COP30 revela dados alarmantes sobre áreas verdes nas favelas
Estudo do IBGE revela que 64,6% dos moradores de favelas no Brasil vivem sem árvores nas ruas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 05/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No ano em que o Brasil foi palco da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados alarmantes sobre a presença de áreas verdes nas favelas do país. De acordo com o recente suplemento “Favelas e comunidades urbanas: características urbanísticas do entorno dos domicílios”, aproximadamente 64,6% dos residentes em favelas habitam em vias sem qualquer árvore em espaço público.
Falta de árvores nas favelas do Brasil: Entenda as desigualdades urbanas e seus impactos

Esse estudo evidencia uma acentuada desigualdade territorial, já que, fora das favelas, apenas 31% da população vive em ruas desprovidas de árvores. Os dados foram coletados durante o Censo 2022, que revelou que o Brasil abriga 16,4 milhões de pessoas em 12.348 favelas. Destes, 10,4 milhões não têm acesso a árvores em seus arredores.
Para realizar esta análise, o IBGE considerou apenas as árvores com pelo menos 1,70 metros de altura localizadas em vias públicas, excluindo a vegetação de quintais privados. O estudo incluiu uma variedade de espaços, como becos e escadarias, e focou nos 656 municípios onde há registros de favelas.
Em Belém, cidade-sede da COP30, a situação é ainda mais crítica: 65,2% dos moradores relataram a ausência de árvores na frente de suas residências, superando a média nacional.
O chefe do Setor de Pesquisas Territoriais do IBGE, Filipe Borsani, ressaltou a conexão entre a arborização e a qualidade de vida nas cidades. Ele afirmou: “A arborização é uma variável importante para o conforto térmico e para as condições ambientais urbanas, especialmente em tempos de aquecimento global”.
Durante a COP30, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apresentou o Plano Nacional de Arborização Urbana, cujo objetivo é ampliar a cobertura vegetal nas cidades brasileiras, reconhecendo que atualmente está abaixo dos padrões desejáveis.
Entre os moradores das favelas que têm árvores em frente às suas casas, 35,4% representam cerca de 5,7 milhões de pessoas. O levantamento identificou também que:
- 17,8% dos residentes vivem em vias com uma ou duas árvores;
- 7,1% têm acesso a três ou quatro árvores;
- 10,5% residem em áreas com cinco ou mais árvores.
Comparativamente, fora das favelas, 33,5% da população reportou ter cinco ou mais árvores nas proximidades. A pesquisa ainda indica que comunidades menos populosas tendem a ter uma maior proporção de residentes com árvores próximas; nas favelas com até 250 habitantes, essa taxa é de 45,9%, enquanto nas comunidades com mais de 10 mil habitantes cai para 31,8%.
Ao analisar as vinte maiores favelas do Brasil, constatou-se que a Rio das Pedras no Rio de Janeiro apresenta o cenário mais preocupante: apenas 3,5% dos quase 56 mil moradores possuem uma árvore na frente de casa. Em contrapartida, a favela Sol Nascente em Brasília revela um quadro mais positivo, com 70,7% dos habitantes tendo acesso a essa infraestrutura verde.

A pesquisa também abordou outro aspecto importante da infraestrutura urbana: os bueiros. Esses elementos são essenciais para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas ao facilitar o escoamento das águas pluviais. Os dados indicaram que apenas 45,4% dos moradores das favelas têm bueiros nas proximidades. Em comparação, essa porcentagem sobe para 61,8% nas áreas urbanas não faveladas.
A presença de bueiros também varia conforme a densidade populacional das favelas; nas comunidades menores (até 250 habitantes), apenas 38% têm acesso a esse recurso básico. Nas maiores favelas (acima de 10 mil habitantes), essa porcentagem aumenta para 54,1%. Essa análise ressalta as disparidades na infraestrutura urbana e seu impacto direto na qualidade de vida dos moradores das comunidades brasileiras.