Estudo revela que Pix foi usado por 63% dos brasileiros em 2024
Levantamento da FGV detalha padrões de uso, valores médios e diferenças regionais no sistema de pagamento instantâneo mais popular do país
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 13/03/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Um estudo recente do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que seis em cada dez brasileiros utilizaram o sistema de pagamento instantâneo, conhecido como Pix, pelo menos uma vez ao mês durante o ano passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (12) no relatório intitulado “Geografia do Pix”.
Diferentes padrões de uso pelo país
A análise dos pesquisadores apontou que a taxa média de adesão ao Pix em 2024 alcançou 63% em todo o país. O Banco Central já havia divulgado que, até dezembro de 2024, esse sistema era a forma de pagamento mais popular entre os brasileiros.
Dentre as unidades federativas, o Distrito Federal se destacou com a maior taxa de adesão, onde 78% da população utilizou o Pix mensalmente. Por outro lado, o Piauí apresentou a menor taxa, com aproximadamente 55%. No panorama regional, o Sudeste liderou com 67%, seguido pelo Centro-Oeste (65%), Sul (61%), Norte (60,5%) e Nordeste (58%).
A FGV ressaltou que a alta adesão ao Pix é observada tanto em estados com maior poder aquisitivo quanto naqueles onde a população apresenta renda mais baixa. Cada usuário do sistema realizou, em média, 32 transações mensais. Os amazonenses figuraram como os maiores utilizadores do serviço, realizando cerca de 48 transações por mês, enquanto Santa Catarina registrou a menor frequência com apenas 25 transações.
Os pesquisadores também notaram que usuários nas regiões de menor renda tendem a fazer uso mais frequente do Pix. No ranking de transações por usuário, o Norte e o Nordeste lideraram com médias de 41 e 37 transações, respectivamente, seguidos pelo Centro-Oeste (34), Sudeste (30) e Sul (27).
Valores médios das transações e desigualdades regionais
Em relação aos valores movimentados, a média nacional das transações foi de R$ 190,57. Entretanto, as regiões Centro-Oeste (R$ 240,37), Sul (R$ 223,84) e Sudeste (R$ 208,80) apresentaram valores médios superiores. Já no Nordeste e Norte, os valores ficaram abaixo de R$ 151 e R$ 147, respectivamente.
A discrepância nos valores das transações pode ser atribuída às desigualdades regionais existentes no Brasil. Os especialistas afirmam que pessoas em áreas mais ricas tendem a realizar transações de maior valor. Um exemplo disso é o estado do Amazonas: apesar de ter a maior quantidade de transações por usuário (48), o valor médio das operações foi o menor do país (R$ 120). Isso indica um uso frequente do Pix para transações menores e incorporadas à rotina dos usuários.
Outro caso notável mencionado pelos técnicos da FGV foi o município de Pacaraima, em Roraima. Com uma população registrada no Censo Demográfico de 2022 de apenas 19.305 habitantes, Pacaraima tinha mais de cinco usuários do Pix para cada residente. Essa estatística curiosa é provavelmente relacionada ao fluxo migratório da região fronteiriça com a Venezuela. Na cidade, os usuários realizaram em média 31 transações mensais no último ano, movimentando cerca de R$ 119 por operação.