Festival de Cinema de SBC chega à 3ª edição com apoio da Prefeitura
Evento ocorre nos Pavilhões Vera Cruz; Prefeitura cede espaço, sem investimento público
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O 3º Festival de Cinema de São Bernardo do Campo teve início com a promessa de consolidar de vez o município no circuito audiovisual brasileiro. Inspirado no legado da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, considerada a “Hollywood brasileira” entre 1949 e 1954, o evento ocorre de 26 a 30 de novembro de 2025 no pavilhão Vera Cruz, reunindo produções nacionais, artistas de renome e jovens talentos da cidade.
De caráter competitivo e abrangência nacional, a nova edição do Festival de Cinema se destaca por ser a primeira a contar com apoio da Prefeitura, ainda que esse suporte se limite exclusivamente à cessão do espaço, sem qualquer investimento financeiro direto. A decisão reforça um modelo de parceria entre o poder público e produtores independentes, dando visibilidade à produção audiovisual brasileira e ao patrimônio cultural tombado dos estúdios.
O prefeito Marcelo Lima reforçou que o Festival de Cinema está sendo realizado “com apoio da iniciativa privada e a Prefeitura entra apenas com o espaço. Não tem recurso público municipal”. A entrada para todas as sessões é gratuita, incentivando o acesso democrático ao cinema nacional e à cultura da cidade, que possui mais de 810 mil habitantes. A única sugestão é a doação de um quilo de alimento não perecível, que será destinado ao Fundo de Solidariedade do município.
A força da iniciativa privada no templo do cinema

A ausência de investimento financeiro municipal direto não diminui a relevância da parceria, mas sim ressalta o papel da iniciativa privada e da produção independente. Realizadores e produtores veem na cessão do icônico Pavilhão Vera Cruz, patrimônio cultural tombado, a chave para a grandiosidade do evento.
O produtor Rudy, um dos organizadores do Festival de Cinema de São Bernardo, sublinhou a importância de reativar o local:
“É uma honra para nós, daqui de São Bernardo, que somos apaixonados por cinema, entender que esse espaço é um templo nosso, que a gente precisa realmente fazer o possível e o impossível para celebrar essa memória, esse passado que foi tão glorioso, foi onde mais se sonhou o cinema no Brasil, foi aqui.”
A celebração da memória da Vera Cruz transcende o resgate histórico. A parceria, segundo ele, foi primordial: “Sem a parceria do Marcelo, seria inviável a gente poder possibilitar uma edição tão grandiosa como essa.”
O Festival de Cinema visto como uma oportunidade de São Bernardo ser reconhecida nacionalmente, atraindo “turistas e produtores e realizadores do Brasil todo que querem conhecer a cidade através da ótica do cinema dos antigos estúdios da Veracruz.”
Com mais de 90 filmes em exibição, sendo mais de 100 no total, incluindo as mostras e a competição, o festival se equipara a grandes eventos do circuito nacional, como o Festival de Gramado e o Festival do Rio. Rudy ressaltou a natureza democrática do evento, notando o alto custo do entretenimento hoje:
“Hoje a gente sabe que o ingresso do cinema está em torno de 40 reais, às vezes um pouco mais. Então, trazer a sua família com os filhos e poder desfrutar de uma pipoca aqui dentro do Templo do Cinema, acho que é um presente maravilhoso para a cidade e para todos que respiram o cinema.”
Cultura, economia e inclusão

O Festival de Cinema de SBC não é apenas uma mostra de arte; ele atua como um motor econômico e um espaço de formação. Rudy citou dados recentes que mostram a força do setor:
“A indústria do cinema, Marcelo, hoje está empregando até mais do que a indústria automotiva e a da farmacêutica. Então, isso, além de cultura, é economia, é mercado.”
A secretária de Cultura, Samara, destacou a importância do investimento público na base, apesar da ausência de recursos diretos no Festival: “temos na cidade um centro de audiovisual avançado que nós formamos aqui a cada dois anos 250 alunos com recurso de ponte 1 da prefeitura, então a prefeitura investe nesses alunos e nada mais justo do que ter esse espaço sendo ocupado por eles para trazer esse retorno.”
Ela reforçou o compromisso da pasta em dar visibilidade e autonomia para os produtores locais, alinhado com o Plano Municipal de Políticas Culturais assinado recentemente, que estabelece diretrizes para o setor.
Outro ponto central desta edição do Festival de Cinema é o foco na inclusão. O festival traz uma filmografia muito plural, muito inclusiva, uma filmografia com diretores e diretoras mulheres de protagonismo negro.
Em consonância com o encerramento do Mês da Consciência Negra, o festival homenageia grandes nomes da cultura negra. O troféu do evento é uma homenagem a Dona Ruth de Souza, que fez parte do elenco fixo da Vera Cruz e foi a primeira artista brasileira a receber uma indicação internacional no Festival de Veneza em 1954 pelo filme Sinhá Moça.
A lista de homenageados desta edição inclui nomes como Natália Timber, Daniel Filho, Lázaro Ramos, e o já confirmado Antônio Pitanga. Caco Ciocler é um dos artistas com filmes em competição.
Acessibilidade tecnológica e o resgate da história

Em relação à acessibilidade, o festival inova ao utilizar a tecnologia em parceria com o aplicativo M-Load.
“possibilita alguns filmes que têm a tecnologia sincronizar com o celular e aí você possibilita pessoas que têm alguma deficiência auditiva ou visual possam participar da sessão sem que seja uma sessão exclusiva. Na mesma sessão, há a inclusão na própria sessão,” explicou Rudy, reforçando o compromisso com a inclusão.
A importância do espaço histórico da Vera Cruz foi um tema comum entre os participantes. O prefeito Marcelo Lima lembrou que o Plano Municipal de Cultura que embasa as ações culturais do município “já estava há mais de 10 anos aguardando que alguém fizesse um planejamento cultural para São Bernardo.”
Com o Pavilhão sendo “ocupado com artistas da cidade, com produções locais, videoclipes do pessoal que estuda na Escola de Cinema aqui de São Bernardo,” o 3º Festival de Cinema de São Bernardo do Campo promete ser um marco, mostrando que a história gloriosa da Vera Cruz, embora sem aporte financeiro público direto para a sua realização, permanece viva, impulsionada pela paixão, talento local e a iniciativa privada.