Mulheres da FMABC repudiam falas machistas de candidato a reitor
Mais de 220 pessoas assinaram nota de repúdio ao candidato a reitor da FMABC, após falas consideradas machistas e discriminatórias
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 17/10/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Em uma mobilização inédita e expressiva, mais de 220 integrantes do Centro Universitário da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e apoiadores assinaram, em apenas quatro dias, uma nota de repúdio contra as falas e atitudes do candidato ao cargo de reitor, professor doutor Antônio Carlos Palandri Chagas. O episódio ocorreu durante o debate realizado em 10 de outubro de 2025, na reunião do Conselho Universitário (CONSU), em Santo André, e gerou ampla repercussão na comunidade acadêmica.
Segundo o documento, as manifestações do professor foram marcadas por agressividade, desrespeito e tom machista, especialmente quando questionado sobre suas propostas de gestão educacional. A nota cita o uso da expressão “enfermeira padrão”, considerada ultrapassada e excludente, por reforçar estereótipos de gênero e classe, além de outros episódios de intolerância e postura autoritária durante o debate.
Reações dentro da comunidade acadêmica
A professora Maria Lúcia Tomanik Packer, que foi vice-diretora e docente da disciplina de Parasitologia de março de 1976 a junho de 2025, relatou que o comportamento do candidato não se limitou ao evento. Segundo ela, as atitudes ofensivas se repetiram em diferentes momentos, inclusive com funcionárias da instituição.
Durante o CONSU, Chagas teria minimizado a relevância dos nove cursos de graduação oferecidos pelo Centro Universitário — além da Medicina —, classificando-os como subáreas, o que foi interpretado como um gesto de desvalorização acadêmica. Questionado sobre documentos institucionais exigidos pelo Ministério da Educação (MEC), o professor teria afirmado desconhecê-los, demonstrando falta de preparo e descaso com normas que deveriam ser de domínio público, especialmente por quem pleiteia a reitoria.
“Ele agiu como se estivesse impedido de ter acesso às informações públicas, o que é inadmissível em um candidato ao cargo de reitor”, destacou a professora Maria Lúcia.
Sororidade e resistência: o papel das mulheres da FMABC

A iniciativa das mulheres da FMABC vai além da denúncia. O movimento busca fortalecer a sororidade e reafirmar o compromisso ético e solidário da comunidade acadêmica na luta contra o machismo, a discriminação e todas as formas de opressão.
O texto do manifesto ressalta que a universidade deve ser um espaço de diálogo plural, onde a diversidade seja reconhecida como valor central, e atitudes intolerantes ou discriminatórias sejam repudiadas com firmeza.
Além disso, a nota foi publicada em uma plataforma de assinaturas públicas, acompanhada de referências legais que embasam as alegações e reforçam a legitimidade jurídica e moral do posicionamento coletivo.
Debate antecede eleição para reitoria da FMABC
O episódio ocorre às vésperas de uma eleição decisiva para o comando do Centro Universitário. No próximo dia 31 de outubro, duas chapas disputarão a reitoria:
- A chapa de situação, liderada pelo farmacêutico e atual vice-reitor, Fernando Luiz Affonso Fonseca, tendo como vice o médico e professor titular David Feder.
- A chapa de oposição, encabeçada pelo cardiologista e professor titular Antônio Carlos Palandri Chagas, que tem como vice o médico e professor Miguel Antonio Moretti.
O clima eleitoral acirrado e os recentes episódios de tensões e denúncias colocam a FMABC sob os holofotes, com a comunidade acadêmica mobilizada em defesa de valores democráticos e igualitários.
Universidade como espaço de respeito e diálogo
Para as signatárias, o posicionamento público é uma forma de afirmar que a FMABC deve refletir os princípios da ética, do respeito e da inclusão. O repúdio coletivo, sustentam, não é apenas uma resposta a um episódio isolado, mas um marco simbólico na luta por uma instituição mais justa e equitativa.
A nota encerra com uma mensagem clara: “a universidade não pode ser conivente com atitudes machistas ou discriminatórias, devendo agir como exemplo de diálogo e convivência respeitosa”.