Fazenda reduz previsão de crescimento do PIB em 2024 de 2,5% para 2,3%
O Ministério da Fazenda revisou a previsão do PIB para 2025 de 2,5% para 2,3%, e ajustou a inflação esperada para 4,8%. A desaceleração econômica é evidente.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em resposta aos indícios de desaceleração econômica observados no segundo trimestre de 2023, o Ministério da Fazenda anunciou uma revisão nas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025, reduzindo a estimativa de 2,5% para 2,3%.
Além disso, as expectativas em relação à inflação também sofreram ajustes, embora em menor escala. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o principal indicador de inflação do Brasil, deverá apresentar uma alta de 4,8%, ainda acima do limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3%, com uma margem de tolerância até 4,5%. A previsão anterior apontava uma variação de 4,9%.
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Essas novas projeções foram publicadas no Boletim Macrofiscal, que foi lançado na quinta-feira (11) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.
A SPE observou que “o ritmo de crescimento das concessões de crédito está diminuindo, acompanhado pelo aumento nas taxas de juros e na inadimplência. Apesar da taxa de desemprego se manter em níveis historicamente baixos, já é possível notar uma desaceleração na expansão dos rendimentos reais.“
De acordo com a Secretaria, essa diminuição no crescimento econômico é resultado das ações do Banco Central para controlar a inflação. Em setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um novo ciclo de elevação da taxa Selic, que estava em 10,50% ao ano. Após uma série de aumentos consecutivos, a Selic atingiu 15% ao ano em junho e se mantém nesse patamar – o mais alto desde 2006.
“Para o próximo trimestre, a expectativa é que a desaceleração econômica persista”, acrescentou a secretaria no boletim. Dados recentes mostraram queda na produção industrial e nas vendas do varejo restrito, que não considera automóveis e materiais de construção.
Adicionalmente, as tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras podem intensificar essa tendência de desaquecimento econômico, impactando negativamente setores como indústria, investimentos e comércio exterior.
A SPE dedicou uma seção do boletim para analisar os efeitos das tarifas sobre a economia. As estimativas foram realizadas com base em 22 setores econômicos para entender as inter-relações entre produção, comércio, emprego e preços nas economias abertas.
Os resultados indicam que essas tarifas podem resultar em uma redução de 0,2 ponto percentual no PIB entre agosto de 2025 e dezembro de 2026.
A secretaria destacou que “esse impacto decorre da diminuição da demanda externa e seus efeitos sobre os investimentos. As exportações líquidas devem cair em 0,1 ponto percentual em relação ao PIB, sendo que a queda nas vendas para os EUA não será totalmente compensada por redirecionamentos para outros mercados. Além disso, a taxa de desemprego deve aumentar em 0,1 ponto percentual no acumulado do período, reforçando os efeitos negativos deste choque.”
A previsão é que cerca de 138 mil empregos sejam perdidos durante esse intervalo, sendo a maior parte concentrada na indústria (71.500 postos), seguidos pelos serviços (51.800) e agropecuária (14.700).
No entanto, quando são consideradas as medidas compensatórias do governo através do chamado Plano Brasil Soberano – que inclui linhas de crédito subsidiado e benefícios fiscais para empresas exportadoras – os impactos das tarifas são minimizados. Nesse cenário otimizado, a queda do PIB seria reduzida a 0,1 ponto percentual entre agosto de 2025 e dezembro de 2026 e as perdas ocupacionais diminuiriam para aproximadamente 65 mil postos.
A revisão divulgada recentemente traz as previsões do PIB para 2025 novamente ao nível inicial projetado no começo do ano, que era também uma expansão de 2,3%. A previsão anterior feita em julho indicava um crescimento econômico mais robusto.
Apesar disso, os números refletem um otimismo governamental superior à média das expectativas do mercado financeiro, que atualmente projeta um crescimento de apenas 2,16% neste ano segundo o Boletim Focus do Banco Central; uma expectativa que vem sendo ajustada para baixo nas semanas recentes.
Para o ano de 2026, a projeção permanece estável em 2,4%, enquanto o IPCA deve se situar em torno dos 3,6%.
As diretrizes macroeconômicas divulgadas pelo Ministério da Fazenda são cruciais não apenas como um termômetro da economia nacional mas também como referência para as estimativas orçamentárias do governo. Aspectos como inflação e crescimento econômico impactam diretamente na arrecadação tributária da União e nos gastos com benefícios previdenciários e assistenciais.
Um aumento no PIB sugere maior receita empresarial e subsequente incremento na arrecadação tributária; inversamente, pressiona as despesas públicas visto que o desempenho econômico projetado para 2025 poderá levar a um ajuste real significativo no salário mínimo nos anos subsequentes.
Da mesma forma acontece com a inflação: um aumento nos preços gera maior arrecadação nominal pela Receita Federal; porém as despesas ajustadas conforme índices inflacionários também tendem a crescer proporcionalmente.