FEI cria ferramenta para gestão de obras públicas

Ferramenta criada por pesquisadores da FEI utiliza dados financeiros e indicadores sociais para ajudar gestores públicos a identificar riscos antes da interrupção de contratos

Crédito: Divulgação / Governo de SP

O Centro Universitário FEI desenvolveu um modelo analítico inovador para atuar como um sistema de previsão e gestão de obras públicas no Brasil. A ferramenta foi criada pelos pesquisadores Marco Antonio Portugal e Gabriela Scur no Programa de Pós-Graduação em Administração da instituição, reconhecida por ter criado o primeiro curso de Administração do Brasil e da América Latina. O objetivo é auxiliar prefeituras, ministérios federais e órgãos de fiscalização na identificação de riscos em contratos de infraestrutura antes que as obras sejam oficialmente paralisadas.

Modelo da FEI ajuda gestores a definir prioridades

Além de antecipar problemas, o modelo também funciona como um instrumento de apoio à tomada de decisão. A solução permite que gestores públicos priorizem investimentos e a retomada de obras paralisadas com base em critérios técnicos. Para isso, combina dados financeiros com indicadores sociais, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios e as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A partir dessas informações, a ferramenta gera uma classificação de criticidade, apontando quais empreendimentos exigem maior atenção e devem receber prioridade na aplicação dos recursos públicos.

Pesquisa analisou mais de 46 mil contratos públicos

Para desenvolver o sistema de alerta, os pesquisadores utilizaram uma base de dados do Tribunal de Contas da União (TCU) com mais de 46 mil contratos de obras públicas. A análise revelou que 86,98% dos contratos apresentaram ao menos um sinal objetivo de atraso, estagnação ou desequilíbrio físico-financeiro, evidenciando a necessidade de mecanismos de monitoramento preventivo.

Segundo Gabriela Scur, professora de Administração da FEI, a paralisação de obras vai muito além da falta de recursos financeiros.

“O senso comum costuma atribuir a paralisação de obras apenas à falta de recursos, mas a pesquisa mostra que falhas de governança, coordenação e gestão contratual também são determinantes. Desenvolvemos uma matriz de monitoramento preventivo para apoiar gestores públicos na identificação de sinais de risco antes que a paralisação da obra se consolide.

Ferramenta busca aumentar eficiência e transparência

Ao transformar grandes volumes de dados em uma matriz de apoio à decisão, o estudo da FEI foi desenvolvido para aplicação prática por prefeituras, ministérios e Tribunais de Contas na gestão de obras públicas. A proposta é permitir que os gestores adotem uma atuação preventiva, baseada em evidências e orientada à mitigação de riscos, corrigindo problemas nos contratos ainda durante sua execução.

Com uma metodologia técnica e padronizada, a FEI pretende contribuir para o aumento da eficiência das políticas públicas, promovendo maior transparência na gestão dos recursos e reduzindo desperdícios em projetos de infraestrutura no país.

  • Publicado: 02/07/2026 09:04
  • Alterado: 02/07/2026 09:04
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: FEI