Gabinetes da base de Tarcísio na Alesp têm ligação com alvos da PF
Investigações revelam escândalo de contratações de familiares e aliados do prefeito afastado de São Bernardo, Marcelo Lima
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Recentes investigações apontam que gabinetes de deputados ligados ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) estão envolvidos em um escândalo que envolve contratações de familiares e aliados do prefeito afastado de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos). Este foi afastado devido a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com a apuração da Polícia Federal, há indícios de que Marcelo Lima esteve diretamente envolvido na negociação de contratações para esses gabinetes.
No dia 14 de agosto, data em que a operação da PF foi deflagrada contra o prefeito, sua filha, Larissa Souza, foi nomeada como assessora no gabinete da deputada estadual Carla Morando (PSDB) na Alesp. Além dela, Rosângela Lima, esposa do prefeito, também esteve vinculada à Assembleia, assim como outros dois indivíduos sob investigação: Paulo Iran, descrito como o principal operador do esquema, e Roque Araújo Neto, suspeito de ter recebido propinas que totalizam R$ 390 mil.
Karina Luz de Queiroz, esposa de Paulo Iran, atuou como assessora na Prefeitura de São Bernardo até o ano passado. Segundo a PF, Iran utilizou a conta bancária dela para realizar pagamentos ligados ao esquema, no qual servidores públicos estavam envolvidos em transações financeiras com empresas contratadas pelo município
Os nomes envolvidos nas contratações foram distribuídos entre os gabinetes da deputada Carla Morando e do deputado Rodrigo Moraes (PL), ambos pertencentes à base governista e frequentemente associados às atividades do governador nas redes sociais.
A assessoria do governo Tarcísio afirmou que não cabe ao Poder Executivo interferir nas escolhas dos deputados sobre seus assessores.
Carla Morando é casada com Orlando Morando, ex-prefeito de São Bernardo e atual secretário municipal de Segurança Urbana na gestão de Ricardo Nunes (MDB). Entre 2017 e 2022, Lima atuou como vice-prefeito sob a administração de Morando. Durante as eleições de 2022, ambos os casais apoiaram mutuamente suas candidaturas.
Larissa Souza trabalhou na liderança do PSDB desde abril de 2019 até a deflagração da operação da PF. Apesar das discussões internas sobre sua exoneração para evitar associação com o caso investigado, optaram por realocá-la no gabinete da deputada Carla Morando, recebendo um salário mensal bruto de R$ 10.200.
A família Morando possui forte influência nas decisões políticas do PSDB na Alesp, dado o longo histórico de Orlando com a sigla.
A assessoria da deputada defendeu a legalidade da contratação de Larissa e afirmou que ela cumpre sua carga horária regularmente, sem envolvimento em condutas ilícitas. A nota ressalta que não existe relação direta entre a funcionária e as investigações sobre corrupção em São Bernardo.
A deputada também havia contado com Roque Araújo Neto em sua equipe até sua exoneração imediata após o início das investigações. Segundo Carla Morando, essa decisão foi tomada assim que soube das acusações.
A defesa de Roque contesta a identificação errônea e afirma que ele não está vinculado aos crimes investigados.
NEGOÇÕES DO PREFEITO
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam conversas entre Marcelo Lima e Paulo Iran discutindo as contratações em Alesp no ano passado. Em uma delas, Lima orientou Iran a buscar uma sala no gabinete do deputado Moraes.
A reportagem identificou “Frajola” como José Roberto Venancio de Souza, que atuava como assessor de Moraes na época e atualmente é vereador. Ele desempenhou um papel significativo na campanha eleitoral do prefeito afastado.
Após receber instruções do prefeito em setembro de 2022, Iran prontamente confirmou seus planos com Rosângela para assumir cargos no gabinete. Rosângela permaneceu assistente parlamentar até novembro deste ano e teve um salário bruto mensal correspondente ao cargo.
Iran foi exonerado um dia após a operação da PF. Em resposta às indagações sobre os processos seletivos realizados por Moraes, seu escritório declarou que todas as contratações foram feitas dentro das normas administrativas vigentes e que as funções exercidas pelos mencionados eram externas ao gabinete.
A investigação teve início em julho deste ano após descobertas acidentais envolvendo R$ 14 milhões em espécie encontrados na residência de Paulo Iran. O esquema denunciado envolve também o pagamento de despesas pessoais do prefeito e sua família.
Entre essas despesas estavam os custos com a faculdade da filha mais nova do prefeito. As mensagens trocadas entre Iran e Lima indicam movimentações financeiras complexas associadas à gestão pública.
A defesa da esposa do operador financeiro sugere que ela foi contratada por Marcelo Lima enquanto este exercia funções como secretário municipal antes de seu afastamento por irregularidades administrativas.