Equador vai às urnas em meio a escalada de violência
Plebiscito inclui autorização para bases estrangeiras no Equador e possível convocação de Constituinte
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 16/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Equador realiza neste domingo (16) um plebiscito decisivo que pode alterar profundamente sua estrutura política e a forma como o país lida com a crise de segurança.
A população irá votar sobre a permissão para instalação de bases militares estrangeiras no território nacional e sobre a convocação de uma nova Assembleia Constituinte — propostas que refletem o momento de instabilidade e endurecimento do governo do presidente Daniel Noboa.
Apoio popular às reformas
Além dos dois temas centrais, os eleitores do Equador decidirão sobre o fim do financiamento público obrigatório de partidos e a redução do número de parlamentares.
Pesquisas recentes apontam que todas as propostas têm maioria de apoio, especialmente a diminuição do número de legisladores. Mesmo a questão mais controversa — a liberação de bases estrangeiras — aparece com mais de 60% de aceitação.
A aprovação do pacote seria uma vitória simbólica para Noboa, já que reverteria dispositivos da Constituição de 2008, marco da chamada Revolução Cidadã, encabeçada pelo ex-presidente Rafael Correa.
Entre as mudanças possíveis está justamente a revisão do artigo que proíbe bases militares de outros países em solo equatoriano, medida que marcou o rompimento com os EUA na época.
Violência crescente impulsiona mudanças
O agravamento da violência no país é apontado como um dos principais fatores de apoio às propostas. Com índices de homicídio que tendem a bater recordes em 2025, o Equador deixou para trás a imagem de nação pacífica e passou a enfrentar níveis alarmantes de atuação de grupos criminosos.
Noboa tem adotado políticas de linha dura e medidas excepcionais, como a declaração de conflito armado interno contra gangues e a inauguração de uma nova prisão de segurança máxima — estratégia que ecoa as ações de Nayib Bukele em El Salvador, amplamente popular entre parte da população.
Tensões políticas e críticas da oposição

Apesar do amplo apoio nas pesquisas, o plebiscito intensificou divisões políticas internas do Equador. Setores contrários às reformas argumentam que a Constituinte pode abrir caminho para concentração de poder nas mãos do presidente e retrocessos em garantias constitucionais.
A postura do governo diante do Judiciário também ampliou o clima de tensão, especialmente após membros do Executivo classificarem a Corte Constitucional como “inimiga do povo”.
Com a votação, o país enfrenta um momento decisivo que pode redefinir seu arranjo institucional, seu alinhamento internacional e sua resposta à crise de segurança que domina o debate público.