Favela do Moinho: reassentamento atinge 96% em São Paulo
Projeto no centro de SP completa um ano com 96% das famílias reassentadas e avanço na requalificação da área da Favela do Moinho em SP
- Publicado: 22/04/2026 14:38
- Alterado: 22/04/2026 14:38
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Agência SP
O processo de requalificação da Favela do Moinho completa um ano em abril com resultados expressivos na região central da capital paulista. Mais de 800 famílias já foram transferidas para moradias seguras, marcando uma das maiores operações recentes de reassentamento urbano do estado.
O avanço é significativo: o projeto já atingiu 96% de conclusão, restando menos de 40 imóveis para encerrar a etapa de desocupação. Segundo o Governo de São Paulo, a proposta foi estruturada para garantir dignidade, segurança e atendimento habitacional integral às famílias.
A situação anterior da área era crítica, com condições insalubres, presença de animais nocivos, risco constante de incêndios e forte influência do crime organizado. O terreno, espremido entre linhas ferroviárias e com acesso limitado, ampliava a vulnerabilidade dos moradores.
Reassentamento e políticas públicas na Favela do Moinho: números e impactos

O processo de remoção envolveu mudanças em larga escala. Ao todo, foram registradas 920 transferências, além de 72 indenizações pagas a comerciantes afetados, algumas delas acompanhadas de atendimento habitacional.
Atualmente, 29 famílias ainda permanecem no núcleo, aguardando definição de indenizações por meio da Caixa Econômica Federal. A operação também inclui acompanhamento social e suporte logístico, com escritório de atendimento que já ultrapassou 10 mil atendimentos individuais.
A transformação da Favela do Moinho também envolveu a reorganização completa do território. Mais de 738 imóveis já foram demolidos após etapas de segurança que incluíram emparedamento e descaracterização das estruturas.
Favela do Moinho: depoimentos e percepção dos moradores sobre a mudança

A ex-moradora Eunice Barbosa dos Santos, de 81 anos, que viveu mais de duas décadas no local, resume o sentimento de parte dos beneficiados: a saída representa alívio e recomeço.
“Não vou sentir saudade. O que eu sinto é alegria de sair para a minha nova casa”, afirmou.
Segundo a gestão estadual, o reassentamento foi conduzido com base em escuta ativa, entrevistas individuais e liberdade de escolha de moradia. Os beneficiários puderam optar por imóveis prontos, em construção ou em outras cidades, dentro dos parâmetros do programa habitacional.
Reurbanização da área da Favela do Moinho e novos projetos para o centro

Com a desocupação praticamente concluída, a área da Favela do Moinho será destinada a novos usos públicos. O projeto prevê a criação de um parque urbano e a implantação de uma estação de trem, integrando um plano mais amplo de requalificação do centro de São Paulo.
O governo afirma que a intervenção busca recuperar uma região historicamente marcada por vulnerabilidade social e urbana, substituindo o antigo cenário por infraestrutura pública e áreas de convivência.
Estrutura do reassentamento e atendimento habitacional

O modelo adotado incluiu diferentes modalidades de atendimento. Famílias com renda de até R$ 4,7 mil tiveram acesso a imóveis subsidiados, enquanto outras opções incluíram auxílio-moradia e caução para unidades em construção.
Além disso, cerca de 1,5 mil imóveis foram mapeados para oferta aos moradores, com prioridade para unidades na região central. O processo foi acompanhado por equipes sociais e técnicas ao longo de todas as etapas.
A gestão estadual destaca que o objetivo foi garantir transição segura e organizada, evitando rupturas bruscas na vida das famílias envolvidas.