Furacão Melissa deixa 37 mortos e destruição no Caribe

O ciclone histórico atinge categoria 5, deixando mais de 1 milhão de afetados, e agora o furacão Melissa acelera em direção às Bermudas

Crédito: RS/FotosPúblicas

O Atlântico Sul e o Caribe se mobilizam para contabilizar os danos e as vítimas fatais deixados pela passagem devastadora do furacão Melissa. Considerado o terceiro furacão mais intenso já registrado na bacia do Atlântico, a tempestade de categoria 5, nível máximo na escala Saffir-Simpson, provocou inundações catastróficas e um cenário de destruição sem precedentes, principalmente em nações insulares já vulneráveis.

Dados preliminares do balanço de mortos indicam que, até esta quinta-feira (30), pelo menos 37 pessoas perderam a vida nos países atingidos. As equipes de resgate continuam atuando em áreas isoladas, o que sugere que o número final de vítimas pode ser ainda maior. As inundações foram a principal causa das fatalidades:

  • Haiti: Pelo menos 30 mortes foram confirmadas no país mais populoso do Caribe, que foi castigado por dias de chuva e inundações. A cidade costeira de Petit-Goave, a oeste da capital, Port-au-Prince, foi uma das mais afetadas após o transbordamento de um rio. Quase 12 mil pessoas estão em abrigos de emergência.
  • Jamaica: Cinco corpos foram encontrados na paróquia de St. Elizabeth, que ficou submersa.
  • República Dominicana: Uma vítima fatal foi registrada.

A lentidão no avanço do furacão Melissa pelo Caribe, notada pelo serviço meteorológico AccuWeather, contribuiu para a magnitude da devastação, permitindo que a tempestade despejasse um volume maior de chuva e ventos por um período prolongado sobre o território.

A força histórica do Furacão Melissa

Furacão Melissa no Caribe - RS/Fotos Públicas
Furacão Melissa no Caribe – RS/Fotos Públicas

O fenômeno meteorológico alcançou sua intensidade máxima, a Categoria 5, e atingiu a Jamaica na terça-feira (28) com ventos próximos de 300 km/h. Segundo uma análise da agência de notícias AFP com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Melissa se tornou o furacão mais forte a atingir o solo na costa do Atlântico em 90 anos, marcando um evento climático de escala histórica.

A pressão atmosférica no centro do fenômeno também o classificou entre os três furacões com a pressão mais baixa já registrada na bacia do Atlântico Norte, um indicador de sua potência. A devastação na Jamaica, que escapou de danos piores na capital Kingston, foi “sem precedentes”, conforme afirmou o principal representante da ONU no país. Estima-se que mais de um milhão de pessoas – cerca de um terço da população jamaicana – foram diretamente afetadas.

Em Cuba, embora a tempestade não tenha atingido diretamente a ilha com força máxima, 241 comunidades ficaram isoladas e sem comunicação após inundações e deslizamentos na província de Santiago. Graças a uma das maiores operações preventivas já realizadas, as autoridades conseguiram retirar cerca de 735 mil pessoas antes da chegada da chuva.

Avanço Pós-Caribe: A Trajetória do Furacão Melissa

Após cruzar as Bahamas na madrugada desta quinta-feira (30), o furacão Melissa perdeu parte de sua força, sendo rebaixado para a Categoria 2, mas segue acelerando enquanto avança pelo Atlântico. O governo das Bahamas já havia retirado cerca de 1.500 pessoas que estavam na rota da tempestade.

A previsão do serviço meteorológico da Flórida indica que o furacão deve seguir um curso em sentido nordeste, passando pelas Bermudas na noite desta quinta-feira (30). Espera-se que a tempestade comece a enfraquecer na sexta-feira (31), mas seu impacto não se encerra aí.

O rastro do Melissa pode se estender até a costa do Canadá. O ciclone tem a possibilidade de atingir ou passar perto da ponta sudeste de Terra Nova no início da manhã de sábado (1º). Ainda que a previsão seja de que o fenômeno já não tenha a força de um furacão ao chegar à costa canadense, o alerta permanece.

Impacto Climático e Científico do Furacão Melissa

A intensidade e a frequência de eventos como o furacão Melissa estão intrinsecamente ligadas à crise climática global. Cientistas alertam que o aquecimento das águas oceânicas, causado pelas emissões de gases de efeito estufa, tem feito com que furacões se intensifiquem de forma mais rápida e com maior frequência.

Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para questões climáticas, mostram que eventos climáticos extremos mais do que triplicaram ao longo dos últimos 50 anos. O Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), outro órgão ligado à ONU, já declarou ser inequívoco que parte dessas mudanças é resultado da ação humana, reforçando a urgência na redução das emissões. Enquanto a região lida com o trauma e a reconstrução, o debate sobre a adaptação e mitigação climática ganha novo e trágico capítulo.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 30/10/2025
  • Fonte: FERVER