Cresce para 65% taxa de gestações não planejadas em São Paulo
Os resultados indicam que a gravidez não planejada é mais prevalente entre mulheres negras ou pardas, com baixa escolaridade, solteiras e que já têm outros filhos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Um estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que a taxa de gestações não planejadas no estado de São Paulo atingiu 65%, um percentual sem precedentes na história recente. Essa informação foi coletada a partir de entrevistas com 534 mulheres grávidas, com idades entre 18 e 49 anos, que recebem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa, que contou com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), Fapesp, Capes e CNPQ, destaca que o índice de gestações não intencionais tem crescido em relação a estudos anteriores, que apontavam taxas entre 52% e 56%. Os dados foram publicados em uma revista científica focada em saúde reprodutiva.
De acordo com Negli Gallardo, responsável pela pesquisa durante seu doutorado, o foco do estudo foi identificar as barreiras sociais e demográficas relacionadas às gestações não planejadas. Para isso, foram aplicados questionários que avaliaram características sociodemográficas e reprodutivas das entrevistadas.
Os resultados indicam que a gravidez não planejada é mais prevalente entre mulheres negras ou pardas, com baixa escolaridade, solteiras e que já têm outros filhos. O levantamento também demonstrou que as chances de uma gravidez não planejada são maiores entre mulheres solteiras e aquelas que coabitam com um parceiro, em comparação às casadas.
O professor Luis Bahamondes, orientador da pesquisa, ressaltou a preocupação com os altos índices de gestações não planejadas no estado. Ele destacou os custos significativos para o sistema público de saúde: “Onze anos atrás, cada gravidez não planejada custava ao SUS aproximadamente mil dólares; hoje esse valor equivale a R$ 6 mil, apenas considerando despesas com pré-natal, parto e puerpério”.
Bahamondes enfatizou a urgência na formulação de políticas públicas voltadas à prevenção dessas gestações. Para ele, “a prevenção deve ser priorizada através da educação populacional e do acesso a métodos contraceptivos eficazes”, além da capacitação dos profissionais de saúde para oferecer opções como implantes e dispositivos intrauterinos (DIUs).
A experiência pessoal da analista de sistemas Cláudia Martins ilustra a complexidade desse tema. Cláudia engravidou durante uma mudança de carreira no contexto da pandemia e descreveu sua gestação como inesperada. “Eu estava começando um novo emprego e ainda estava namorando meu marido. A notícia me pegou de surpresa”, relata.
Ainda assim, ela reconhece a importância da conversa aberta sobre planejamento familiar: “É essencial discutir esses assuntos com os parceiros antes que surjam situações inesperadas”. Para Cláudia, tanto a educação sexual quanto o diálogo são fundamentais para evitar gravidezes não planejadas.
Com o aumento alarmante nas taxas de gestações não planejadas em São Paulo, fica evidente que há uma necessidade premente por medidas educativas e preventivas que ajudem a reverter essa situação.