Fundação Grupo Volkswagen anuncia apoio à Casa Sul Global na COP30
Em entrevista exclusiva ao ABCdoABC, Vitor Hugo Neia revelou participação da instituição no espaço que dará voz a comunidades do Sul Global em Belém
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 13/09/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
As discussões sobre clima e desigualdade social ganharam um novo capítulo no Brasil. Em entrevista exclusiva ao ABCdoABC, o diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen (FGVW), Vitor Hugo Neia, anunciou que a instituição será patrocinadora da Casa Sul Global, espaço paralelo à COP30, que acontece em Belém entre 10 e 21 de novembro. O anúncio, feito durante o 13º episódio do ABC Cast Conexões, insere a Fundação Grupo Volkswagen em um debate internacional que busca inverter a lógica das grandes conferências, colocando organizações comunitárias do Sul Global no centro das decisões sobre justiça climática.
“A COP sempre foi espaço de diplomacia, mas quem sofre os impactos da crise climática muitas vezes fica à margem. A Casa Sul Global vai dar protagonismo a lideranças comunitárias da América Latina, África e Sudeste Asiático, colocando a filantropia de base no centro do debate”, afirmou Vitor Hugo Neia. Para ele, não há como separar os temas: “Não existe como falar de social sem falar de ambiental, porque são as populações mais vulneráveis que sofrem primeiro com enchentes, queimadas e aumento da temperatura.”
Da mobilidade social à justiça climática

(Foto: Edvaldo Barone/ABCdoABC)
Na entrevista, o diretor-geral lembrou que a Fundação atravessou um processo de reestruturação para colocar a mobilidade social como causa prioritária. O foco passou a ser a inclusão produtiva, seja pela empregabilidade formal ou pelo empreendedorismo digno. Essa experiência, segundo ele, mostrou como as vulnerabilidades sociais e os impactos da crise climática se entrelaçam.
“Não tem como falar do social sem o ambiental. Quem está sofrendo mais com as enchentes, com as queimadas, com o aumento da temperatura, são as populações em maior vulnerabilidade, que já enfrentam dificuldades de renda, moradia e trabalho. Esse é o nosso público. Então não dá para essas pautas andarem dissociadas”, destacou Neia, reforçando que a participação na COP30 será uma forma de conectar o aprendizado local da Fundação a uma agenda global.
Ele acrescentou que realizar a COP30 em Belém, no coração da Amazônia, tem força simbólica. “A COP 30 precisa refletir as vozes de quem vive na linha de frente da crise. O espaço da Casa Sul Global é um convite a inverter a lógica: em vez de apenas ouvir governos e grandes corporações, é hora de reconhecer como protagonistas as comunidades que resistem todos os dias aos impactos da emergência climática”, completou.
Jornada do Conhecimento: A preparação para a COP30

“COP30: Quando a emergência ambiental expõe as urgências sociais”
(Divulgação)
A preparação da Fundação Grupo Volkswagen para a COP30 já tem data marcada: 6 de outubro, em São Paulo, será realizada a 8ª edição da Jornada do Conhecimento, com o tema “COP30: Quando a emergência ambiental expõe as urgências sociais” .O evento terá transmissão online aberta ao público, com tradução em Libras.
“As mudanças climáticas não atingem a todos da mesma forma: são as populações em maior vulnerabilidade social que sofrem os impactos mais severos. A 8ª Jornada do Conhecimento é um espaço para refletirmos sobre como fortalecer comunidades, lideranças e organizações sociais para enfrentar esses desafios, promovendo inclusão produtiva e mobilidade social. Ao aproximar saberes locais de agendas globais como a COP30, queremos contribuir para uma transição justa, que não deixe ninguém para trás”, disse Vitor Hugo Neia.
A programação terá início com o painel “Mudanças climáticas e desigualdades: territórios em risco, direitos em falta”, que vai analisar como eventos extremos, enchentes, secas e queimadas, afetam desproporcionalmente comunidades periféricas e tradicionais, aprofundando desigualdades históricas de acesso a emprego, renda e condições dignas de vida. A mesa contará com nomes como Ana Valéria, diretora executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos, e Sérgio Andrade, fundador e diretor da Agenda Pública.
Na sequência, o debate “Do local ao global: como os territórios e comunidades respondem e se adaptam à crise climática” reunirá Diogo Lima, sócio da consultoria de impacto social Dendezê, e Cristina Orpheu, diretora executiva do Fundo Casa Socioambiental. A conversa colocará em evidência as respostas que já nascem nos territórios, valorizando a educação climática, a articulação comunitária e as práticas locais que transformam desafios ambientais em oportunidades de inclusão produtiva e inovação.
Conexão entre saberes locais e agendas globais
As mesas da Jornada do Conhecimento foram desenhadas para integrar perspectivas sociais e ambientais, abordando desde manifestações de racismo ambiental até os impactos da crise climática em direitos básicos. A proposta é criar uma ponte entre experiências comunitárias e a agenda da COP30, reforçando a missão da Fundação Grupo Volkswagen de atuar em mobilidade social sem perder de vista os efeitos da crise ambiental.
“A COP não pode ser apenas diplomacia entre governos. Ela precisa refletir as vozes das comunidades que já estão respondendo à emergência climática e criando soluções a partir de suas realidades. Queremos ampliar essa compreensão e mostrar que justiça social e justiça climática caminham juntas”, concluiu Neia.