Flávio Dino manda PF investigar ataques a imagens religiosas

Ministro Flávio Dino determina que Polícia Federal e PGR investiguem onda de vandalismo e destruição contra imagens católicas e terreiros

Flávio Dino manda PF investigar ataques a imagens religiosas

Crédito: Ministro Flávio Dino (Rosinei Coutinho/STF)

Em determinação proferida nesta quarta-feira (30), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Federal instaure inquérito policial e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie o cabimento de processo legal sobre uma onda de ataques e vandalismos contra símbolos e imagens religiosas em múltiplos estados do país.

A ordem judicial fundamenta-se nas prerrogativas do artigo 144 da Constituição Federal, justificando a intervenção da Polícia Federal devido à abrangência interestadual dos episódios e à ostensiva violação de direitos humanos e da liberdade de culto garantida pela Carta Magna.

A decisão surge em meio aos desdobramentos das polêmicas sobre o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O ministro Flávio Dino ressaltou que, após suas manifestações anteriores na Corte no último domingo (27), seu gabinete recebeu relatórios documentados pela imprensa sobre a escalada de agressões violentas contra templos e monumentos de diversas matrizes religiosas em território nacional.

Relatos de vandalismo, intolerância e ecumenismo atingido

A representação do ministro compila casos recentes de destruição, incêndios criminosos, invasões de domicílio e furtos de itens litúrgicos ocorridos em pelo menos oito estados brasileiros de diferentes regiões.

Imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Flávio Dino
Arquivo Canção Nova

Entre os episódios citados no despacho, que atingem monumentos católicos, evangélicos e terreiros de religiões de matriz africana, destacam-se:

  • Bahia: Depredação de imagens sacras na Paróquia Senhor Bom Jesus dos Milagres e na Igreja Santa Dulce dos Pobres, em Salvador, além da destruição de um assentamento de Exu em terreiro de candomblé na cidade de Santo Amaro.
  • Mato Grosso e Pará: Ataque com machado a uma estátua de Nossa Senhora Aparecida em capela em Jauru, depredação de monumento em Cuiabá e o incêndio criminoso de uma imagem da santa com combustível e pneus na rodovia BR-163, em Novo Progresso.
  • Paraná e Rio Grande do Sul: Vandalismo recorrente contra loja de artigos católicos em Londrina — destruindo estátuas de São Miguel Arcanjo e Santa Rita de Cássia — e depredação de imagens de anjos dentro da Catedral de São Pedro, em Rio Grande.
  • Alagoas e Minas Gerais: Agressão a monumento da padroeira em Maceió e invasão a terreiro de umbanda na Grande Belo Horizonte, com destruição de orixás e furto de objetos sagrados.

Enquadramento penal e garantias constitutionais de culto

Na fundamentação enviada aos órgãos de cúpula da segurança pública e do Ministério Público Federal, Flávio Dino ressaltou a presença de indícios de diversas infrações tipificadas pelo Código Penal.

Ministro da Justiça e Segurança Pública. Flávio Dino
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

As condutas sob apuração incluem o crime de ultraje a culto (na modalidade vilipêndio a objeto de culto religioso), dano qualificado, incêndio, ameaça, violação de domicílio, furto qualificado e injúria racial motivada por elementos de discriminação religiosa.

“Após a minha decisão visando preservar a liberdade religiosa, chegaram ao Gabinete notícias de várias partes do Brasil demonstrando uma aparente onda de ataques contra imagens religiosas”, fundamentou o ministro Flávio Dino ao acionar os órgãos federais.

O Supremo Tribunal Federal reiterou que a preservação dos espaços de devoção e dos símbolos das diversas manifestações de fé constitui pilar fundamental da cidadania e da proteção internacional dos direitos humanos.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 30/09/2026 11:35
  • Alterado: 30/09/2026 11:59
  • Autor: Daniela Ferreira