Mobilidade Social é tema do ABC Cast Conexões com a Fundação Grupo Volkswagen

Vitor Hugo Neia detalha os 46 anos da FGVW, reflete sobre mobilidade social e anuncia com exclusividade a participação da instituição na COP 30

Crédito: (Edvaldo Barone/ABCdoABC)

As histórias do ABC Paulista sempre foram contadas pelas chaminés, pelas fábricas e pelos carros que moldaram a economia da região. Mas, no coração dessa mesma paisagem, existe uma outra narrativa, silenciosa e transformadora: a da Fundação Grupo Volkswagen (FGVW), braço social da montadora.

Criada há 46 anos, a instituição atravessou décadas de mudanças no país e hoje se firma como referência no investimento social privado brasileiro. No 13º episódio episódio do ABC Cast Conexões, o diretor-geral Vitor Hugo Neia revelou como a Fundação se reposicionou para colocar a mobilidade social no centro de sua atuação e, de forma inédita, anunciou que será patrocinadora da Casa Sul Global na COP30, em Belém.

“A Fundação é o coração e a cabeça social do Grupo Volkswagen”, afirmou Neia logo no início da conversa. A fala não é força de expressão. Ao longo de sua trajetória, a Fundação Grupo Volkswagen já impactou mais de três milhões de brasileiros, e somente em 2023 foram mais de 20 mil pessoas atendidas em projetos que unem geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento comunitário. Diferente de muitas iniciativas corporativas, esse trabalho não depende de marketing ou repasses eventuais: é sustentado por um fundo patrimonial que garante autonomia e perenidade. “Essa independência é fundamental para mostrar que não fazemos ações pontuais, mas projetos de impacto duradouro”, reforçou Victor Hugo.

Da fábrica ao território: “não é entorno, é nossa comunidade”

Vitor Hugo Neia - Fundação Grupo Volkswagen (FGVW) - ABC Cast Conexões - COP30
Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen, durante entrevista ao ABC Cast Conexões
(Foto: Edvaldo Barone/ABCdoABC)

A aproximação da Fundação Grupo Volkswagen com os territórios do ABC ganhou força em meio à pandemia, quando a instituição percebeu que precisava olhar para além dos grandes números e enxergar as vulnerabilidades que estavam literalmente ao lado de sua sede. Um dos símbolos dessa virada foi o Montanhão, em São Bernardo do Campo, um dos bairros mais populosos da região e vizinho direto da fábrica Anchieta.

Durante o programa, Vitor Hugo Neia recordou o incômodo que sentia ao investir em projetos espalhados pelo Brasil sem conseguir alcançar a comunidade que podia ser vista das janelas de seu escritório. “A gente falava muito em comunidade do entorno. Mas o entorno dá essa ideia de algo distante, alheio. Quando eu abria a janela da fundação, via o Montanhão ali, do outro lado da Anchieta, com mais de 100 mil pessoas vivendo vulnerabilidades profundas. E me incomodava pensar que investíamos em projetos em regiões distantes e não ali, do outro lado da rua. Foi nesse momento que entendemos: não é entorno, é a nossa comunidade. Se o Montanhão tem um problema, ele é nosso também”, afirmou.

Esse reposicionamento não ficou apenas no discurso. A Fundação Grupo Volkswagen passou a assumir compromissos com organizações locais, como a Associação Padre Léo Comissari, e a estruturar projetos que dialogassem diretamente com as demandas de quem vive nesses territórios. O movimento reforçou a percepção de que não basta estar fisicamente próximo: é preciso construir pontes simbólicas e sociais que rompam o distanciamento histórico entre indústria e comunidade.

Mobilidade Social e Inclusão Produtiva

A reestruturação da Fundação Grupo Volkswagen colocou a mobilidade social no centro da estratégia. Victor explicou que, apesar de ser um termo cada vez mais presente no debate público, ainda há confusão no Brasil, muitos associam a expressão à mobilidade urbana, ligada ao transporte. Na prática, mobilidade social significa criar condições reais para que alguém nascido em um contexto de vulnerabilidade consiga ascender socioeconomicamente, rompendo com o ciclo de exclusão que atravessa gerações. “É dar chance de prosperar a quem nasceu em um cenário de desigualdade, garantindo portas de saída concretas para o futuro”, resumiu.

Para reforçar o desafio, o diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen citou um estudo da OCDE que traz um dado alarmante: No Brasil, são necessárias nove gerações, cerca de 200 anos, para que uma família pobre alcance a classe média. O contraste com países como a Alemanha, onde esse processo leva duas gerações, expõe a lentidão do chamado “elevador social” em território brasileiro. “Essa imobilidade destrói a esperança, porque mostra que a desigualdade não é apenas uma questão do presente, mas um peso que se arrasta por séculos. Foi por isso que decidimos abraçar a mobilidade social como nossa causa prioritária”, destacou o diretor.

