Entidades de saúde se manifestam contra norma que limita atendimento a pessoas transgêneros
Mais de 160 entidades criticam resolução do CFM que restringe tratamentos de transição de gênero e alertam para riscos à saúde física e mental da população trans.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Mais de 160 organizações ligadas à saúde e aos direitos humanos divulgaram uma nota conjunta nesta sexta-feira (18) repudiando a recente resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). A medida proíbe o uso de bloqueadores hormonais para crianças e adolescentes em processo de transição de gênero e eleva de 18 para 21 anos a idade mínima para cirurgias de transição com efeito esterilizante.
De acordo com as entidades, a norma desconsidera avanços científicos, diretrizes de tratamento reconhecidas e experiências internacionais no cuidado à saúde da população trans. A resolução, segundo elas, limita o acesso a serviços essenciais, afetando diretamente a qualidade de vida de pessoas trans.
Preocupações com os impactos à saúde
As entidades alertam que a restrição pode incentivar o uso de hormônios de forma clandestina, sem acompanhamento médico, aumentando os riscos de complicações graves como problemas cardíacos, infecções e até morte por uso de silicone industrial.
Também foram destacados os impactos negativos na saúde mental dessa população, como o aumento de casos de depressão, ansiedade e tentativas de suicídio.
Além disso, a nota critica o fato de a resolução manter o atendimento restrito a algumas especialidades médicas, sem considerar a atuação de profissionais de outras áreas como psicologia, enfermagem e serviço social, fundamentais no cuidado integral.
Cuidado contínuo e ética profissional
Apesar das novas regras, as entidades reforçam que tratamentos já iniciados, como o uso de bloqueadores puberais ou a hormonização cruzada em adolescentes, não devem ser interrompidos. Elas destacam que o cuidado em saúde é uma responsabilidade ética dos profissionais, que deve prevalecer sobre convicções pessoais, religiosas ou ideológicas.
A nota conjunta defende que mudanças com impacto direto na vida de milhares de pessoas devem ser construídas com base em evidências científicas, em diálogo com a sociedade e com o compromisso de preservar vidas.
Entre os signatários estão sociedades médicas, associações de profissionais da saúde, ambulatórios universitários e coletivos LGBTQIA+.