Exposição de Lourival Cuquinha na OMA Galeria
A poucos dias das eleições, exposição de arte reflete o atual momento de crise política do Brasil
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 26/09/2018
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em meio a corrida presidencial, a política é o assunto mais relevante entre os meios de comunicação do país, portanto é inevitável que nas artes visuais o tema não seja abordado, e uma exposição na OMA Galeria faz reflexões críticas a cerca da política e o capital. A mostra “-Dos meus comunistas, cuido eu”(Roberto Marinho), do artista pernambucano Lourival Cuquinha, que já esteve em cartaz na Baró Galeria, apresenta obras que remetem desde o processo de grilagem até a votação do impeachment de 2016.
O título escolhido pelo artista faz referência a frase dita por Roberto Marinho em 1964, que logo após o golpe militar, ele foi questionado por um dos ministros de Castelo Branco, para que entregasse uma lista de seus empregados que tivessem algum tipo de ligação com a esquerda e o comunismo, foi quando Roberto Marinho enunciou “dos meus comunistas, cuido eu”, ao escolher essa citação Cuquinha faz alusão ao poder privado sob o poder público. A mostra começa por uma faixa pintada a meio pé direto da parede, percorrendo por todo o espaço expositivo da galeria, criando um degrade que começa no verde bandeira e termina no preto petróleo.
Um dos trabalhos mais curiosos o artista transcreveu a carta de Pero Vaz de Caminha sobre papel moeda, e a submeteu ao processo de grilagem, prática comum realizada por latifundiário, a obra que recebe o título de “Apólice do apocalipse”, consiste das várias páginas redigitas, que são locadas dentro de um móvel barroco, onde grilos vivos provocam o processo de envelhecimento do papel. Segundo o galerista Thomaz Pacheco “A exposição já estava planejada há bastante tempo e por uma triste coincidência, chegou em boa hora, pois o trabalho do Cuquinha é crítico, provocativo e incisivo, por assim dizer, ele revela um nervo exposto e inflamado frente a sociedade”.
Lourival Cuquinha ainda apresenta uma grande bandeira que foi adotada pelo governo brasileiro no ano de 1889, no entanto essa bandeira durou apenas 5 dias, a obra é composta por inúmeras cédulas de dinheiro, criando uma grande flamula que vai do teto ao chão da galeria, sustentada por um longo mastro feito por moedas de cinco centavos. Outra obra curiosa é a flecha da etnia Araweté, que teve seu território atingido pela Usina Belo Monte no Xingú, o objeto tem toda sua base construída por moedas de 50 centavos perfurado pelo corpo da flecha, uma alusão clara ao poder do capital e a violência do poder financeiro frente ao povo e ao meio ambiente.
A exposição ainda conta com um vídeo real de um assalto, e com uma mão mecânica que agita um pequeno saquinho, que faz referência ao pequeno pacote de cocaína flagrado pela TV Senado durante o depoimento de Dilma Rouseff no senado. A exposição foi realizada em parceria com a Baró Galeria e tem curadoria de Ana Roman e ficará em cartaz até o dia 28 de outubro.
Serviço:
Exposição Individual: “-Dos meus comunistas, cuido eu.” (Roberto Marinho)
Local: OMA Galeria
Abertura: 14/09/2018 – 19h as 23h
Visitação: 15/09 a 28/10/2018.
Horário de Funcionamento: Ter. á Sex. 12h ás 19h / Sáb. 10h ás 15h.
Endereço: Rua Carlos Gomes, 69. Centro. SBC. SP. CEP 09715-130
Valor: gratuito