Feriados ampliam disputas na guarda dos filhos

Quando a sobrecarga materna se torna mais evidente nos feriados prolongados

Crédito: Marcello casal Jr./Agência Brasil

Feriados prolongados e datas comemorativas, como o Carnaval ou o Natal, deveriam ser momentos de descanso, mas para muitas famílias separadas, eles acabam virando sinônimo de dor de cabeça. É nessas horas que os problemas na divisão de tarefas entre pais e mães aparecem com força. Geralmente, aquele pai que quase não participa do dia a dia da criança resolve exigir um tempo maior justamente nos dias de festa, feriados.

Especialistas alertam que, quando a Justiça ignora essa realidade, quem sofre são os filhos, que acabam expostos a traumas e muita instabilidade emocional.

O peso do cuidado invisível

Você já parou para pensar em quem organiza a mochila, marca o médico e confere o dever de casa o ano todo? Dados da ONU Mulheres e do Datafolha confirmam o que muita gente sente na pele: mesmo após o divórcio, as mães continuam sobrecarregadas com o trabalho de cuidado não remunerado.

Na prática, feriados e férias escancaram a diferença entre “visita para o lazer” e “ser pai ou mãe de verdade”. Enquanto a mãe sustenta a rotina pesada o ano inteiro, o outro genitor muitas vezes quer apenas a parte divertida da convivência, sem assumir as responsabilidades reais que o cuidado contínuo exige.

Victória Araújo Acosta

Para a advogada Victoria Acosta, especialista em Direito de Família, dar períodos longos de convivência para quem não participa do cotidiano cria uma “falsa igualdade”. Segundo ela, só faz sentido dividir o tempo de festa se as responsabilidades do dia a dia também forem divididas.

O impacto nas crianças

Crianças - Filhos - Feriados
Arquivo/Agência Brasil – Disputas de convivência dos filhos nos feriados

Quem mais sente o impacto dessa briga são os pequenos. Estudos do Unicef Brasil mostram que crianças precisam de rotina e estabilidade para crescerem bem. Mudar tudo de repente para atender ao desejo de um adulto pode gerar ansiedade, medo e resistência em ir com o genitor.

A Dra. Victoria defende que os juízes precisam analisar se o pai quer ser presente de fato ou se quer ser pai “apenas quando tem vontade”. A prioridade deve ser sempre o bem-estar da criança e o respeito à mãe que exerce o cuidado real.

Como evitar que os feriados virem campos de batalha

A boa notícia é que dá para diminuir esses conflitos em feriados com organização e conversa. Confira algumas dicas práticas:

  • Combine as regras antes: Deixe claro os horários de sono, a alimentação e os compromissos de saúde. Se o pai ou a mãe que vai levar a criança souber exatamente o que precisa ser feito, o período flui melhor.
  • Foque na criança, não na disputa: Acordos flexíveis funcionam bem quando os pais conseguem conversar sem precisar levar tudo para o juiz.
  • Respeite o tempo do seu filho: Se a criança não se sente segura para passar muitos dias longe de quem cuida dela sempre, não force a barra. É preciso preparar o terreno com calma e acolhimento, sem imposições que causem trauma.

No fim das contas, a convivência deve ser um direito da criança de estar com quem ama, e não um troféu disputado pelos adultos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 17/02/2026
  • Fonte: Sorria!,