Estudo da Unicamp revela que exercícios físicos podem prevenir dor muscular crônica

Estudo da Unicamp revela que exercícios físicos podem prevenir dor crônica, reprogramando células imunológicas e abrindo caminho para novos tratamentos

Crédito: José Cruz - Agência Brasil

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que a prática regular de exercícios físicos pode “reprogramar” macrófagos, células do sistema imunológico envolvidas no processo da dor muscular crônica. Essa descoberta, publicada na revista científica PLOS ONE, sugere que a atividade física pode atuar como uma barreira contra a evolução de dores musculares agudas para crônicas.

A pesquisa se concentrou em uma proteína que desempenha um papel crucial na dor muscular persistente. Os cientistas demonstraram que, por meio do exercício físico, essa proteína pode ser “desligada”, o que pode oferecer novas perspectivas para o desenvolvimento de tratamentos voltados à dor crônica.

A coordenadora do Laboratório de Estudos em Dor e Inflamação (Labedi) da Unicamp, professora Maria Cláudia Gonçalves de Oliveira, afirmou que o estudo identificou como o exercício físico modifica a atividade dos macrófagos, tornando-os menos inflamatórios. Esse efeito ajuda a evitar a transição da dor aguda para a dor crônica. “Identificamos uma proteína na membrana cerebral dos macrófagos que ativa uma via responsável pela cronificação da dor muscular. O exercício parece prevenir essa ativação quando realizado antes de um estímulo inflamatório”, explicou Oliveira.

O experimento envolveu camundongos submetidos a um regime de natação durante quatro semanas. Após esse período, os animais receberam um estímulo inflamatório no músculo, levando à dor aguda com potencial para se tornar crônica. Os resultados mostraram que os camundongos que realizaram exercícios não desenvolveram dores crônicas, diferentemente dos que não se exercitaram.

Oliveira destacou que essa proteção está ligada a dois componentes moleculares principais: o receptor P2X4, que promove a dor crônica, e a PPAR-Gama, uma proteína que atua como um inibidor nesse processo e é ativada pela prática de exercícios. “Acreditamos que ao direcionar tratamentos para o receptor P2X4 ou utilizar a PPAR-Gama como complemento ao exercício físico regular, poderemos ajudar na redução da dor crônica”, acrescentou.

O estudo não apenas confirma os benefícios do exercício físico na prevenção da dor, mas também abre novas possibilidades para tratamentos futuros. Compreender como a dor crônica se estabelece é crucial para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e com menores efeitos colaterais. Oliveira enfatizou: “Embora sentir dor seja essencial para proteger nosso corpo contra lesões, quando essa dor se torna crônica, ela deixa de ser um sinal protetor e se transforma em uma condição patológica”.

A equipe de pesquisa planeja investigar mais sobre as interações entre essas vias celulares e avaliar o papel do exercício como tratamento mesmo após o início da dor crônica. A professora ressaltou: “Embora já conheçamos os benefícios do exercício para a saúde mental e física, ainda não abordamos suficientemente seu potencial na prevenção e manejo da dor. Com o envelhecimento da população e o aumento da prevalência de dores crônicas, incentivar práticas físicas focadas na redução da dor é fundamental para melhorar a qualidade de vida”.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 22/04/2025
  • Fonte: Sorria!,