A Fundação optou por atacar uma alavanca concreta: a inclusão produtiva, seja pela empregabilidade formal ou pelo apoio ao empreendedorismo digno.Não adianta apenas oferecer cursos. O jovem que entra num projeto precisa ter portas de saída reais. A inclusão produtiva só acontece quando ele gera renda de verdade, seja como aprendiz, funcionário ou empreendedor”, completou.

Iniciativas e editais da Fundação Grupo Volkswagen

Vitor Hugo Neia - Fundação Grupo Volkswagen (FGVW) - ABC Cast Conexões - COP30
Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen, durante entrevista ao ABC Cast Conexões
(Foto: Edvaldo Barone/ABCdoABC)

Para transformar a estratégia em prática, a O diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen estruturou três editais que se tornaram a espinha dorsal de seus investimentos. O primeiro deles, Juntos pela Mobilidade Social, apoia organizações de base comunitária nas oito cidades onde o Grupo Volkswagen está presente. Cada entidade pode receber até R$ 240 mil por ciclo, valor expressivo para organizações locais que, muitas vezes, não têm acesso a grandes financiamentos. “É uma forma de apoiar quem já conhece a realidade do território. Flexibilizamos critérios e oferecemos suporte para que pequenas entidades consigam acessar os recursos”, destacou Neia.

O segundo edital, chamado Somando Impactos, tem uma função diferente: criar um pipeline de projetos qualificados para captar via leis de incentivo, como a Rouanet ou a Lei do Esporte. “A Fundação Grupo Volkswagen faz a curadoria e apresenta às marcas do grupo, para que a renúncia fiscal seja direcionada a iniciativas sérias e de impacto”, disse Victor Hugo.

Já o terceiro edital é o Edital Raízes e Labora, resultado de uma parceria com o Fundo Brasil de Direitos Humanos, ampliando o alcance para todo o país. Voltado a projetos de inclusão produtiva e justiça climática, ele consegue chegar a comunidades periféricas, ribeirinhas e quilombolas. “Esse edital permite até que entidades sem CNPJ sejam apoiadas por meio de apadrinhamento. É a ponta da ponta”, reforçou.

Autonomia e Futuro: Inclusão Produtiva

Entre os exemplos de impacto apresentados, o projeto Autonomia foi destacado por Vitor Hugo Neia como a síntese da filosofia da Fundação Grupo Volkswagen. Voltado a jovens de comunidades vulneráveis, o programa foi desenhado para quebrar o ciclo da exclusão oferecendo uma trilha completa, que começa dentro do próprio território. “Muitos desses jovens nunca saíram do bairro”, lembrou. Por isso, as primeiras atividades acontecem em organizações comunitárias parceiras, onde eles recebem curso de informática básica aliado a acompanhamento de psicóloga e assistente social. A bolsa inicial de meio salário mínimo garante que possam estudar sem abrir mão de responsabilidades familiares, evitando a escolha precoce entre sustento e formação.

Essa trilha, no entanto, não se resume a uma experiência pontual. Com a progressão, os jovens ingressam em cursos de programação no Senai de São Caetano, passam a receber uma bolsa equivalente a um salário mínimo e, ao final, podem chegar a um tecnólogo em Ciência de Dados, totalmente custeado pela Grupo Volkswagen. “Na turma piloto, conseguimos empregar os 30 jovens formados como aprendizes da Volkswagen do Brasil. De repente, esses jovens tinham carteira assinada, plano de saúde e participação nos resultados. Muitos se tornaram arrimos de família”, contou Neia. O impacto foi tão expressivo que levou a instituição a incluir módulos de educação financeira, reconhecendo que inclusão produtiva não é apenas dar emprego, mas criar condições de sustentabilidade no longo prazo.

Fundação Grupo Volkswagen: Governança, dinheiro e transparência

Outro ponto central da entrevista foi a governança da Fundação Grupo Volkswagen, tratada por Vitor Hugo Neia como a espinha dorsal que garante credibilidade e independência à instituição. Ele explicou que, apesar de nascer vinculada à montadora, a Fundação se estruturou para andar com autonomia, sustentada por um fundo patrimonial que financia suas ações de forma permanente.

Esse modelo, aliado a uma governança que mistura representantes do Grupo com conselheiros independentes, prática rara em fundações empresariais, cria uma blindagem contra pressões externas e assegura transparência. “A fundação existe porque a Volkswagen existe, mas andamos com as próprias pernas. Temos um fundo patrimonial que sustenta todas as ações, um conselho que inclui representantes do grupo, mas também conselheiros independentes. Isso nos garante autonomia, seriedade na gestão. Não somos marketing, somos impacto real”, defendeu.

