Filmes nacionais ganham mostra gratuita em Santo André

Programação de abril do Cineclube em Santo André destaca clássicos do cinema brasileiro, incluindo obras de Humberto Mauro e Lima Barreto.

Crédito: Divulgação

A parceria estratégica entre a Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André (ELCV) e o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo renova a agenda cultural da região em abril. O Cineclube ELCV retoma suas atividades no espaço “A Casa”, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar filmes nacionais que marcaram época, com exibições gratuitas e debates sobre a estética audiovisual brasileira.

Clássicos da era de ouro e o jogo do bicho

A programação começa nesta quarta-feira (1º), às 19h, com a exibição de Amei um Bicheiro (1952). Dirigido por Paulo Wanderley e Jorge Ileli, o longa-metragem é um exemplar do cinema policial brasileiro da década de 50. A trama acompanha a trajetória de Carlos (Cyl Farney), um jovem do interior que se envolve com a contravenção no Rio de Janeiro e acaba em um embate perigoso com o bicheiro Almeida, interpretado por José Lewgoy.

O filme é notável pela presença de Grande Otelo, um dos maiores ícones da história dos filmes nacionais. A obra equilibra o drama social com a tensão do submundo carioca, oferecendo um retrato fiel das ambições e dilemas éticos da sociedade urbana daquela época.

O silêncio e o épico no sertão

No dia 15 de abril, o Cineclube resgata o cinema silencioso com Brasa Adormecida (1928), sob a direção do mestre Humberto Mauro. O enredo aborda os conflitos de classe e romance em uma usina mineira, sendo fundamental para compreender o desenvolvimento técnico da cinematografia brasileira.

Na sequência, em 22 de abril, o público poderá conferir O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto. Este título detém relevância histórica internacional para os filmes nacionais, tendo sido premiado no Festival de Cannes.

“A obra de Lima Barreto não é apenas um filme sobre o cangaço, mas uma peça estética que definiu a identidade visual do Brasil no exterior por décadas”, avaliam especialistas em curadoria audiovisual.

A narrativa foca no conflito entre o bando de Galdino e o dilema moral do capitão Teodoro, que se apaixona por uma prisioneira e decide enfrentar o próprio bando para libertá-la.

Vanguarda e encerramento da mostra

Para encerrar a grade mensal no dia 29 de abril, será exibido Limite (1931), de Mário Peixoto. Considerado por muitos críticos como o maior expoente entre todos os filmes nacionais de vanguarda, a obra utiliza uma linguagem poética e metafórica para narrar a deriva de três náufragos.

A exibição de Limite é uma oportunidade rara para estudantes e entusiastas do cinema observarem a aplicação de técnicas experimentais de montagem e fotografia que desafiaram os padrões narrativos de sua geração. A curadoria reforça o compromisso da ELCV em democratizar o acesso a filmes nacionais que, embora essenciais, raramente figuram nos circuitos comerciais contemporâneos.

DataFilmeDireçãoAno
01/04Amei um BicheiroPaulo Wanderley/Jorge Ileli1952
15/04Brasa AdormecidaHumberto Mauro1928
22/04O CangaceiroLima Barreto1953
29/04LimiteMário Peixoto1931

Serviço

Cineclube ELCV

  • Local: Espaço A Casa – Escola Livre de Cinema e Vídeo
  • Endereço: Avenida Industrial, 1.740 – Bairro Campestre, Santo André
  • Entrada: Gratuita
  • Horário: 19h (exceto dia 29, às 20h)
  • Publicado: 31/03/2026 18:55
  • Alterado: 31/03/2026 18:55
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: PSA