França: do topo do mundo ao fracasso em apenas quatro anos

Entre 1998 e 2002, os Bleus passaram da melhor seleção do planeta para uma eliminação histórica ainda na fase de grupos da Copa do Mundo

Crédito: (Divulgação/DAZN/FIFA)

Quando a França desembarcou na Coreia do Sul e no Japão para disputar a Copa do Mundo de 2002, poucas seleções na história haviam carregado tanto favoritismo. Campeã mundial em 1998, campeã europeia em 2000 e vencedora da Copa das Confederações em 2001, a equipe comandada por Roger Lemerre parecia reunir tudo o que uma seleção precisava para iniciar uma dinastia.

O elenco impressionava: Zidane era o melhor jogador do planeta, Henry brilhava no Arsenal, Trezeguet havia marcado o gol do título da EURO, enquanto Vieira, Desailly, Thuram, Barthez e Pirès completavam uma geração aparentemente sem pontos fracos.

O início da queda

Os primeiros sinais de que algo não estava funcionando surgiram antes mesmo do torneio começar. Robert Pirès, um dos principais jogadores da equipe, sofreu uma grave lesão no joelho semanas antes da competição e ficou fora da convocação.

Zidane - França
(Reprodução/Instagram)

Pouco depois, em um amistoso preparatório contra a Coreia do Sul, Zinédine Zidane sofreu uma lesão muscular que o impediria de atuar nas duas primeiras partidas da fase de grupos. Sem Zidane e Pirès, a França seguia favorita, mas já chegava enfraquecida ao Mundial.

A derrota para Senegal

No dia 31 de maio de 2002, os franceses entraram em campo para enfrentar o Senegal, estreante em Copas do Mundo. De um lado estava a campeã mundial. Do outro, uma equipe que disputava seu primeiro Mundial.

No entanto, aos 30 minutos do primeiro tempo, Papa Bouba Diop aproveitou uma jogada confusa dentro da área e marcou o gol que mudaria a história daquela Copa. A vitória senegalesa por 1 a 0 entrou imediatamente para a galeria das maiores zebras do torneio e abalou uma seleção que não estava acostumada a perder. Pela primeira vez em anos, a França parecia vulnerável.

O desastre

A pressão aumentou no segundo jogo, contra o Uruguai. Para piorar a situação, Thierry Henry foi expulso ainda no primeiro tempo após uma entrada dura em Marcelo Romero. Com um jogador a menos durante boa parte da partida, a França não conseguiu sair do empate sem gols.

A combinação de resultados transformou a última rodada em uma decisão. Zidane voltou contra a Dinamarca, mas ainda estava longe da melhor condição física. Mesmo com a presença de seu principal craque, os franceses continuaram demonstrando dificuldades para criar oportunidades e acabaram derrotados por 2 a 0 , sendo eliminados.

A França encerrou sua participação com apenas um ponto e sem marcar um único gol em três partidas. Foi a pior campanha de um campeão mundial desde que o formato de grupos passou a ser utilizado na competição.

As razões por trás do fracasso da França

As explicações para o fracasso foram variadas: as lesões de Pirès e Zidane, o desgaste físico de uma geração que vinha acumulando títulos e a dependência excessiva do camisa 10. No fim, a eliminação parece ter sido consequência da combinação desses fatores.

A eliminação também inaugurou uma tendência que se repetiria nos anos seguintes. Itália, em 2010; Espanha, em 2014; e Alemanha, em 2018 também cairiam ainda na fase de grupos, fortalecendo a ideia da “maldição do campeão”.

Kylian Mbappé - França
(Divulgação/FIFA)

Ainda hoje, porém, a França de 2002 continua sendo um dos exemplos mais impressionantes de como o favoritismo não garante nada em uma Copa do Mundo. Em poucos meses, a melhor seleção do planeta passou de candidata a uma dinastia à dona de uma das eliminações mais chocantes da história dos Mundiais.

  • Publicado: 03/07/2026 10:45
  • Alterado: 03/07/2026 10:45
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC