Flávio Bolsonaro entra no radar do Centrão e do mercado para 2026

Movimentações do Centrão, reação do mercado financeiro e avanço nas pesquisas colocam Flávio Bolsonaro no centro da disputa presidencial

Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A melhor estratégia que o chamado Centrão pode adotar neste momento é conter o descontentamento — baseado em interesses previamente vislumbrados — e sinalizar ao mercado financeiro, especialmente aos chamados “meninos da Faria Lima”, que o nome a ser carregado nas urnas será Flávio Bolsonaro.

Atento aos índices de rejeição, nem Gilberto Kassab conseguiu antecipar a jogada de Jair Bolsonaro neste tabuleiro político. Tampouco Valdemar Costa Neto ou Ciro Nogueira imaginavam que toda a arquitetura construída junto ao mercado financeiro em torno de Tarcísio de Freitas pudesse se mostrar, ao menos por ora, infrutífera.

É evidente que cabe a Flávio Bolsonaro realizar boa parte do trabalho de redução da rejeição. No entanto, um dado o mantém no centro do palco político e tem imposto silêncio aos caciques partidários: seu posicionamento nas pesquisas eleitorais. A chamada curva de crescimento, ao menos neste momento, aponta para cima, o que altera a correlação de forças.

Pesquisas, entrevistas e a curva de rejeição

Ratinho recebe Flávio Bolsonaro
Ratinho recebe Flávio Bolsonaro
(Reprodução/SBT)

Não houve perda de tempo. Em apenas dois ou três dias, Flávio concedeu cerca de cinco ou seis entrevistas — Programa do Ratinho, Léo Dias, Inteligência Ltda., Revista Oeste, entre outros — nas quais tem sido claramente preparado para lidar com naturalidade com questionamentos duros. Questionamentos esses que tendem a se intensificar assim que a esquerda detectar qualquer oscilação positiva nos índices de rejeição do senador.

Nesta semana, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, declarou publicamente apoio a Flávio Bolsonaro. O gesto carrega múltiplas mensagens políticas. A primeira delas é a sinalização clara do MDB em direção à candidatura. A segunda é a consolidação do entendimento de que Tarcísio de Freitas permanecerá em São Paulo, disputando a reeleição ao governo estadual. Caso contrário, o próprio Ricardo Nunes seria o nome natural para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes.

Centrão, mercado e o início da polarização

Para Flávio Bolsonaro, o objetivo central passa a ser manter a curva ascendente nas intenções de voto e, simultaneamente, estimular a curva descendente da rejeição, indicador que passou a ser observado com lupa pelo mercado.

Diante de um cenário de verdadeiro “xeque” no tabuleiro político, a sugestão aos Faria Limers e ao Centrão fisiológico é clara: trabalhar intensamente para reduzir a rejeição de Flávio Bolsonaro. Ao que tudo indica, a candidatura é irreversível, e o mercado já deu sinais evidentes de inquietação diante da possibilidade de mais quatro anos de governo Lula.

Na política, uma das estratégias clássicas é a escolha do adversário com quem se deseja polarizar. A reação da esquerda sugere que Lula prefere enfrentar Flávio Bolsonaro a Tarcísio de Freitas, por enxergar no filho do ex-presidente um adversário potencialmente mais vulnerável nas urnas.

Lula X Flávio Bolsonaro

Presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro
Presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro
(Ricardo Stuckert/PR e Lula Marques/Agência Brasil)

A tendência é que, à medida que caciques partidários e governadores passem a apresentar às suas bases o nome que deverá ser trabalhado, os números reforcem essa polarização, levando o governo federal a partir para um ataque frontal contra Flávio Bolsonaro.

O senador, por sua vez, já começou a convidar Lula para a arena política. O lançamento das peças de marketing intituladas “Tesourada” marca o início de uma ofensiva direta contra as políticas econômicas e de segurança do governo federal. As mensagens são direcionadas ao setor industrial e consumidores, ao mercado financeiro e aos governos estaduais.

Se Lula aceitar o convite e subir ao ringue, a campanha presidencial, na prática, estará oficialmente iniciada.

Márcio Prado

Márcio Prado - Peninha - Ribeirão Pires
Peninha (Divulgação)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 17/12/2025
  • Fonte: Sorria!,