Gestão dos mananciais usa 7 faixas para frear falta de água
O Governo de São Paulo implantou um modelo preventivo para monitorar represas e evitar crises hídricas na região metropolitana do estado.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 19/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O estado de São Paulo adotou uma metodologia inédita para otimizar a gestão dos mananciais que abastecem a região metropolitana. O modelo atual foca na previsibilidade para acelerar a tomada de decisões durante períodos de escassez hídrica.
Implementado pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), o formato monitora diariamente o nível das águas. A análise abrange dados de sete grandes reservatórios interligados, incluindo o Cantareira, responsável por abastecer metade da região.
Como a gestão dos mananciais funciona na prática
A nova estratégia divide os cenários climáticos em sete faixas de criticidade. Cada etapa orienta gestores sobre medidas gradativas de enfrentamento, dependendo do volume de chuvas e dos níveis de reservação.
Para garantir segurança técnica na gestão dos mananciais paulistas, mudanças de estágio exigem comprovação contínua. As restrições avançam apenas após sete dias consecutivos de piora climática, enquanto o relaxamento demanda 14 dias de melhora consolidada no volume represado.
“Essa metodologia é parte de um processo contínuo e integrado de evolução, que prevê também investimentos em obras estruturantes, intensificação do combate a perdas e atuação cada vez mais coordenada por meio do UniversalizaSP.” (Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística)
Etapas e ações preventivas do sistema
Nos três primeiros estágios, o governo paulista foca na prevenção e no incentivo ao consumo racional. As faixas 1 e 2 aplicam controle de demanda noturna por 8 horas. Na faixa 3, cenário em vigor, o controle avança para 10 horas.
As faixas 4, 5 e 6 ampliam a redução da pressão nas redes gradativamente para 12, 14 e até 16 horas. A faixa 7 representa a adoção de rodízio extremo, incluindo o uso de caminhões-pipa para abastecer hospitais e serviços críticos.
Investimentos para blindar a gestão dos mananciais
Obras recentes ampliaram de forma expressiva a resiliência do complexo de abastecimento. A transposição Jaguari-Atibainha e o bombeamento do rio Itapanhaú fortaleceram a vazão dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, respectivamente.
Em 2025, o estado concluiu a ampliação da Estação de Tratamento do Rio Grande, investindo R$ 120 milhões. O projeto beneficia mais de 120 mil pessoas, acompanhado pela modernização da unidade no Alto da Boa Vista, orçada em R$ 25 milhões.
Até 2027, a Sabesp planeja aportar R$ 1,2 bilhão adicionais em infraestrutura. A interligação Billings-Alto Tietê, já em execução, ilustra a expansão da capacidade de captação de água bruta no braço do Rio Pequeno.
Impacto cotidiano na segurança hídrica
O engajamento social continua indispensável para manter o equilíbrio ambiental. Especialistas alertam que o sucesso prolongado na gestão dos mananciais depende fundamentalmente da redução contínua do desperdício doméstico.
Pequenas atitudes diárias geram impacto direto e imediato nos níveis dos reservatórios:
- Reduzir o tempo de banho para 5 minutos economiza até 162 litros de água.
- Lavar veículos com balde previne o desperdício de 176 litros.
- Varrer calçadas em vez de lavá-las poupa cerca de 279 litros a cada 15 minutos.
Enfrentar secas severas exige infraestrutura robusta e conscientização coletiva. Ao aliar tecnologia preventiva com responsabilidade civil, a gestão dos mananciais torna-se capaz de proteger o futuro hídrico de São Paulo contra instabilidades climáticas.