Especialista alerta para atenção redobrada no Imposto de Renda 2026

Especialista orienta contribuintes sobre erros comuns na declaração do Imposto de Renda, riscos de omissão de rendimentos

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Com a proximidade da entrega do Imposto de Renda 2026, muitos contribuintes ainda enfrentam dúvidas que podem impactar diretamente o ajuste de contas com a Receita Federal. A estrategista financeira e contadora pericial e tributária Karol Dapousa alerta que um dos equívocos mais recorrentes é a confusão entre ano-calendário e exercício fiscal.

“O erro mais comum é confundir o que está acontecendo no contracheque agora com o que será declarado”, explica. Segundo ela, a declaração de 2026 se refere aos rendimentos recebidos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, enquanto mudanças anunciadas para 2026 só terão efeito prático no ajuste de 2027.

Por que público se confunde ao fazer a declaração de Imposto de Renda?

A confusão, de acordo com a especialista, acontece porque os termos técnicos nem sempre são explicados de forma clara. “O ano-calendário é o período em que os rendimentos foram recebidos, enquanto o exercício fiscal é o ano da entrega da declaração. Como sempre há esse intervalo, muita gente se perde”, afirma.

Outro ponto que exige atenção no Imposto de Renda deste ano é a expectativa em torno da nova faixa de isenção. Apesar de discussões sobre ampliação para R$ 5 mil, a regra ainda não se aplica à declaração atual. “O contribuinte não deve se planejar com base em algo que ainda não entrou em vigor. Isso pode gerar uma falsa expectativa de pagar menos imposto ou até de não precisar declarar”, alerta Karol.

Ela destaca que esse tipo de desinformação pode levar a erros e até penalidades. “Muitas pessoas não pesquisam a fundo e acabam se baseando apenas no que ouviram, o que aumenta o risco de inconsistências.”

Entre os principais motivos que levam o contribuinte à malha fina do Imposto de Renda, a especialista aponta a inconsistência de informações como o fator mais comum. “Isso acontece quando o contribuinte declara valores diferentes dos informados pelas fontes pagadoras. A Receita cruza esses dados automaticamente, então qualquer divergência acende um alerta”, explica.

Além disso, erros como omissão de rendimentos, especialmente de trabalhos extras ou informais , inclusão indevida de dependentes e despesas médicas não comprovadas estão entre os principais problemas. “A falta de organização em guardar comprovantes e notas fiscais também é um erro gravíssimo”, reforça Karol Dapousa.

A omissão de rendimentos, principalmente de aluguéis, segue como uma das principais causas de autuação. Com sistemas cada vez mais sofisticados, como DIMOB e E-Financeira, o cruzamento de dados se tornou mais rigoroso. “Omitir aluguel é pedir para cair na malha fina”, afirma.

Para quem ganha entre dois e cinco salários mínimos, o caminho mais seguro para pagar menos imposto de forma legal é aproveitar ao máximo as deduções permitidas. “Despesas com saúde, educação, dependentes e previdência podem reduzir a base tributável. Além disso, é fundamental simular entre o modelo completo e o simplificado para entender qual é mais vantajoso”, orienta.

Especialista destaca atenção ao campo patrimonial

No campo patrimonial, a atenção também deve ser redobrada. A especialista recomenda documentar reformas em imóveis, manter controle detalhado de ativos digitais, como criptomoedas, e declarar corretamente investimentos no exterior. Rendimentos extras devem ser informados mensalmente por meio do Carnê-Leão, evitando surpresas no ajuste anual do Imposto de Renda.

Para evitar problemas, Karol reforça que o mínimo de organização ao longo do ano faz toda a diferença. “O ideal é manter todos os comprovantes organizados, acompanhar movimentações financeiras relevantes e não deixar tudo para a última hora. Isso evita erros, retrabalho e dor de cabeça com a Receita”, afirma.

Ela resume o principal alerta em uma orientação direta: “Não confie na memória, confie no documento”. Segundo a especialista, o cenário tributário está cada vez mais complexo, e o acompanhamento contábil deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica para a saúde financeira da classe média.

  • Publicado: 13/04/2026 16:31
  • Alterado: 13/04/2026 16:31
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC