Ex-presidente da Colômbia é condenado a 12 anos de prisão por corrupção
Álvaro Uribe culpado pelos crimes de corrupção passiva de testemunhas e fraude processual.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Um tribunal na capital colombiana, Bogotá, emitiu uma sentença condenatória contra o ex-presidente Álvaro Uribe, impondo-lhe 12 anos de prisão domiciliar. A decisão foi proferida pela juíza Sandra Heredia, que considerou Uribe culpado pelos crimes de corrupção passiva de testemunhas e fraude processual.
A sentença foi divulgada na última sexta-feira (01/08), e a juíza determinou a execução imediata da pena, rejeitando o pedido da defesa para que o ex-mandatário permanecesse em liberdade até que os recursos fossem analisados. Durante a leitura da decisão, Heredia destacou a necessidade de manter a paz social e mencionou o reconhecimento internacional de Uribe como um fator que poderia facilitar sua evasão do país.
Álvaro Uribe, que ocupou a presidência da Colômbia entre 2002 e 2010, é o primeiro ex-chefe de Estado colombiano a ser condenado judicialmente, um marco significativo na história do país. Com 73 anos, Uribe sempre negou as acusações que pesam sobre ele e se posiciona como alvo de uma perseguição política.
“A falta de investigação adequada foi evidente. A política prevaleceu sobre a lei na hora da condenação”, afirmou Uribe durante a audiência. A defesa já anunciou que recorrerá da decisão ao Tribunal Superior de Bogotá, que deverá se pronunciar antes do prazo limite em outubro do próximo ano, data em que os crimes poderiam prescrever.
A condenação decorre de um longo processo judicial iniciado em 2012, quando o deputado Iván Cepeda apresentou evidências ligando Uribe à atuação de grupos paramilitares, especificamente ao Bloque Metro, um braço das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), responsável por inúmeros crimes durante o conflito interno na Colômbia.
Uribe inicialmente processou Cepeda por suposta manipulação de testemunhas paramilitares contra ele, mas sua ação foi rejeitada pela Suprema Corte em 2018. Posteriormente, novas investigações revelaram tentativas por parte de pessoas próximas a Uribe de interferir no depoimento das testemunhas, levando à prisão domiciliar do ex-presidente em agosto de 2020 devido ao risco de obstrução da justiça.
Após 66 dias sob custódia, Uribe renunciou ao cargo de senador e seu caso foi transferido para a Justiça comum. Apesar dos pedidos dos promotores para arquivar as acusações por falta de provas suficientes, a Justiça rejeitou essas solicitações em duas ocasiões antes do julgamento final sob a nova procuradora-geral Luz Adriana Camargo.
Com essa condenação, Uribe se junta a uma lista crescente de líderes latino-americanos que enfrentam processos judiciais e condenações criminais, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner.
Após a sentença, o partido Centro Democrático, fundado por Uribe, convocou uma manifestação em apoio ao ex-presidente programada para 7 de agosto. Em nota oficial, o partido declarou: “Respeitamos as instituições e acreditamos na Justiça; contudo, estamos convencidos de que um homem inocente está sendo condenado”.
Em resposta à condenação e às declarações do presidente Gustavo Petro sobre o caso nas redes sociais, Uribe também apresentou uma denúncia contra Petro por acusações sem fundamento relacionadas a atividades criminosas atribuídas ao ex-presidente. O senador Iván Cepeda comentou sobre as novas possibilidades que se abrem após a condenação e expressou esperança em revelar verdades ocultas relacionadas aos vínculos de Uribe com paramilitares.
Por fim, Jerônimo Uribe, filho do ex-presidente, classificou a decisão judicial como parte de uma estratégia política maior orquestrada pelo governo atual. O presidente Petro rebateu afirmando que sua intenção não é ver Uribe condenado, mas sim assegurar sua liberdade.