Fila do INSS recua para menor nível desde 2024, diz presidente

Estoque de pedidos caiu pelo quarto mês consecutivo e chegou a 1,9 milhão; direção do instituto afirma que meta é zerar processos fora do prazo até setembro

Crédito: Divulgação

A fila de pedidos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou nova redução e atingiu o menor patamar desde outubro de 2024. Segundo a presidente do órgão, Ana Cristina Silveira, o estoque de requerimentos caiu para 1,9 milhão de processos até o dia 25 de junho, consolidando o quarto mês consecutivo de diminuição.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu a presidência do instituto, em abril, Silveira afirmou que a expectativa é de continuidade da redução ao longo dos próximos meses, embora em ritmo mais moderado. A estratégia, segundo ela, inclui mudanças nos sistemas, aperfeiçoamento dos fluxos de trabalho e maior integração entre os órgãos responsáveis pela gestão previdenciária.

Meta é eliminar processos fora do prazo

Apesar da melhora nos números, a presidente destacou que ainda existem 616 mil requerimentos com prazo de análise vencido. A meta estabelecida pelo governo federal é eliminar esse estoque até o fim de setembro.

De acordo com Ana Cristina Silveira, parte dos 1,9 milhão de pedidos restantes está dentro do prazo legal de 45 dias ou depende do envio de informações complementares pelos próprios segurados.

“A gente está ajustando o fluxo, melhorando o sistema, trazendo os órgãos para trabalhar junto, Ministério da Previdência, Dataprev, INSS. Essa diminuição da fila vai acontecer paulatinamente”, afirmou a presidente.

Segundo ela, a redução tende a ser menos acelerada daqui para frente porque os casos de solução mais simples já foram priorizados nos últimos meses.

Estabilidade dos sistemas é prioridade

Outro desafio apontado pela presidente é a estabilidade dos sistemas utilizados pelo INSS. Falhas frequentes nas plataformas vinham afetando tanto o atendimento aos segurados quanto a produtividade dos servidores.

Silveira afirmou que uma das prioridades da atual gestão é reduzir interrupções nos serviços por meio de reuniões semanais com a Dataprev para definir melhorias e programar atualizações em horários de menor movimento.

“O principal que a gente está trabalhando é a estabilidade do sistema. No último mês, não teve queda de sistema”, declarou.

A Dataprev informou que, em 2026, não houve registro de descumprimento dos acordos de nível de serviço, que preveem disponibilidade mínima de 98% dos sistemas.

Mudanças na força de trabalho

Como parte das medidas para acelerar a análise dos benefícios, o INSS redistribuiu servidores de outras áreas para reforçar a avaliação dos pedidos iniciais. Também reduziu temporariamente o ritmo das revisões do Benefício de Prestação Continuada (BPC), sem interromper completamente esse trabalho.

Segundo a presidente, a medida busca equilibrar a capacidade operacional do instituto diante da elevada demanda.

“Diminuímos um pouco o ritmo para que a gente pudesse dar vazão aos requerimentos iniciais, mas sem deixar de fazer a revisão. A gente só precisou equalizar”, explicou.

Reposição de servidores está entre os desafios

A recomposição do quadro de servidores também integra os planos da nova gestão. Conforme os dados apresentados pela presidente, o INSS passou de 33,8 mil servidores ativos no início de 2018 para 17,8 mil no começo de 2026, reflexo principalmente das aposentadorias ocorridas nos últimos anos.

O instituto calcula necessidade de contratar cerca de 10 mil novos servidores, mas apresentou inicialmente um pedido considerado emergencial para a nomeação de 2 mil concursados em 2027, além dos 300 já convocados neste ano. A autorização depende do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Silveira afirmou ainda que o objetivo é ampliar gradualmente o atendimento presencial nas agências, sem descartar o trabalho remoto, que considera importante para manter a produtividade na análise dos processos.

Presidente rebate críticas sobre aumento de negativas

Ana Cristina Silveira também contestou críticas de que a redução da fila estaria sendo obtida por meio do aumento de indeferimentos dos pedidos de benefícios.

Segundo ela, os dados mostram crescimento simultâneo no número de análises e de concessões. Em março, o INSS registrou cerca de 890 mil benefícios concedidos, enquanto abril e maio encerraram com mais de 700 mil concessões cada.

“A gente está analisando mais, mais rápido, mas estamos concedendo mais. Então não procede a informação de que a gente está analisando mais rápido e indeferindo. Está sendo proporcional”, afirmou a presidente.

  • Publicado: 28/06/2026 13:59
  • Alterado: 28/06/2026 14:00
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress