Fundação CASA leva cultura a 71 centros socioeducativos
Fundação CASA amplia parceria com as Fábricas de Cultura e leva oficinas artísticas para 71 centros socioeducativos em SP
- Publicado: 08/07/2026 07:34
- Alterado: 08/07/2026 07:34
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Fundação CASA
O que começou no ano passado em apenas sete centros socioeducativos, com salas ocupadas por rap, grafite, fotografia, capoeira e poesia, agora ganha dimensão estadual. A Fundação CASA ampliou a parceria com as Fábricas de Cultura, programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, e passará a oferecer uma programação estruturada em 71 centros socioeducativos espalhados pelo Estado.
A iniciativa representa um novo momento para o projeto, que teve início em julho de 2025, quando passou a integrar a rotina de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em unidades da capital e da Região Metropolitana. Na fase inicial, foram previstos ao menos 32 cursos ao longo de um ano, com 320 vagas e cerca de 980 atendimentos, distribuídos entre os centros Governador Mário Covas, Bela Vista, Ônix, São Paulo, Osasco I, Osasco II e Diadema.
Expansão amplia alcance e prevê mais de 9 mil vagas
Com a nova etapa, a ação deixa de atender apenas regiões específicas e passa a contemplar as quatro divisões regionais da Fundação CASA. O investimento total será de R$ 5,25 milhões, sendo R$ 2,62 milhões destinados pela instituição e outros R$ 2,62 milhões pela Secretaria da Cultura.
Os recursos permitirão a realização de 155 turmas simultâneas por trimestre, com até 15 adolescentes em cada uma. Ao todo, serão disponibilizadas 2.325 vagas trimestrais, com expectativa de alcançar até 9.300 vagas até o encerramento da parceria, previsto para 31 de dezembro de 2026.
Na prática, a ampliação garante que um número maior de adolescentes tenha acesso contínuo a experiências de criação e expressão artística dentro da rotina socioeducativa.
Oficinas incluem arte, tecnologia e desenvolvimento pessoal
A programação contempla atividades de teatro, dança, artes visuais, literatura, escrita criativa, slam, circo social, capoeira, yoga, fotografia, audiovisual, produção cultural, produção de conteúdo digital com óculos 3D e introdução à inteligência artificial criativa.
Também fazem parte da grade temas como comunicação não violenta, cultura, sociedade e direitos.
As oficinas serão realizadas no contraturno escolar e terão coordenação pedagógica da Organização Social POIESIS. A proposta é consolidar a cultura como parte permanente do processo socioeducativo, deixando de lado ações isoladas para incorporar atividades semanais capazes de estimular criatividade, convivência e novas perspectivas de futuro.
Cultura como instrumento de transformação social
Durante o lançamento da primeira fase do programa, em 2025, a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton, destacou o impacto simbólico da iniciativa.
“A força real desta entrega está no significado e no simbolismo desse local. Mais de duas décadas depois, o Governo de São Paulo dá um passo corajoso de urbanismo social e ressignificação. Fazer esse anúncio nos conecta diretamente com o futuro. Estamos desenhando um projeto arquitetônico e cultural de altíssimo nível para o centro de São Paulo, preparando a EMESP para celebrar os seus 40 anos em 2029 com a estrutura que nossos milhares de alunos e novos talentos merecem.”
O secretário da Justiça e Cidadania, Arthur Lima, também ressaltou a importância da integração entre cultura e socioeducação.
“Levar cultura para dentro da Fundação CASA é também fazer Justiça. Quando o adolescente encontra espaço para criar e aprender, ele passa a enxergar caminhos que não tinha antes.”
Experiências anteriores reforçam resultados da parceria
Antes da ampliação, a parceria já apresentava resultados positivos. Em 2025, dois adolescentes do CASA Guayi, em Guarulhos, venceram o concurso de redação “Minha Penny Lane“, inspirado na música composta por Paul McCartney e eternizada pelos Beatles.
Como parte da premiação, gravaram a canção autoral “My Street Vilão” em um estúdio profissional das Fábricas de Cultura, demonstrando como a arte pode contribuir para fortalecer autoestima, ampliar repertórios e estimular novos projetos de vida.
O novo ciclo também coincide com outro marco importante: os 30 anos de atuação contínua do Projeto Guri nas unidades da Fundação CASA, reforçando a presença permanente da música e das artes como instrumentos de inclusão e transformação social.
Com a ampliação da parceria, a cultura passa a ocupar um espaço estruturante dentro dos centros socioeducativos. Mais do que preencher o tempo dos adolescentes, as atividades buscam estimular criatividade, pertencimento e novas possibilidades de construção de futuro.