Estudo revela ligação entre genética e risco aumentado de demência em homens idosos
Estudo revela que homens com variante genética HFE têm risco 2,39 vezes maior de demência. Entenda a relação entre ferro e saúde cerebral!
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 21/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Uma pesquisa recente publicada na revista Neurology aponta que uma variante genética prevalente está associada a um aumento significativo no risco de demência entre homens mais velhos. O estudo, que se baseou em dados do projeto Aspirin in Reducing Events in the Elderly (ASPREE), acompanhou durante sete anos pacientes idosos dos Estados Unidos e Austrália, todos sem histórico de doenças cardiovasculares ou declínio cognitivo.
A investigação focou em 12.174 australianos de origem europeia com idade superior a 70 anos, analisando variantes específicas no gene HFE. Este gene desempenha um papel fundamental na regulação dos níveis de ferro no organismo e suas variantes são comuns entre indivíduos de ascendência europeia.
Aqueles que possuem duas cópias da variante p.C282Y do gene HFE estão suscetíveis ao desenvolvimento de hemocromatose, uma condição que provoca acúmulo excessivo de ferro no corpo, levando a problemas sérios como cirrose, câncer hepático, fragilidade óssea, artrite e demência.
De acordo com John Olynyk, professor do Instituto de Pesquisa Médica Curtin em Perth, Austrália, cerca de um terço da população carrega a variante H63D e apenas 1 em cada 36 possui duas cópias. “A presença de uma única cópia dessa variante não afeta a saúde ou o risco de demência. Contudo, nossa pesquisa revelou que homens portadores de duas cópias apresentam mais que o dobro da probabilidade de desenvolver demência em comparação aos que não possuem as variantes no gene HFE”, afirmou Olynyk.
O estudo revelou que homens com duas cópias da variante H63D HFE têm uma incidência 2,39 vezes maior de demência em relação àqueles sem variantes. Curiosamente, essa relação não foi observada entre mulheres.
Os participantes masculinos apresentaram níveis de ferritina—indicador dos níveis de ferro—”significativamente mais altos” do que as mulheres; no entanto, a pesquisa não encontrou uma correlação direta entre os níveis iniciais de ferritina e o risco subsequente de desenvolver demência.
Este estudo corrobora evidências anteriores sobre o papel das variantes do gene HFE na demência. Enquanto a variante p.C282Y é associada ao desenvolvimento da demência por meio do acúmulo excessivo de ferro, a variante p.H63D pode contribuir para inflamações cerebrais e danos que levam à demência mesmo na ausência de sobrecarga significativa de ferro. Os pesquisadores ainda buscam compreender as razões por trás da discrepância nos riscos entre os gêneros.