastróficas.

Lee Waisler, da XP, recomenda revisar esses limites antes de viajar. A lógica é simples: se o seu limite de Pix noturno é de R$ 5.000,00, em caso de sequestro relâmpago ou coação, esse é o valor em risco. Reduzi-lo para o estritamente necessário durante os dias de festa é uma barreira eficaz contra grandes prejuízos decorrentes de golpes no Carnaval.

Riscos em viagens e conexões públicas

Para quem viaja, os perigos começam antes mesmo de chegar ao destino. A NordVPN alerta para a venda de dados de viagem na dark web e para a criação de redes Wi-Fi falsas em aeroportos e rodoviárias. Conectar-se a uma rede aberta chamada “Wi-Fi Grátis Carnaval” pode ser a porta de entrada para a interceptação de dados.

Criminosos configuram essas redes para roubar credenciais de acesso e senhas. A melhor defesa contra esses tipos de golpes no Carnaval é utilizar exclusivamente a rede de dados móveis (4G/5G) ou, se o uso de Wi-Fi for imprescindível, ativar uma VPN (Rede Privada Virtual) para criptografar o tráfego de dados.

Além disso, o setor de turismo sofre com anúncios falsos de hospedagem e passagens aéreas. O advogado Marco Antonio Araújo Jr. destaca que a verificação em fontes oficiais é mandatória. Ofertas milagrosas de última hora costumam ser iscas para golpes no Carnaval, onde o consumidor paga por uma casa de temporada que não existe ou por um pacote aéreo fraudulento.

Direitos do consumidor e ações pós-incidente

Mesmo com todas as precauções, imprevistos acontecem. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) protege o folião em casos de falhas na prestação de serviço, como cancelamento de voos, overbooking em hotéis ou alterações drásticas em eventos privados (camarotes que não entregam o open bar prometido, por exemplo).

Documentar é a palavra-chave. Guarde prints, ingressos e comprovantes. No caso de golpes no Carnaval que envolvam crimes bancários, a ação deve ser imediata:

  1. Bloqueio Remoto: Use o “Find My iPhone” ou “Encontre Meu Dispositivo” (Android) para apagar os dados.
  2. Contato Bancário: Notifique o banco imediatamente para bloquear contas e cartões.
  3. Boletim de Ocorrência (B.O.): Registre o crime na delegacia mais próxima ou online. O B.O. é essencial para contestar transações fraudulentas e solicitar ressarcimento.
  4. Alerta ao Celular Seguro: Acione a ferramenta do governo para ampliar o bloqueio.

A responsabilidade das instituições financeiras em casos de golpes no Carnaval pode ser discutida juridicamente, especialmente se houver falha nos sistemas de detecção de fraudes que permitiram transações totalmente atípicas ao perfil do cliente.

Checklist de sobrevivência na folia

Para consolidar sua segurança, preparamos um resumo tático. Imprima ou memorize estas ações para garantir que a única lembrança da festa seja a alegria, e não os golpes no Carnaval:

  • Reduza os Limites: Ajuste o Pix e saques para o valor mínimo necessário pelo App do banco.
  • Use Carteiras Digitais: Evite sacar o cartão físico em meio à multidão.
  • Atenção ao QR Code: Verifique sempre o destinatário do pagamento.
  • Desligue o Wi-Fi: Mantenha o Bluetooth e Wi-Fi desativados quando não estiverem em uso para evitar conexões automáticas perigosas.
  • Anote o IMEI: Tenha o número de identificação do seu celular guardado em casa (*#06# no teclado do telefone).
  • Desconfie de Urgência: Golpes de engenharia social usam o senso de urgência. Pare, respire e verifique.

O Carnaval é uma manifestação cultural de alegria, mas a realidade da segurança pública e digital no Brasil exige um comportamento vigilante. Os criminosos contam com a desatenção, mas a tecnologia também oferece ferramentas poderosas de proteção. Ao adotar medidas preventivas, como a redução de limites, o uso de autenticação em dois fatores e a cautela com conexões públicas, você reduz drasticamente a superfície de ataque para os golpes no Carnaval.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/02/2026
  • Fonte: FERVER