Moradia indígena avança e dobra ritmo em São Paulo

Produção habitacional para povos indígenas cresce e concentra novas obras em diferentes regiões do estado

Crédito: (CDHU/SDUH)

A política de moradia indígena em São Paulo entrou em uma nova fase. Dados do Governo do Estado indicam que, nos últimos quatro anos, a produção de unidades habitacionais voltadas a povos indígenas cresceu 50% em relação ao que foi entregue nos 25 anos anteriores.

No total, já foram viabilizadas 306 moradias em dez aldeias. Desse conjunto, 246 estão em obras e 60 em processo de licitação. Para efeito de comparação, entre 2001 e 2022, foram entregues 612 unidades em 11 Terras Indígenas.

Moradia indígena amplia presença em diferentes regiões

A expansão da moradia indígena ocorre por meio de convênios firmados entre a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano e prefeituras. Em março de 2024, novos acordos foram assinados com municípios como Bertioga, Eldorado, Mongaguá, Peruíbe, São Paulo e Tapiraí.

Além das unidades já em andamento, outras 112 moradias foram autorizadas, elevando o total previsto para 418 unidades habitacionais.

O movimento marca uma ampliação territorial do programa, com presença em regiões como Baixada Santista, Vale do Ribeira e entorno da capital.

Programa nasce como resposta a condições precárias

Criado pela Lei Estadual nº 11.025/2001, o programa de moradia indígena surgiu com caráter compensatório. A proposta inicial era substituir habitações precárias em terras homologadas, a partir de demandas articuladas pela FUNAI.

A política passou a incorporar, ao longo dos anos, novas diretrizes, mantendo como eixo central o acesso à moradia digna em territórios reconhecidos.

Obras se concentram em aldeias já estruturadas

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Registro de visita à aldeia em Bertioga (CDHU/SDUH)

As unidades em construção estão distribuídas em diferentes aldeias do estado, com destaque para regiões já consolidadas em termos de organização territorial.

Entre os empreendimentos em andamento estão:

  • Parelheiros, na capital, com 63 unidades somadas nas áreas Krucutu e entorno
  • Eldorado, no Vale do Ribeira, com 53 unidades na Aldeia Takuary
  • Bertioga, com 30 unidades na Aldeia Rio Silveira
  • Peruíbe, Mongaguá e Tapiraí, que concentram novos núcleos habitacionais

Já em fase de licitação, o projeto Bertioga E03 prevê a construção de 60 unidades, com investimento estimado em R$ 15,9 milhões.

Moradia indígena entra em nova escala de produção

A ampliação da moradia indígena indica uma mudança de escala dentro da política habitacional do estado. O volume de unidades em andamento, somado às novas autorizações, concentra em poucos anos metade do que foi produzido em mais de duas décadas.

O desafio agora passa pela execução dessas obras e pela garantia de que a expansão acompanhe as especificidades culturais e territoriais das comunidades atendidas.

  • Publicado: 20/04/2026 08:10
  • Alterado: 20/04/2026 09:08
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: CDHU/SDUH