Favela do Moinho ganha novas moradias e transforma vidas
Famílias relatam alívio ao trocar área de risco no centro de São Paulo por moradias definitivas e seguras entregues pelo governo estadual.
- Publicado: 20/04/2026 11:38
- Alterado: 20/04/2026 11:38
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
O Governo de São Paulo completou um ano do projeto de habitação focado na Favela do Moinho, região central da capital. A iniciativa estadual transferiu cerca de 850 famílias de áreas de vulnerabilidade para unidades da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
O espaço desocupado dará lugar a um parque linear e uma nova estação ferroviária. As histórias dos moradores transferidos ilustram o impacto direto da urbanização.
Transformação social na Favela do Moinho
Ângelo da Silva, 27 anos, chegou à comunidade aos oito. A infância acumulou privações estruturais. “Vivemos quatro incêndios e minha mãe chegou a morar embaixo de uma ponte antes de construir um barraco”, relembra o ex-morador.
O medo de alagamentos e o contato com animais peçonhentos ditavam a rotina na Favela do Moinho. A transferência para o conjunto habitacional alterou a realidade da esposa e dos filhos. “Aqui, meus filhos terão mais segurança”, celebra Silva.
Superação financeira e estrutural
Marcos Daniel Oliveira, 22 anos, repetiu o ciclo de vulnerabilidade. O jovem perdeu familiares em chamas antes de conseguir um abrigo. A mudança eliminou um gasto mensal de R$ 700 com aluguel temporário.
“Foi uma virada na minha vida. O novo local tem escolas e mercados próximos, o que facilita muito nosso dia a dia”, destaca Oliveira.
Mulheres e idosos lideram recomeços

Eunice Barbosa dos Santos, 81 anos, passou 22 anos no local enfrentando invasões de roedores. “Ratos comiam minha comida; era frustrante ter que descartar tudo”, lamenta a aposentada.
O futuro do neto norteou a despedida definitiva da Favela do Moinho. “A vida na comunidade não proporciona futuro”, afirma Santos.
Conquista da moradia própria
A busca por independência guiou Fernanda Tatiana Pereira da Silva, 43 anos. A auxiliar de limpeza mudou-se com o filho após a morte da mãe. “Consegui meu apartamento com muita luta; estou feliz por sair do aluguel e começar uma nova vida”, compartilha a profissional.
Francisco Pereira de Araújo, 50 anos, trocou um barraco de dez anos pela infraestrutura predial. “É uma bênção estar em um lugar seguro”, afirma o controlador de estacionamento.
Perspectivas futuras
A auxiliar Francisca Antônia de Lima levou as duas filhas para o bairro Cidade Líder. “Estou satisfeita com minha escolha; isso é uma benção para minhas filhas”, diz a moradora.
O processo de desocupação começou em abril de 2025 e atinge 95% de conclusão. O espaço urbano integrado à antiga Favela do Moinho consolida a reestruturação territorial na metrópole paulista com novas opções de lazer.