4 vítimas e o novo golpe contra garotos de programa em SP

Crimes em Sacomã disparam alerta: entenda como criminosos usam perfis falsos em plataforma para atrair e assaltar garotos de programa em SP

Crédito: Divulgação/Freepik

A rotina de profissionais do sexo em São Paulo está sob ameaça de um novo e perigoso esquema criminoso. Os garotos de programa em SP que utilizam plataformas de agendamento têm se tornado alvo de quadrilhas que atuam na região do Sacomã, zona sul da capital. Diante da frequência de assaltos, que já se tornaram semanais, muitos acompanhantes masculinos — que dependem diretamente dessa atividade para o seu sustento — foram forçados a alterar radicalmente suas rotinas de trabalho. O medo crescente se instalou na comunidade, redefinindo as regras de segurança. O foco dos ataques são os profissionais que utilizam o Garoto com Local, plataforma considerada a maior do Brasil para acompanhantes masculinos. Os criminosos se valem da fachada de falsos clientes para conduzir as vítimas a endereços específicos, onde o encontro se transforma em assalto.

O foco dos ataques são os profissionais que utilizam o Garoto com Local, plataforma considerada a maior do Brasil para acompanhantes masculinos. Os criminosos se valem da fachada de falsos clientes para conduzir as vítimas a endereços específicos, onde o encontro se transforma em assalto.

O padrão de ação dos golpistas: Perfis falsos e motocicletas

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O modus operandi dos assaltantes demonstra conhecimento profundo sobre a dinâmica de trabalho dos acompanhantes. Os relatos convergentes das vítimas apontam para um método cruel e repetitivo:

  • Atração pela Plataforma: Criminosos criam perfis falsos no site, iniciando a comunicação com os trabalhadores sexuais.
  • Simulação de Serviço: Em alguns casos, a vítima é induzida a acreditar na autenticidade do cliente, que chega a enviar veículos por aplicativo para buscar o profissional.
  • O Ataque: Ao chegarem ao ponto indicado, que geralmente são ruas isoladas do Sacomã, os profissionais são abordados por indivíduos em motocicletas. Sob a ameaça de arma, são obrigados a entregar todos os seus bens.

A frequência e a violência desses incidentes são tão elevadas — ocorrendo pelo menos uma vez por semana — que os Garotos de Programa em SP se uniram em uma busca desesperada por soluções.

R$ 7.000 perdidos: O caso que disparou o alarme

Um dos relatos mais chocantes envolveu um profissional recém-chegado à capital. No dia 20 de março, o jovem, que realizava seu primeiro trabalho em São Paulo, foi chamado para um atendimento agendado para as 22h do dia seguinte no Sacomã.

Ao chegar ao local, foi cercado por dois homens em uma motocicleta. Com uma arma apontada para a cabeça, foi forçado a entregar todos os seus pertences, incluindo o celular. Os criminosos acessaram sua conta bancária e realizaram transações que resultaram em um prejuízo total de R$ 7.000. A notícia do assalto se espalhou rapidamente em um grupo de WhatsApp com mais de 200 garotos de programa, revelando a dimensão do problema.

A ‘Investigação’ dos próprios trabalhadores

Apesar de alguns terem registrado boletins de ocorrência (BOs), muitos profissionais alegam ter encontrado resistência policial devido à natureza de sua profissão. Diante da falta de apoio institucional percebida, eles iniciaram uma investigação informal por conta própria.

Através do compartilhamento de informações, conseguiram identificar os números de telefone usados pelos golpistas e decifraram um padrão nos agendamentos:

  • Mensagens Tardia: As solicitações de serviço são enviadas sempre tarde da noite.
  • Foco no Tempo, Não no Preço: É comum a solicitação de mais de uma hora de serviço sem qualquer discussão prévia sobre o valor.
  • Facilidades Suspeitas: Os criminosos frequentemente prometem pagamento em dinheiro e oferecem transporte por aplicativo.

Além disso, os endereços de emboscada são sistematicamente os mesmos: Ruas Protocolo, Marquês Maricá e Solemar, todas na região do Sacomã. O principal alvo são as contas mais recentes na plataforma: novos na profissão ou recém-chegados à cidade, que migram do interior ou de outros estados buscando oportunidades.

Estratégias de defesa e a suspeita de envolvimento interno

Polícia Civil - Santo André
Divulgação/PCSP

Com a experiência, os garotos de programa em SP mais antigos já estão cientes dos riscos e implementaram medidas de proteção. Leonardo, administrador do grupo de WhatsApp que compartilha as denúncias, afirmou ter limitado seus atendimentos apenas ao seu apartamento. Outros só aceitam clientes antigos e conhecidos, ou estabelecem um limite geográfico rígido, atendendo apenas em um raio máximo de 4 quilômetros de suas casas.

A seleção estratégica das vítimas e o conhecimento dos detalhes das dinâmicas de atendimento levantaram uma suspeita grave: as vítimas acreditam que colegas da profissão possam estar envolvidos nas emboscadas, atuando como informantes para os assaltantes.

Os trabalhadores buscam que o site Garoto com Local, que gera receita através de anúncios com valores entre R$ 150 e R$ 3.000, adote medidas de segurança mais robustas. O pedido principal é a implementação de avisos sobre áreas perigosas para os novos usuários, já que a opção atual de realizar uma chamada de vídeo com o cliente é vista como insuficiente. Até o momento, a plataforma não retornou às solicitações e declarou não possuir porta-voz.

Em nota, a Polícia Civil informou que está investigando todos os casos registrados e reiterou que é fundamental que as vítimas formalizem as denúncias por meio de boletins de ocorrência para que os responsáveis sejam localizados e presos. A área da 2ª Delegacia Seccional Sul, que abrange o Sacomã, registrou uma redução geral de 11,41% nos roubos entre janeiro e setembro deste ano, mas a comunidade de garotos de programa em SP vive um pico de criminalidade direcionada.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 17/11/2025
  • Fonte: Sorria!,