Apenas um treino pode retardar o avanço do câncer, diz estudo

Estudo revela que exercícios físicos podem inibir células cancerígenas em sobreviventes de câncer de mama, melhorando taxas de sobrevivência.

Crédito: Unsplash

Um novo estudo aponta que a prática de exercícios físicos pode ter um papel crucial na supressão do crescimento de células cancerígenas, especificamente as de câncer de mama. A pesquisa, divulgada recentemente, envolveu 32 mulheres que são sobreviventes da doença e trouxe à tona informações promissoras sobre a relação entre atividade física e a biologia do câncer.

Após a realização de uma única sessão de treinamento intervalado ou levantamento de peso, foi observado que o sangue das participantes apresentava níveis elevados de certas moléculas que, em testes laboratoriais, demonstraram capacidade de inibir o crescimento das células tumorais. Robert Newton, diretor adjunto do Instituto de Pesquisa de Medicina do Exercício da Universidade Edith Cowan, na Austrália, e autor principal do estudo, afirma: “Nossos achados evidenciam que o exercício pode impactar diretamente a biologia do câncer, limitando o crescimento tumoral através de sinais moleculares eficazes”.

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Esses resultados se somam a um conjunto crescente de evidências que relacionam a atividade física não apenas à diminuição do risco de desenvolvimento do câncer, mas também à melhora nas taxas de sobrevivência entre aqueles diagnosticados com a doença. Pesquisas anteriores já indicavam que o exercício poderia ajudar os sobreviventes a evitar recidivas. O presente estudo fornece um mecanismo potencial para essa associação, sugerindo que o exercício altera a função interna dos músculos e células.

Impacto do Exercício na Recorrência do Câncer

A relação entre atividade física e taxas reduzidas de recorrência do câncer é amplamente reconhecida. Jessica Scott, diretora do Programa de Exercício-Oncologia no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, destaca que “sobreviventes de câncer de mama que relatam níveis elevados de atividade física apresentam taxas menores de recorrência e melhores índices de sobrevida”. Ela enfatiza ainda que essa tendência se estende a diversos tipos de câncer.

Um estudo significativo publicado no New England Journal of Medicine indicou que um grupo extenso de sobreviventes de câncer colorretal que se engajou em um programa supervisionado de exercícios apresentou 37% menos chances de recidiva em comparação àqueles que não se exercitaram ao longo de três anos. Os pesquisadores observaram que esse resultado superou os benefícios oferecidos por muitos medicamentos preventivos.

Mas como exatamente o exercício pode proteger contra o retorno do câncer? Os cientistas identificaram que durante a contração muscular, uma série de hormônios e substâncias bioquímicas conhecidas como miocinas são liberadas na corrente sanguínea, desempenhando um papel crucial na luta contra o câncer. Estudos anteriores com modelos animais e humanos saudáveis já haviam sugerido que o sangue coletado após atividades físicas poderia induzir a morte ou inibição das células cancerosas.

Tipos Eficazes de Exercício

No entanto, muitos desses estudos não incluíram pacientes oncológicos, tornando essencial entender como sobreviventes podem responder ao exercício físico. Newton explica que as sobreviventes frequentemente apresentam fisiologias distintas devido ao câncer e aos tratamentos realizados.

Apenas um treino pode retardar o avanço do câncer, diz estudo
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Para investigar essa questão, os pesquisadores selecionaram mulheres que completaram o tratamento contra o câncer de mama e estavam autorizadas a iniciar atividades físicas. Após coleta inicial de sangue, metade delas participou de uma sessão intensa de treinamento intervalado enquanto a outra metade se dedicou ao levantamento de pesos.

Os resultados foram imediatos: as células cancerígenas expostas ao plasma sanguíneo dos praticantes mostraram inibição no crescimento e muitas morreram. O efeito foi mais pronunciado no sangue coletado após as sessões intensas, com concentrações elevadas da miocina IL-6 associada à resposta imunológica e inflamatória.

A Importância da Intensidade no Exercício

As implicações desse estudo são significativas para a comunidade científica. Kerry Courneya, professor da Universidade de Alberta, menciona que as descobertas podem esclarecer resultados anteriores relacionados ao câncer colorretal. No entanto, perguntas permanecem quanto à eficácia geral do exercício na luta contra o câncer.

A intensidade do exercício parece ser um fator determinante na liberação das miocinas anticâncer. Embora exercícios leves possam ter algum efeito positivo, eles provavelmente não produzem resultados tão robustos quanto os encontrados nas atividades mais intensas realizadas no estudo atual.

A questão permanece: sobreviventes conseguem realizar atividades físicas intensas? De acordo com Newton e outros especialistas da área, programas adaptativos e progressivos demonstraram ser seguros e benéficos para esses pacientes.

É aconselhável que qualquer sobrevivente busque orientação médica antes de iniciar uma rotina de exercícios e explore programas específicos disponíveis em hospitais ou centros comunitários voltados para essa população. O estudo conclui enfatizando que o exercício não deve ser visto apenas como um complemento às terapias convencionais; ele está emergindo como uma intervenção essencial no tratamento oncológico.

  • Publicado: 19/01/2026
  • Alterado: 19/01/2026
  • Autor: 14/09/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping