Esportes e cripto unidos pelos Fan token no Brasil
Os fan tokens estão ganhando popularidade no Brasil, unindo esportes e criptomoedas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O futebol sempre foi porta de entrada para novas linguagens de consumo no país, da TV por assinatura aos apps de streaming. Em 2025, o mesmo fenômeno acontece com os fan tokens.
São os ativos digitais emitidos por clubes ou por seus parceiros que dão acesso a votações, recompensas e experiências, funcionando como uma camada de engajamento sobre a relação torcedor-clube.
No Brasil, a boa infraestrutura de pagamentos digitais (Pix) e um marco regulatório cada vez mais estruturado para cripto e para as apostas de quota fixa ajudam a explicar por que esse modelo ganhou tração. Ao mesmo tempo, clubes de massa testam colecionáveis digitais em blockchain e ampliam o alcance da Web3 para um público não técnico.
Por que os fan tokens ganharam tração
Fan tokens não são ações do clube nem prometem rendimento financeiro. São tokens de utilidade que destravam benefícios definidos por cada equipe, como participar de enquetes, concorrer a prêmios, trocar pontos por experiências e ter prioridade em ativações.
A Chiliz/Socios, responsável por boa parte dessas iniciativas no mundo, descreve os Fan Tokens como o combustível do seu app de engajamento, emitidos na Chiliz Chain. No Brasil, clubes como Flamengo, Palmeiras, Internacional, Fluminense, Vasco e São Paulo vêm testando também cards colecionáveis digitais com IA.
Um exemplo é a coleção “Cards do Futebol”, lançada esse ano com seis clubes da Série A integrando a campanha, ampliou o assunto além do nicho cripto. Esse apetite por inovação no entretenimento esportivo convive com outro interesse recorrente do público. A aposta esportiva com cripto é uma curiosidade cada vez mais presente entre os brasileiros.
Ambos os setores têm números impressionantes no Brasil, mesmo que ainda estejam se estruturando em questão de regulamentação. No ecossistema de fan tokens, porém, o uso de blockchain aparece de uma maneira. Sendo principalmente como tecnologia de registro e escassez digital para engajamento e colecionáveis.
O que a lei permite e o que veda
Do lado de cripto, o Brasil tem um marco legal desde dezembro de 2022. A Lei 14.478/2022 estabelece diretrizes para a prestação de serviços de ativos virtuais e foi regulamentada pelo Decreto 11.563/2023, que atribuiu ao Banco Central do Brasil a competência para regular e supervisionar prestadoras que não tratem de valores mobiliários (quando a competência é da CVM).
Isso trouxe previsibilidade para carteiras, exchanges e demais VASPs que operam no país. Do lado das apostas de quota fixa, o tema foi regulamentado pela Lei 14.790/2023, que organizou a atividade, definiu tributação e criou o desenho institucional para autorização federal via Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF).
Em 2024 e 2025, a SPA publicou portarias com regras para sistemas, integridade e meios de pagamento, entre elas, a Portaria 615/2024, que, como mencionado, veda o uso de cripto nos depósitos e saques de operadores licenciados. Há, então, uma separação entre o que é engajamento digital em blockchain (fan tokens) e o que é meio de pagamento.
O Pix como “cola” do consumo online do torcedor
Há um fator local que facilita a adoção de experiências digitais, o Pix. Em 6 de junho de 2025, o sistema bateu recorde de 276,7 milhões de transações em um único dia, segundo o Banco Central, um marco que mostra como o pagamento instantâneo já está entranhado no cotidiano.
Além dos volumes recordes, o Pix Automático entrou em produção em 16 de junho de 2025, permitindo pagamentos recorrentes (assinaturas, contas de serviços) com uma única autorização prévia do usuário. Para clubes e plataformas de engajamento, isso significa menos atrito na hora de ativar benefícios, integrar assinaturas ou distribuir recompensas.
Em outras palavras, o público já domina o fluxo de confirmação, QR code e notificações. Os dados abertos do Banco Central mostram a evolução contínua do Pix desde 2020, inclusive no estoque de chaves e no volume mensal liquidado.
Em 2024 já se registrava picos acima de 230 milhões de transações em dias de alto consumo, como a Black Friday. A soma desses elementos forma o pano de fundo ideal para que produtos digitais ligados ao esporte, como os colecionáveis, se tornem mais acessíveis para o torcedor brasileiro médio.
Com os fan tokens, o torcedor passa a entender a lógica de raridade, staking para destravar experiências e o próprio ato de “mintar” (emitir) cards. As vantagens são definidas por cada parceiro, mas a narrativa do pertencimento, participar de enquetes, batizar uma área do estádio, votar no uniforme de treino, costuma ter mais peso que a variação de preço.
No Brasil, essa jornada se acelerou com as ações coordenadas dos clubes de massa e com campanhas específicas para a coleção de cards com IA, cobrindo desde regras de raridade até requisitos mínimos de staking.