Franquias em alta: o que avaliar antes de investir em 2026
Setor cresce em ritmo acelerado, mas análise jurídica e financeira é decisiva para evitar prejuízos
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O sonho de empreender no Brasil encontra no modelo de franquias um caminho atrativo para quem busca processos testados, marcas consolidadas e menor taxa de mortalidade empresarial. Impulsionado pela melhora da renda e do emprego, o setor registrou crescimento de 13,5% no faturamento em 2024, segundo dados do mercado. A expansão, no entanto, acende um alerta para investidores que entram no franchising sem preparo técnico e visão de longo prazo.
Para a advogada Camila Juliano, especialista em franchising, o investimento em uma franquia deve ser encarado como um compromisso duradouro, com impactos jurídicos e financeiros que se estendem por anos. Segundo ela, decisões tomadas com base apenas no entusiasmo inicial costumam gerar frustrações. Uma análise estruturada, afirma, é o principal fator de proteção do investidor.
Circular de Oferta de Franquia é o ponto de partida

A Circular de Oferta de Franquia, conhecida como COF, é o documento central de qualquer negociação no setor. É nela que estão descritos os direitos, deveres, histórico da rede, balanços financeiros, taxas, suporte oferecido e relação de franqueados ativos e desligados.
Ignorar a leitura minuciosa da COF compromete toda a tomada de decisão. O documento permite confrontar o discurso comercial com a realidade operacional da rede e identificar riscos que não aparecem em apresentações de venda.
Cláusulas contratuais definem o futuro do negócio
Muitos investidores concentram a atenção apenas na taxa de franquia ou no percentual de royalties, mas deixam de avaliar cláusulas que impactam diretamente a viabilidade do negócio ao longo do tempo. Termos relacionados à rescisão contratual, renovação, não concorrência e transferência da unidade podem limitar a autonomia do franqueado e dificultar uma eventual saída do sistema.
Esses pontos ganham ainda mais relevância em um cenário econômico sujeito a mudanças regulatórias e tributárias, como o previsto para os próximos anos.
Conversar com franqueados é etapa obrigatória
A legislação exige que a franqueadora informe na COF o contato de franqueados atuais e daqueles que deixaram a rede nos últimos dois anos. Conversar com esses profissionais é uma das formas mais eficazes de entender o dia a dia da operação, os desafios reais e o nível de suporte oferecido pela marca.
Relatos de ex-franqueados, em especial, ajudam a identificar padrões de conflito, dificuldades financeiras e problemas de relacionamento que não aparecem nos materiais institucionais.
Saúde financeira da franqueadora deve ser auditada
Outro ponto decisivo é a análise dos balanços financeiros da franqueadora, referentes aos dois últimos exercícios fiscais. Esses dados revelam se a empresa é lucrativa, se investe em inovação, se cresce de forma sustentável ou se opera sob pressão financeira.
Uma franqueadora fragilizada tende a repassar riscos ao franqueado, seja por falta de suporte, marketing insuficiente ou instabilidade na gestão da rede.
Custos ocultos e capital de giro definem a sobrevivência

O investimento inicial vai muito além da taxa de franquia. Instalação da unidade, estoque, equipamentos, royalties, fundo de propaganda e despesas operacionais precisam ser cuidadosamente mapeados. Além disso, especialistas recomendam uma reserva financeira suficiente para manter o negócio por pelo menos seis a doze meses sem lucro.
A ausência desse colchão financeiro está entre as principais causas de fechamento precoce de franquias.
Suporte operacional precisa ser concreto
Treinamentos, manuais atualizados, apoio em gestão, tecnologia e marketing são promessas frequentes no franchising. Avaliar se esse suporte é efetivamente entregue faz toda a diferença. Indicadores como rotatividade de franqueados, ações judiciais e conflitos recorrentes devem ser observados com atenção.
Uma rede saudável se sustenta pela padronização e pela capacidade de apoiar seus operadores na ponta.
Assessoria jurídica não é opcional
A leitura técnica do contrato por um advogado especializado em franchising é considerada uma medida preventiva essencial. Cláusulas abusivas, desequilíbrios contratuais e riscos ocultos costumam ser identificados apenas com análise profissional.
No franchising, a assessoria jurídica não representa custo adicional, mas um instrumento de proteção patrimonial.
Reforma Tributária entra no radar do investidor

A partir de 2026, a implementação do IBS e da CBS deve alterar a estrutura de custos das empresas. Investidores precisam verificar se a franqueadora já incorporou esse novo cenário às projeções financeiras e se oferece orientação adequada para a adaptação ao novo regime tributário. Ignorar esse ponto pode comprometer a rentabilidade do negócio em médio prazo.
O crescimento do setor de franquias reforça seu potencial como alternativa de empreendedorismo estruturado. Ainda assim, o sucesso depende menos da marca escolhida e mais da qualidade da análise prévia. Em um mercado aquecido, informação e planejamento continuam sendo os melhores aliados do investidor.