Essa visão também se refletiu no processo de transição estratégica, quando a Fundação Grupo Volkswagen decidiu priorizar a mobilidade social. Em vez de cortar vínculos de forma abrupta, a instituição desenhou uma saída responsável para antigos parceiros, oferecendo doações livres por dois anos, sem a exigência de prestação de contas. O gesto, explicou Neia, permitiu que organizações historicamente apoiadas pudessem se reestruturar e buscar novas fontes de financiamento, sem ruir do dia para a noite. “Essa postura evita dependência e respeita a história construída”, disse, ressaltando que o compromisso da Fundação Grupo Volkswagen não é apenas com resultados imediatos, mas também com a sustentabilidade do ecossistema social que ajudou a formar.

Casa Sul Global na COP30: protagonismo comunitário no debate climático

Um dos destaques do episódio foi um anúncio em primeira mão feito por Vitor Hugo Neia: a Fundação Grupo Volkswagen será patrocinadora da Casa Sul Global, espaço paralelo à COP30, que acontece em Belém entre 10 e 21 de novembro. A iniciativa conecta diretamente a trajetória da fundação no campo da mobilidade social a um debate global sobre justiça climática.

Neia explicou que a iniciativa nasce da convicção de que justiça social e justiça climática são indissociáveis. “A COP sempre foi espaço de diplomacia, mas quem sofre os impactos da crise climática muitas vezes fica à margem. A Casa Sul Global vai dar protagonismo a lideranças comunitárias da América Latina, África e Sudeste Asiático, colocando a filantropia de base no centro do debate sobre justiça climática. Para nós, não existe como falar de social sem falar de ambiental, porque são as populações mais vulneráveis que sofrem primeiro com enchentes, queimadas e aumento da temperatura”, afirmou.

Ele destacou ainda a força simbólica de realizar a COP30 em Belém, no coração da Amazônia, e apontou que a participação da fundação vai muito além do patrocínio. “Nós acreditamos que não basta estar presente, é preciso ampliar a compreensão de que justiça social e ambiental caminham juntas. O espaço da Casa Sul Global é um convite a inverter a lógica: quem vive na linha de frente da crise precisa ser ouvido e reconhecido como protagonista.”

A preparação para a COP30 já tem data e lugar no calendário da Fundação Grupo Volkswagen. No dia 6 de outubro, em São Paulo, acontece a 8ª edição da Jornada do Conhecimento, que terá como tema “COP 30: Quando a emergência ambiental expõe as urgências sociais”. O encontro reunirá especialistas, lideranças comunitárias e representantes do terceiro setor para discutir como as mudanças climáticas atingem de forma desproporcional territórios vulneráveis, aprofundando desigualdades históricas ligadas à inclusão produtiva e ao acesso a direitos básicos.

Depois desse marco, a Fundação Grupo Volkswagen pretende ampliar a discussão com uma série de videocasts e ações educativas, preparando o público e os parceiros para o encontro de novembro em Belém. Para Vitor Hugo Neia, essa agenda é uma forma de alinhar o trabalho local da Fundação Grupo Volkswagen a um debate global: “Queremos ampliar a compreensão de que o social e o ambiental caminham juntos. A COP 30 não pode ser apenas diplomacia entre governos, ela precisa refletir as vozes das comunidades que resistem todos os dias aos efeitos da crise climática”, concluiu.

Equipe e convidados: quem faz o ABC Cast Conexões

Vitor Hugo Neia - Fundação Grupo Volkswagen (FGVW) - ABC Cast Conexões - COP30
Thiago Quirino, Victor Hugo Neia e Ghretta Pasuld
(Foto: Edvaldo Barone/ABCdoABC)

A entrevista com Vitor Hugo Neia, da Fundação Grupo Volkswagen, foi conduzida por Thiago Quirino e contou com a participação de Ghretta Pasuld, jornalista e servidora pública com mais de duas décadas de trajetória. Parceira de longa data do ABCdoABC, Ghretta colabora na produção de matérias especiais e assina o roteiro do ABC Cast, o podcast diário que dá voz às notícias da região. A produção e checagem de dados ficaram a cargo de Edvaldo Barone, editor-chefe do portal. A direção geral é de Alex Faria, fundador do veículo, e a edição do episódio leva a assinatura de Rodrigo Rodrigues.

Assista ao episódio completo:

Além do canal no YouTube, a entrevista com  Vitor Hugo Neia da Fundação Grupo Volkswagen, pode ser acessada pelo SpotifyDeezerAmazon Music e também no Apple Podcasts.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 13/09/2025
  • Fonte: Fever