Filmes nacionais ganham mostra gratuita em Santo André
Programação de abril do Cineclube em Santo André destaca clássicos do cinema brasileiro, incluindo obras de Humberto Mauro e Lima Barreto.
- Publicado: 31/03/2026 18:55
- Alterado: 31/03/2026 18:55
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: PSA
A parceria estratégica entre a Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André (ELCV) e o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo renova a agenda cultural da região em abril. O Cineclube ELCV retoma suas atividades no espaço “A Casa”, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar filmes nacionais que marcaram época, com exibições gratuitas e debates sobre a estética audiovisual brasileira.
Clássicos da era de ouro e o jogo do bicho
A programação começa nesta quarta-feira (1º), às 19h, com a exibição de Amei um Bicheiro (1952). Dirigido por Paulo Wanderley e Jorge Ileli, o longa-metragem é um exemplar do cinema policial brasileiro da década de 50. A trama acompanha a trajetória de Carlos (Cyl Farney), um jovem do interior que se envolve com a contravenção no Rio de Janeiro e acaba em um embate perigoso com o bicheiro Almeida, interpretado por José Lewgoy.
O filme é notável pela presença de Grande Otelo, um dos maiores ícones da história dos filmes nacionais. A obra equilibra o drama social com a tensão do submundo carioca, oferecendo um retrato fiel das ambições e dilemas éticos da sociedade urbana daquela época.
O silêncio e o épico no sertão
No dia 15 de abril, o Cineclube resgata o cinema silencioso com Brasa Adormecida (1928), sob a direção do mestre Humberto Mauro. O enredo aborda os conflitos de classe e romance em uma usina mineira, sendo fundamental para compreender o desenvolvimento técnico da cinematografia brasileira.
Na sequência, em 22 de abril, o público poderá conferir O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto. Este título detém relevância histórica internacional para os filmes nacionais, tendo sido premiado no Festival de Cannes.
“A obra de Lima Barreto não é apenas um filme sobre o cangaço, mas uma peça estética que definiu a identidade visual do Brasil no exterior por décadas”, avaliam especialistas em curadoria audiovisual.
A narrativa foca no conflito entre o bando de Galdino e o dilema moral do capitão Teodoro, que se apaixona por uma prisioneira e decide enfrentar o próprio bando para libertá-la.
Vanguarda e encerramento da mostra
Para encerrar a grade mensal no dia 29 de abril, será exibido Limite (1931), de Mário Peixoto. Considerado por muitos críticos como o maior expoente entre todos os filmes nacionais de vanguarda, a obra utiliza uma linguagem poética e metafórica para narrar a deriva de três náufragos.
A exibição de Limite é uma oportunidade rara para estudantes e entusiastas do cinema observarem a aplicação de técnicas experimentais de montagem e fotografia que desafiaram os padrões narrativos de sua geração. A curadoria reforça o compromisso da ELCV em democratizar o acesso a filmes nacionais que, embora essenciais, raramente figuram nos circuitos comerciais contemporâneos.
| Data | Filme | Direção | Ano |
| 01/04 | Amei um Bicheiro | Paulo Wanderley/Jorge Ileli | 1952 |
| 15/04 | Brasa Adormecida | Humberto Mauro | 1928 |
| 22/04 | O Cangaceiro | Lima Barreto | 1953 |
| 29/04 | Limite | Mário Peixoto | 1931 |
Serviço
Cineclube ELCV
- Local: Espaço A Casa – Escola Livre de Cinema e Vídeo
- Endereço: Avenida Industrial, 1.740 – Bairro Campestre, Santo André
- Entrada: Gratuita
- Horário: 19h (exceto dia 29, às 20h)