Feriados ampliam disputas na guarda dos filhos
Quando a sobrecarga materna se torna mais evidente nos feriados prolongados
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 17/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Feriados prolongados e datas comemorativas, como o Carnaval ou o Natal, deveriam ser momentos de descanso, mas para muitas famílias separadas, eles acabam virando sinônimo de dor de cabeça. É nessas horas que os problemas na divisão de tarefas entre pais e mães aparecem com força. Geralmente, aquele pai que quase não participa do dia a dia da criança resolve exigir um tempo maior justamente nos dias de festa, feriados.
Especialistas alertam que, quando a Justiça ignora essa realidade, quem sofre são os filhos, que acabam expostos a traumas e muita instabilidade emocional.
O peso do cuidado invisível
Você já parou para pensar em quem organiza a mochila, marca o médico e confere o dever de casa o ano todo? Dados da ONU Mulheres e do Datafolha confirmam o que muita gente sente na pele: mesmo após o divórcio, as mães continuam sobrecarregadas com o trabalho de cuidado não remunerado.
Na prática, feriados e férias escancaram a diferença entre “visita para o lazer” e “ser pai ou mãe de verdade”. Enquanto a mãe sustenta a rotina pesada o ano inteiro, o outro genitor muitas vezes quer apenas a parte divertida da convivência, sem assumir as responsabilidades reais que o cuidado contínuo exige.

Para a advogada Victoria Acosta, especialista em Direito de Família, dar períodos longos de convivência para quem não participa do cotidiano cria uma “falsa igualdade”. Segundo ela, só faz sentido dividir o tempo de festa se as responsabilidades do dia a dia também forem divididas.
O impacto nas crianças

Quem mais sente o impacto dessa briga são os pequenos. Estudos do Unicef Brasil mostram que crianças precisam de rotina e estabilidade para crescerem bem. Mudar tudo de repente para atender ao desejo de um adulto pode gerar ansiedade, medo e resistência em ir com o genitor.
A Dra. Victoria defende que os juízes precisam analisar se o pai quer ser presente de fato ou se quer ser pai “apenas quando tem vontade”. A prioridade deve ser sempre o bem-estar da criança e o respeito à mãe que exerce o cuidado real.
Como evitar que os feriados virem campos de batalha
A boa notícia é que dá para diminuir esses conflitos em feriados com organização e conversa. Confira algumas dicas práticas:
- Combine as regras antes: Deixe claro os horários de sono, a alimentação e os compromissos de saúde. Se o pai ou a mãe que vai levar a criança souber exatamente o que precisa ser feito, o período flui melhor.
- Foque na criança, não na disputa: Acordos flexíveis funcionam bem quando os pais conseguem conversar sem precisar levar tudo para o juiz.
- Respeite o tempo do seu filho: Se a criança não se sente segura para passar muitos dias longe de quem cuida dela sempre, não force a barra. É preciso preparar o terreno com calma e acolhimento, sem imposições que causem trauma.
No fim das contas, a convivência deve ser um direito da criança de estar com quem ama, e não um troféu disputado pelos adultos.