Estação Cidadania na Sé é fechado pela Prefeitura de São Paulo

Prefeitura encerra convênio de espaço essencial para banho no centro paulistano e desperta temor em pessoas em situação de vulnerabilidade.

Crédito: Reprodução/Redes sociais

A Prefeitura de São Paulo determinou o fim dos serviços da Estação Cidadania Sé, unidade voltada ao acolhimento de pessoas em situação de rua no centro da capital paulista. A gestão municipal exigiu o esvaziamento do prédio até o dia 8 de junho após publicar uma rescisão unilateral de convênio no Diário Oficial.

O local fornece água potável, banhos, lavanderia e suporte psicossocial diário. A administração pública alega razões técnicas e administrativas para o rompimento do contrato. A pasta responsável sustenta que o atendimento atual apresenta falhas e garante a realocação dos usuários para outros equipamentos da região central.

A decisão surpreendeu a organização responsável pela gestão da Estação Cidadania Sé. O Instituto Claret afirma buscar diálogo com a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania há meses para debater melhorias, sem obter qualquer retorno do poder público.

A entidade enviou um ofício à gestão municipal para tentar manter as operações. O documento registra 14.316 banhos oferecidos entre janeiro e meados de abril. “Encaminhamos um ofício com os números de atendimento e a proposta de estabelecer um diálogo pela continuidade do contrato”, afirmou Clodoaldo José Oliva Muchinski, superintendente do instituto.

Impacto do fechamento da Estação Cidadania Sé na rede de apoio

Especialistas alertam para a provável saturação da rede de assistência social na capital. O encerramento das atividades atinge diretamente a região da Sé, área que concentra cerca de 40% da população de rua da cidade, segundo dados do Censo de 2021.

O remanejamento repentino deve sobrecarregar os serviços remanescentes e derrubar a qualidade do atendimento prestado. “Essa ação da prefeitura só prejudica a vida da população em situação de rua. Qualquer serviço que ofereça água ou banheiro já é uma boa ação”, explicou Alderon Costa, membro do Fórum da Cidade de São Paulo em Defesa da População em Situação de Rua.

O ativista e ex-ouvidor de Direitos Humanos enxerga um projeto claro de exclusão territorial no centro da cidade. “É uma ação higienista. A população de rua está sendo transferida para um lugar onde não tem nenhum serviço, nem tem o que comer”, criticou Alderon Costa.

Angústia de quem depende do serviço

Os frequentadores da Estação Cidadania Sé questionam o futuro de sua rotina de higiene e dignidade básica. Usuários apontam a ausência de comunicação prévia sobre o encerramento do espaço e temem a perda do único ponto de referência e acolhimento na região.

O serviço garante banho, troca de roupas e auxílio na regularização de documentos. “Se o prefeito quer tirar a gente daqui, no mínimo ele tem que dar uma posição. Onde vamos ficar?”, questionou Anderson, usuário do equipamento há 1 ano e 4 meses.

A manutenção da higiene pessoal tornou-se um desafio imediato para quem trabalha, mesmo sem ter onde morar. “Eu utilizo a lavanderia e tomo banho duas vezes por dia. Não tem como fechar um negócio que ajuda a ter pelo menos um alento”, desabafou Mário, jovem de 25 anos recém-chegado ao serviço.

Ações paralelas e o futuro da assistência

O cenário de enxugamento municipal contrasta com anúncios recentes da esfera federal. O Governo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, prometeu instalar sete novas unidades de atendimento ao povo da rua em São Paulo nos próximos meses.

Os novos espaços governamentais prometem unir serviços especializados em direitos humanos a uma infraestrutura de cuidado com banheiros, hidratação e guarda de pertences. Enquanto os projetos federais não saem do papel, o fechamento da Estação Cidadania Sé impõe um vácuo imediato e crítico na assistência social diária do centro paulistano.

  • Publicado: 10/05/2026 10:25
  • Alterado: 10/05/2026 10:25
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Prefeitura de São Paulo