Por que a extensão da Linha 1-Azul até Diadema é tecnicamente inviável
O governador Tarcísio de Freitas confirmou que a expansão enfrenta barreiras estruturais no Pátio Jabaquara e avalia levar a Linha 17-Ouro a Diadema
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 19/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a tratar da histórica demanda de estender a Linha 1-Azul até Diadema, mas reconheceu que o projeto não avançou como esperado. Segundo ele, o maior entrave está na estrutura operacional do Pátio Jabaquara, peça-chave do funcionamento da linha desde sua inauguração.
Recentemente Tarcísio explicou que a inviabilidade é essencialmente técnica. “Eu gostaria de levar a Linha 1 do Jabaquara até Diadema e solicitei um estudo sobre isso. No entanto, enfrentamos dificuldades devido ao pátio de manobras. Assim, a extensão da Linha 1 pode não ser viável, mas estou explorando a possibilidade de estender a Linha 17-Ouro até Diadema”, afirmou o governador.
O que impede a expansão da Linha 1-Azul?
A Linha 1-Azul termina hoje na Estação Jabaquara — e logo após ela se encontra o maior pátio de manobras, estacionamento e manutenção da linha. É ali que os trens retornam, são organizados e recebem intervenções técnicas.
A configuração é a seguinte:
- A estação Jabaquara fica imediatamente antes do pátio.
- Entre a via principal e o pátio existe a chamada zona de transferência, usada para manobras e segurança operacional.
- Por estar colada às plataformas, essa zona impede que a linha avance fisicamente.
Qualquer extensão da Linha 1-Azul exigiria:
- deslocar ou reconstruir todo o pátio,
- redesenhar o sistema de manobra,
- realocar áreas técnicas críticas,
- e interromper parcialmente a operação da linha mais utilizada do Metrô.
Essa intervenção é considerada tecnicamente inviável e financeiramente desproporcional para o benefício final.
Alternativa em estudo: Linha 17-Ouro até Diadema
Com a inviabilidade da Linha 1-Azul, Tarcísio solicitou ao Metrô estudos para estender a Linha 17-Ouro, que já prevê ligação com o Aeroporto de Congonhas. Por ser um modal com obra mais flexível e menos dependente de pátios subterrâneos, a expansão até Diadema pode ser tecnicamente factível.
Uma promessa antiga — e sempre adiada
A ligação entre o Metrô e Diadema é pauta recorrente há décadas. Desde os anos 2000, diversas gestões afirmam buscar alternativas para atender moradores do Jardim Miriam e bairros periféricos do extremo Sul da capital e do ABC.
Mas, assim como ocorreu em gestões anteriores, Tarcísio reconhece que a decisão depende mais da engenharia do que da vontade política.
E a Linha 20-Rosa?
A ideia inicial era incluir a extensão da Linha 1 na concessão integrada da futura Linha 20-Rosa, que deve conectar o ABC à capital. Segundo o governador, os estudos dessa concessão serão apresentados no próximo ano — e podem redefinir os projetos de mobilidade da região.